Frases


"Todos temos coisas na vida que valem a pena ser contadas, escritas. Mesmo que não para publicar, escreva-as para a família."Ilko Minev



domingo, 2 de setembro de 2012

Livro: Sem medo de viver



Algum tempo atrás, escrevi aqui um pouco sobre um livro de Augusto Cury (De gênio e louco todo mundo tem um pouco), que tinha ganhado de presente. Não sabia muita coisa sobre o autor, mas a ideia geral já me soou interessante, a ponto ter conseguido "furar a fila" de outras leituras que eu tinha em vista. A vida é sempre feita de escolhas, e mesmo a entre dois livros pode representar bem mais do que imaginamos.

Pois, de certa forma, este fato se repetiu, mas dessa vez com Max Lucado. Já conhecia, bem do alto, alguma coisa de sua obra, mas não me imaginava lendo algum de seus livros (ao menos por hora), até que o livro que ilustra esse post chegou às minhas mãos. De início, foi apenas para checar, ver do que se tratava, curiosidade literária, uma olhadela rápida por entre as páginas. A maneira como a questão do medo era posta em xeque por Lucado, porém, me fisgou e, antes que percebesse, já tinha lido as trinta primeiras páginas.



Não sei como são os demais livros do autor, mas pude ver uma boa aproximação dele com sua obra, a partir do ponto que insere fatos de sua própria vivência, deixando o todo com uma cara mais transparente, mais realista, mais próxima do leitor. O irmão de Lucado, sua esposa, filhas, amigos, todos figuram constantemente, demonstrando um lado humano, que muitas vezes passa meio longe da visão que temos de um autor, principalmente de um tão amplamente divulgado e alardeado pela mídia.



Ao longo deste livro, também, fica evidente a forte religiosidade de Lucado (até então, não sabia que ele era pastor), uma vez que há inúmeras citações bíblicas, geralmente usadas para exemplificar condutas, passar ensinamentos, transmitir virtudes, que atravessam os tempos bíblicos e chegam aos dias de hoje com a mesma intensidade. São as parábolas de Jesus.

Essa interessante aproximação com o livro sagrado desperta um olhar curioso, mais ainda a quem ainda não se aventurou muito nessas águas. Lucado cita parábolas que trazem à tona alguns dos medos mais comuns a afligir a humanidade, medos estes dissolvidos pelas palavras divinas. Em um dos capítulos, discute ainda o medo de que Deus não exista, sempre apoiado pelos alicerces da bíblia. O livro pode até ser encarado, algumas vezes, como um certo "processo de evangelização", mas prefiro observá-lo de uma maneira mais aberta, com o amplo e contundente valor literário e, acima de tudo, humano, que há nas entrelinhas de suas páginas.



Como falei antes, o autor menciona diversas situações de sua própria vida, expõe seus medos, demonstra sua incapacidades, ao mesmo tempo que cita também seus porto-seguros, seus guias, como superou estes momentos. O tempo inteiro busca abrir os olhos do leitor, para aquilo que muitas vezes é um medo errôneo, sem motivo ou razão, como, aliás, são a maioria deles. O medo, até certo ponto, é saudável, inerente ao ser humano. O problema é quando ele começa a controlar a nossa vida, quando coloca suas rédeas sobre nós.





Entre a abordagem dos capítulos, estão medos comuns e amplamente discutidos, como a própria origem do medo, o medo da falta, medo de não ser importante, medo de grandes desafios, medo da violência, medo do futuro, medo da morte, entre outros. Essa divisão facilita a leitura, pois possibilita os capítulos de serem lidos em qualquer ordem, uma vez que cada um é bem específico, quase como se fossem mini-livros reunidos.





Todo livro sempre é uma valorosa surpresa, mas muitas vezes os que lemos porque procuramos ou fomos indicados não são bem aquilo que esperávamos. Já aqueles que chegam de repente, sem ter sido previstos ou planejados, acabam por nos surpreender, por nos atingir de uma maneira especial, por comunicar algo que sabemos que somente ele poderia tê-lo feito. Foi uma sensação mais ou menos assim que tive ao ler esse livro de Max Lucado. Não pude, inclusive, deixar de marcá-lo de cima a baixo, praticamente, ressaltando trechos e passagens memoráveis. Fazer marcações em livros, inclusive, são excelentes! São quase como novos livros escritos por nós. Vou falar sobre isso depois, em outro post.



