Frases


"Todos temos coisas na vida que valem a pena ser contadas, escritas. Mesmo que não para publicar, escreva-as para a família."Ilko Minev



quarta-feira, 23 de junho de 2010

Shakespeare animado (I): A Megera Domada


William Shakespeare, famoso dramaturgo inglês, foi autor de célebres obras e peças teatrais, tais como Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet etc. Até os dias de hoje permanece como um dos dramaturgos mais encenados mundialmente, ou mesmo adaptado para cinema, televisão, literatura, e até animação. Começo aqui uma pequena série de postagens sobre a série Shakespeare: The Animated Tales, uma produção russa, desenvolvida entre 1992 e 1994, que dá uma visão bastante peculiar às inestimáveis obras shakesperianas.

Para começar, um pouco de stop-motion, com The Taming of Shrew (A megera domada), brilhantemente adaptada:







Tomei conhecimento deste curta através de uma postagem do blog da editora L&PM, e ao assisti-lo fiquei maravilhado com sua qualidade. Os personagens e cenários foram muito bem produzidos, gerando uma atmosfera única e bastante atraente. A fluidez e ritmo da animação ajudam a contar muito bem a história, criando uma ótima unidade, e através dos pomposos diálogos e ótima dublagem temos uma excelente adaptação do clássico de Shakespeare, de uma maneira voltada tanto para admiradores mais fervorosos como para casuais. Tudo é tão bem produzido que às vezes parece que estamos assistindo a uma encenação comum, tamanha é a força dada ao texto. O fato de estar animado só aumenta ainda mais o ofuscante brilho desta obra. Quem ainda não conhece a história de Petrúquio e Catarina, está aí uma boa chance de conhecer ;)

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago...


Não vou escrever muito aqui, ao contrário do que todos estão fazendo, explorando ao máximo essa notícia tão triste que chegou tão abruptamente. Sempre admirei José Saramago, apesar de ainda não ter lido completamente nenhuma de suas obras. Considerava o escritor uma das lendas vivas da literatura; foi sem dúvida uma grande perda para o mundo... vão-se as boas pessoas e ficam aí os políticos corruptos e criminosos em geral, atazanando nossas vidas...

Seus ideias, sua utopia, permanecem eternos nas páginas de seus livros. O melhor que podemos fazer é apenas uma coisa: lê-los.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Clássicos da literatura


Muitos livros contam histórias. Mas poucos entram para a história. Estes recebem um nome: clássicos. É essencial que você os leia, releia e colecione.

É com essa premissa que a editora Abril lançou recentemente mais uma coleção, que destaca os grandes clássicos da literatura mundial. Com uma ótima encardenação (livros com capa dura), traduções consagradas e ainda páginas dedicadas à vida e obra do autor, temos à disposição clássicos como Crime e Castigo (Dostoiévski), Madame Bovary (Gustave Flaubert), Dom Quixote (Miguel de Cervantes), A metamorfose (Franz Kafka), Odisseia (Homero) entre outros, totalizando 35 volumes até o final da coleção.

Todos os volumes estão a um preço bem acessível: R$14,90, e chegam toda semana às bancas e livrarias. A coleção seguirá até janeiro de 2011, onde será lançado o último livro. Mais detalhes sobre a coleção no site oficial.

Sem dúvida, é uma ótima iniciativa, para popularizar esses livros tão fundamentais e indispensáveis a qualquer bom leitor. Fiquei maravilhado quando soube desta oportunidade, e tão logo pude iniciei a coleção, com títulos que já estava sondando há algum tempo, como Crime e Castigo. Para mim, esse material chega em uma excelente hora, em que começo a estruturar cada vez mais e melhor minha biblioteca pessoal ;)

As imagens desta postagens são do volume 5 da coleção, Memórias Póstumas de Brás Cubas, nas bancas esta semana.

Agora é só se deixar levar pela magia da leitura, e o melhor, leitura de primeiríssima qualidade!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Há quatro anos...


Retomando ao tema animação, após as postagens sobre a Bienal do Livro, vou falar um pouco sobre o curta O facínora, criado por mim e meu irmão Diego, há exatos quatro anos.


Inicialmente, antes de termos uma animação, tínhamos um trecho de um conto homônimo escrito por mim em 2002. Foi um de meus primeiros textos, e apesar de nunca ter sido concluído (ainda penso em fazê-lo), sempre gostei bastante de sua premissa: um sujeito durão, corpulento e mal encarado começa a criar confusão numa cidade, sem qualquer motivo aparente. É ignorante ao extremo, reagindo sempre com grosserias ou violência. Enfim, um sujeito do qual todos deveriam passar longe. Durante muito tempo, essa foi a ideia geral de O facínora, quando existia apenas em texto.


