Frases


"Posso resumir em três palavras o que aprendi sobre a vida: a vida continua"Robert Frost



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fábulas de Esopo - O Homem que Prometia o Impossível

Saudações! O blog andou um pouco parado nos últimos dias, por conta de algumas outras pendências prioritárias, entre elas a pesquisa que desenvolvo sobra a obra O Pequeno Príncipe, já em fase de conclusão.

Voltando a falar sobre as belas fábulas de Esopo, escolhi esta, bem interessante, para esta postagem:

O Homem que Prometia o Impossível



     Um homem jazia, doente e perto da morte. Era pobre. Como os médicos lhe tinham tirado qualquer esperança de cura, ele prometeu aos deuses o sacrifício de cem bois e lhes dedicar um monumento se se restabelecesse. Sua mulher, que estava a seu lado, perguntou-lhe:
     – E de onde tirarás o dinheiro?
     Ele lhe disse:
     – Você acha que vou me restabelecer para os deuses me cobrarem essas promessas?
     É fácil fazer promessas quando sabemos que não vamos cumpri-las.


Mais uma ótima fábula, brilhantemente narrada e que atua quase como um golpe certeiro contra valores que comumente não damos muita atenção. A promessa, como feita na história, soa quase como um desafio aos deuses, e, claro, visa apenas ao homem doente em primeiro lugar. Muitas vezes nos vemos em situações similares, quase sem perceber, não é mesmo?
Engraçado é que o homem da história já faz a promessa sem acreditar que os deuses o atenderão, o que constitui mesmo uma certa provocação. Se não vamos cumprir o que prometemos, nossa contraparte também não deve fazê-lo. Seria justo. No fundo, talvez as promessas tenham mesmo um quê de egocentrismo.

Reflitam!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Carros 2 – Trailer



No início do ano, falei aqui sobre a continuação do filme Carros, de 2006, da Pixar (vejam aqui). De lá para cá, tivemos o espetacular Toy Story 3 no meio do ano – um filme realmente único – mas não tinham sido divulgadas até então mais novidades sobre a sequência das aventuras de Lighting McQueen. Claro que a produção já devia estar em ritmo aceleradíssimo.
Esses dias vi uma chamadinha rápida do filme, na TV, e imaginei que o trailer já devia estar disponível na internet. Mais uma vez, nada como ter o YouTube à mão. :D

Segue o trailer oficial de mais esta super produção da Pixar (recomendo assistirem em HD!):




Pelo que se vê, Carros 2 está visualmente impecável, como todas as produções da Pixar – mas, claro, com um bom enredo conduzindo o filme (a receita do sucesso deles!). O primeiro filme é ótimo, belíssimo, no melhor estilo Pixar, cativando-nos em pouco tempo, mas algumas pessoas não gostaram muito, talvez por ele ter um ritmo um pouco lento em alguns pontos, justificados pela maneira diferente de como a história era contada, mas agora vemos que a nova trama parece ter ganhado mais dinamismo, além de bem mais ação, e cheguei a lembrar até de Os Incríveis, outro grande sucesso da Pixar, em meio a algumas das cenas.

E eles estão gostando mesmo de fazer continuações! Recentemente tivemos Toy Story 3, agora Carros 2, e há pouco tempo foi oficializado que Monstros S.A. 2 (Sequência de Monstros S.A., de 2001, na minha opinião um dos melhores filmes da Pixar) está em produção! Espero que nesse ritmo, um dia tenhamos também a família Perâ de volta, com um Os Incríveis 2 :)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dica de leitura: O Pequeno Príncipe



Essa postagem já estava prevista há quase 3 meses, quando comecei a ler o livro. Mediante as postagens sobre a II Semana da Animação, que virão logo mais por aqui, resolvi enfim concluir mais esta Dica de Leitura. Fotos de algumas das ilustrações do livro – as fantásticas aquarelas do próprio autor, Saint-Exupéry – embelezam esta postagem. São belas imagens, simples e puras, como a essência do livro.