Não sou nenhum especialista na bíblia, o que provavelmente me impossibilitou de ver algumas coisas neste livro, é verdade, mas já me considero mais próximo, mais enriquecido de seu conteúdo, uma vez que o livro me abriu a novas portas de compreensão e percepção. Portanto, ele pode se estabelecer ainda como uma interessante ponte ao livro sagrado. Ao final, há ainda um guia de discussão, onde são usadas mais várias referências bíblicas, direcionadas aos medos abordados ao longo do livro.

Além de suas vivências, e do amplo rol bíblico empregado pelo autor, vemos também inúmeras referências de personalidades e figuras célebres, tais como o cantor e ator Dean Martin, o jogador de futebol americano Noble Doss, o grande golfista Byron Nelson, além do cineasta Woody Allen, e dos escritores Yann Martel, Tolkien, e C.S. Lewis, que ilustram casos curiosos de como o medo ou dúvida pode se manifestar na vida. Há ainda comentários sobre a fantástica e incrível história evolvendo o médico judeu Boris Kornfeld e o então soldado russo Alexander Solzhenitsyn.




Um dos fatores, porém, que me desagradam no livro, é algo que acaba sendo sempre inerente a uma obra tão difundida, ou a um nome como o de Max Lucado. É tão simplesmente o "Mais de 65 milhões de livros vendidos", que acaba atuando quase como um outro sobrenome do autor na capa do livro. Será que é mesmo necessária essa conduta? É o que me questiono sempre que vejo esses ditos "best-sellers". Essa jogada de marketing é tão comum que já nos acostumamos a ela. E mais, é ela que deve ser a responsável por boa parte das ditas vendas. Pode-se pensar: "Nossa, tantos vendidos, deve ser um bom livro!". Não querendo desmerecer esse ou aquele livro, por trazerem esta espécie de rótulo, principalmente porque tanto o autor como a editora querem vender seu trabalho, seu produto, e lutarão para tal,  mas e os livros que não venderam milhões de exemplares? Deixam de ser bons por isso? E mesmo esses milhões vendidos, será que cada uma dessas pessoas realmente usufruiu a obra, ou apenas serviu para aumentar as estatísticas? E essa questão vai bem além da literatura, chegando também ao cinema, música, etc. Meu propósito não é repudiar ou atacar o mercado de marketing, mas apenas sugerir que não nos deixemos levar apenas por dados e estatísticas para comprar ou usar algo. Muitas vezes, o que é menos vendido, ou menos conhecido, pode ter bem mais a dizer. Acredito que o melhor a fazer é confiar em nosso próprio instinto, ao invés de se deixar guiar por números ou listas.

Livros não mudam pessoas, mas mostram caminhos. Escolhemos ou não segui-los. Talvez ler este não signifique superar de uma vez todos nossos medos, mas nos dará uma consciência, um panorama do que o medo poder representar e roubar de nossa vida. Reagir e lutar contra ele é uma escolha nossa. Viver sem medo é viver plenamente, evitar preocupações desnecessárias. Viver não o passado ou o futuro, mas o presente. Nos atirar sem receios nessa maravilha que é viver, usufruir de tudo o que quisermos e pudermos, enquanto neste mundo. É um ideal que muitas vezes nós mesmos afastamos, por motivos e razões que dariam praticamente outro post como esse, mas é como diz Max Lucado: troquemos o medo do próximo inverno pela fé, afinal de contas, é tudo como dinheiro de Banco Imobiliário. Tudo volta para a caixa quando o jogo acaba (Trecho final do capítulo 9).




Um comentário:

  1. “O medo encolhe sua energia, limita sua capacidade, coloca você sob o domínio do outro”.Aline da Cidade das Pirâmides. http://www.youtube.com/watch?v=TIz7I6ANotY&feature=relmfu

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