Em 2006, meu irmão se viu diante da possibilidade de participar do Granimado, um importante festival de animação, que ocorria em Gramado, RS. Após o curta Abducão, de 1999, ele já tinha diversos projetos iniciados, mas nenhum ainda finalizado. A oportunidade do festival surgiu como uma propulsão, uma finalidade. Diego então me chamou para que trabalhássemos em algo (eu pensaria na história, ele faria a animação) para enviar até o período exigido. Na época, se não me engano, tínhamos cerca de um mês.


Nas primeiras duas semanas, não produzimos muito. Apenas discutimos ideias e possíveis conceitos. Foi mais ou menos no fim deste período que surgiu o caminho para a animação: sugeri a Diego que usássemos meu texto como referência, e que fizéssemos uma versão animada de O facínora. Ele adorou a ideia, uma vez que a história já estava desenvolvida e tinha boa progressão.


Porém, como deve se notar, o facínora que se vê hoje no curta não lembra em praticamente nada o personagem inicialmente criado por mim. A única característica mantida foi seu tamanho: grande, forte, chamado até de o gigante. Mas isso também foi um pouco atenuado, através do traço de Diego, que o transformou em um personagem aparentemente calmo, tranquilo, inocente.


O fato é que todo o texto original foi modificado quando eu e Diego nos sentamos para escrever o roteiro da versão animada. A ideia original era boa, mas não era o que precisávamos no momento, foi o que percebemos após conversar alguns instantes. Então, o personagem central da história, que seria quase um vilão, foi transformado em um "herói", mas cuidaríamos para que suas ações, embora inocentes e sem qualquer má intenção, viessem quase a denunciá-lo como um perigoso infrator ou criminoso. Estava traçada a nova linha da história.


Então foi iniciado o trabalho duro propriamente dito. Ao todo foram quase 150 desenhos para toda a produção do filme, um número relativamente pequeno para uma animação de quase 3 minutos, devido à maneira simplificada com a qual foi feita. Diego fez cada um dos desenhos à mão, correndo contra o tempo, pois o prazo corria a olhos vistos. Dei ideias a algumas das sequências, elementos a inserir e outras inserções, e ao final escaneei todas as folhas, passando o material ao computador. O resto do trabalho, como a adição de cor, foi finalizado digitalmente, mais uma vez por Diego, com sugestões minhas. Para a trilha sonora, escolhemos uma música clássica de Strauss, que casou muito bem às reviravoltas mostradas no curta, com momentos de clímax bem interessantes.


Ao todo foram 2 semanas de produção contínua e direta, e ao final, no dia máximo do prazo do Granimado, enviávamos então o curta para o festival. O facínora foi selecionado e exibido em uma das mostras do evento, para nossa imensa satisfação.


Não posso deixar de completar essa postagem sem mostrar o curta, afinal, então segue O facínora:




O curta ainda viria a ganhar o 1º lugar na categoria 2D no festival ANIMASERRA 2006, no Rio de Janeiro. Ele também passou, nos anos seguintes, por diversos festivais por todo o Brasil, sendo até exibido no Canal Brasil.


Olhamos para O facínora, nos dias de hoje, com grande carinho. Foi o primeiro curta "profissional" que fizemos, marcou uma parceria que mantivemos, e após ele Diego iniciou uma larga produção, emendando novos projetos (dos quais ajudei como colaborador), e ditando um ritmo que soma hoje um número considerável de animações, a maioria ainda produzida de maneira independente. Em 2009, voltei a atuar na produção, juntamente com ele, e assim nasceu Golpe Postal, do qual falei amplamente aqui na época da criação do blog. Novos projetos, como Círculo, Maria da Glória, e Polígonos estão entre nossas prioridades do momento, além de dezenas de ideias para futuros curtas ;)


Nada disso seria possível não fosse O facínora. Um curta simples, feito às pressas, com várias falhas, mas que ditou o início de tudo. Nele podemos ver elementos presentes até hoje em nossos futuros trabalhos. Atualmente, ainda me surpreendo com sua narrativa ágil, intensa, quase inverossímil em alguns trechos, é verdade, mas perfeitamente possível dentro de sua realidade, e temas assim têm pontuado minhas histórias desde então. Escrever esse pequeno texto me trouxe à mente vivas lembranças desse período, que foi tão gratificante. Como o tempo passa rápido... lá se foram quatro anos...