Ultimamente, após a leitura do ótimo O Ladrão e os Cães, do qual já falei bastante (veja aqui), eu tinha decidido dar um tempo de romances e me dedicar mais a contos, de grandes autores que admiro, como Fernando Sabino e Rubem Braga, e de fato assim segui minhas leituras nos dias posteriores.

Até que em certo momento me lembrei do livro do pequeno príncipe, que ainda não lera, mas que sempre tinha ouvido falar. Como temos o livro aqui (é do Diego, meu irmão), passei pela estante e peguei para dar uma olhadela. O livro parecia bastante simples, agradável, e não muito longo. Decidi que era a hora de enfim ler este clássico, e fiz do livro meu companheiro nos próximos meses (li uma vez, e agora estou fazendo uma análise de trechos e citações da obra), colocando Sabino e Braga momentaneamente de volta à estante.



Posso dizer, sem qualquer dúvida, que ler O Pequeno Príncipe agora (um pouco tardiamente talvez) foi uma das melhores coisas que fiz nos últimos tempos. O livro me despertou para tanta coisa, para tantas novas percepções, que não consigo entender como pude ficar tanto tempo sem lê-lo. Mas o que ele tem de tão extraordinário? Era também a pergunta que eu me fazia antes de mergulhar a fundo em suas páginas.




Assim como Alice no País das Maravilhas, O Pequeno Príncipe pode até ser tachado como um livro bobo, ou puramente infantil, mas novamente como a obra máxima de Lewis Caroll, bastam alguns minutos de leitura para nos sentirmos parte da história, para nos deixarmos levar a uma outra realidade, uma realidade perfeitamente compatível a qualquer idade.




Para mim, um dos maiores trunfos de O Pequeno Príncipe é o fato de se tratar uma história bastante simples, mas com desdobramentos extremamente complexos, que nos levam a algumas das maiores profundidades do cárater e pensamento humano, sem muito esforço. O livro, de autoria do piloto e escritor frânces Antoine de Saint-Exupéry, é o livro frânces de maior repercussão no mundo, tendo sido traduzido para mais de uma centena de idiomas, mas esse não é bem o ponto que quero comentar aqui.




Com uma narrativa leve, livre e extremamente agradável, recheada de metáforas filosóficas, a história se desenrola a partir do narrador, também personagem, um piloto de avião – que parece se tratar de um alterego do próprio Exupéry – falando um pouco sobre sua vida, até um acidente que o fez cair em um deserto, onde encontrou o enigmático principezinho.



Acredito que o personagem que dá título ao livro é um dos mais fascinantes já criados pela literatura! A mistura de sentimentos, emoções, dúvidas, inseguranças – tudo que ele sente – é transmitido com uma veracidade tamanha que nos sentimos quase no lugar do piloto, ao lado do principezinho, fascinado com seu comportamento, tentando entendê-lo. Um personagem misterioso, mas também bastante frágil, que age com a inocência de uma criança, e nos faz perceber como é sábio e verdadeiro esse olhar. Sua preocupação com sua flor, um outro personagem de suma importância, é comovente, além de também ter possivelmente uma forte conotação autobiográfica.




Sem qualquer dúvida esse é o ponto mais alto da obra: nos levar, ainda que por alguns instantes, de volta à infância. Temos a clara consciência de que a vida é bem mais simples do que a tornamos. Que o cotidiano, a rotina, distorcem nossos pensamentos, nos fazem esquecer dos pequenos detalhes, os que realmente fazem a diferença para uma vida mais feliz.



Não poderia deixar de citar também, na íntegra, a apresentação da obra, feita pela autora Amélia Lacombe, e publicado nas costas do livro:

     Livro de Criança? Com certeza.
     Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi.
     Como explicar a adoção deste livro por povos tão variados, em tantos países de todos os continentes? Como explicar a atualidade deste livro traduzido em oitenta línguas diferentes?
     Como compreender que uma história aparentemente tão ingênua seja comovente para tantas pessoas? 
     O Pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino.


Não há mais muito o que dizer depois destas palavras. Então fica a dica, desta leitura tão maravilhosa que é O Pequeno Príncipe. Todos deveriam ler este livro! Ah,  não posso deixar de falar um pouco sobre Saint-Exupéry, que venho pesquisando ultimamente, e seu enigmático acidente:



Antoine de Saint Exupéry, autor do livro, infelizmente não veria a glória e êxito de sua obra, pois pouco depois de sua publicação, em 1943, ele sofreu um acidente aéreo bastante misterioso, em uma missão de reconhecimento, durante a II Guerra Mundial. Este acidente é talvez o maior enigma da aviação e literário do século XX, dadas as circunstâncias e repercussão na época e até hoje. De início, não se sabia se ele tinha mesmo falecido, apenas desaparecido.

Quase 60 anos depois, no mar mediterrâneo, próximo a Marseille, foi encontrado um bracelete de Saint-Exupéry, possivelmente de sua roupa de piloto. Muitas especulações vieram em cima destes fatos, e também sobre os locais onde se acharam os destroços do avião. Recentemente, em 2008, surgiu mais uma:  um piloto alemão revelou que tinha sido o responsável pela queda do avião de Exupéry. Horst Rippert, aos 85 anos, contou que estava em missão, sobrevoando o mar mediterrâneo, quando viu um P-38 com um emblema da França se aproximando, e disparou contra ele, que caiu  em direção ao mar. Rippert acredita que tenha derrubado Saint-Exúpery, mas que jamais o teria feito se soubesse que era ele, uma que vez o tinha como um de seus autores favoritos, e o lia desde sua juventude. Que história hein? sem dúvida ela é bastante imprecisa, e já foi contestada por autoridades alemãs e francesas.

O fato é que a morte de Exupéry ainda está envolta em muita névoa. Há aqueles que acreditam que ele possa também ter se suicidado, devido a algumas cartas que teria deixado antes do desastre, e também o relacionamento infeliz que mantinha com Consuelo, a sua "flor", por quem era apaixonado, e casado há muitos anos. As seguintes frases, retiradas de O Pequeno Príncipe, fazem jus a essa hipótese, além de reforçar o caráter auto-biográfico da obra:

"O essencial é invisível aos olhos"
" – Tu sofrerás. Eu parecerei morto e isso não é verdade."
" – Só se vê bem com o coração".

Enfim, independente de como tenha ocorrido, o que realmente importa é que Saint-Exupéry nunca esteve tão presente no mundo, através das páginas de seus livros, em especial O Pequeno Príncipe, que a cada dia ganha novos e novos admiradores e estudiosos. Diversas homenagens são sempre feitas ao autor e obra, como museus, exposições e também na área da astronomia, com um asteróide descoberto em 1975, que leva o nome do escritor,  e um outro, descoberto em 1993, que recebeu o nome 46610 Bésixdouze, que em frânces significa "B seis doze", o asteróide habitado pelo principezinho. O número 46610, convertido para a forma hexadecimal, dá exatamente B612.

Como falei antes, acho que todos deveriam ler este livro, por tudo o que ele representa. É um favor que se faz a si mesmo. Já leu? leia novamente! Um livro dessa magnitude deve estar sempre à mão. Atualmente estou relendo, fazendo uma análise minuciosa em cima das metáforas, citações e símbolos lá presentes, e mesmo já conhecendo a história, não deixo de me surpreender a todo instante. Em breve, postarei alguns trechos desta minha pesquisa aqui no Diálogos Visuais.

Bom, vão às livrarias, baixem na internet ou tirem da estante. O importante é ler! E não se esqueçam de desenhar um carneiro que cative o principezinho :D.  


Veja também alguns comentários sobre o filme "O Pequeno Príncipe", aqui.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vinheta para Mostra SESC Cariri de Cultura 2010

Mal chegamos ao fim da II Semana da Animação, e um novo evento já está em foco! É a Mostra SESC Cariri de Cultura 2010, que ocorre de 12 a 17 de novembro em Juazeiro do Norte e Crato, Ceará. O evento terá debates, exibições de filmes e palestras, entre outras atividades.

Mas o ponto principal desta postagem é falar sobre a vinheta do Núcleo Audiovisual do evento, assinada esse ano por meu irmão, Diego Akel:



Diego segue se superando! Combinando cores fortes – como nunca se viu em nenhum de seus trabalhos anteriores – a seu já conhecido ritmo dinâmico, ele criou uma composição bem interessante, intensa, marcante, que visa dialogar com o espectador, chamar atenção, favorecer debates,  e que vai talvez até além do que esperar do evento. :D

Agora um breve desabafo, se me dão licença:

Ano passado estive na Mostra (fui por conta própria), mas juntamente com Diego, a equipe do NUCA (Telmo Carvalho e Mariana Medina), o animador Fernando Santos e a produtora Carolinne Vieira, todos convidados para o evento. Foram dias excelentes, os da Maratona Animada. Quem não viu, os detalhes estão nesta postagem.

Este ano, até poucos meses atrás, já estava quase certo que eu iria oficialmente, como fotógrafo e responsável por textos sobre as atividades do evento. Porém, há poucos dias soube que foram feitos vários cortes, por parte da produção do SESC Cariri, e o cargo que eu viria a executar se foi, antes mesmo de se tornar realidade! Diego, Telmo Carvalho e Carolinne Vieira foram mantidos (para debates e bate-papos sobre os conteúdos mostrados), mas os cortes foram tantos (cortaram até as oficinas de animação dadas às crianças do próprio SESC!) que eles ficarão bem menos dias lá do que ficaram ano passado. Lamentável... por isso digo que a vinheta, feita com grande esmero por Diego, não está à altura do evento, em sua estrutura atual (o segmento animação, do núcleo audiovisual).

Infelizmente, dessa vez, creio que não poderei ir novamente por conta própria. Mas, caso acontecesse, talvez não fosse tão edificante, uma vez que provavelmente acabaria fazendo as fotos, por amizade ao pessoal, e possivelmente terminaria não creditado, como aconteceu no ano passado. Algo bastante desagradável, diga-se de passagem...

Enfim, Diego irá, e espero que tudo corra tranquilamente, com o sucesso de sua vinheta, a brilhar na Mostra SESC Cariri de Cultura, que já conheceu dias bem melhores.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fábulas de Esopo - A Raposa e o Espantalho


Mais uma fábula atribuída ao grande Esopo, extraída da ótima edição da L&PM:

     Uma raposa entrou na casa de um ator. Ficou remexendo em seus pertences e encontrou uma cabeça de espantalho muito bem feita. Tomou-a entre as patas e exclamou:
     – Que bela cabeça, mas é oca.
     O mesmo se pode dizer das pessoas belas mas sem inteligência.


Adoro essa história; a maneira como os fatos se combinam, com grande agilidade, para transmitir a moral, é simplesmente fantástica! E o que dizer da moral? Aquela velha questão de que a verdadeira beleza não é externa, e sim a interna. De que adianta ser o mais belo, o mais rico, o mais tudo, sem  um conteúdo verdadeiro? É impressionante como esse conceito já existia no tempo de Esopo, e permanece em grande evidência até hoje, onde acredito que está mais forte do que nunca!

A figura da raposa é usada aqui mais uma vez como símbolo da esperteza e astúcia, não se deixando enganar pela superficialidade que aparenta grandeza, e assim nos transmitindo mais essa moral tão discutida.

Reflitam!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Hoje é o DIA!


28 de outubro, Dia Internacional da Animação! Data comemorada em quase todo o Brasil e em vários outros países! Serão realizadas exibições de curtas metragens selecionados, na Mostra DIA (Nacional e Internacional) 2010. Uma excelente oportunidade para os amantes desta arte, de poderem conhecer como andam as produções mais atuais da área, além de reunir todo o público que aprecia um bom curta animado.

Aqui em Fortaleza, o DIA também marca o encerramento da II Semana da Animação, Mostra Internacional de Cinema de Animação de Fortaleza, da qual falei nas postagens anteriores, que vem movimentando os últimos dias de outubro, desde o dia 22. Convido a todos que forem de Fortaleza para prestigiarem a noite de encerramento do evento (entrada franca), a partir das 19:30! Será na Casa Amarela Eusélio Oliveira. Todos os detalhes estão no blog da II Semana. Não percam! :D

Confiram também a programação de hoje no seu estado no site oficial do Dia Internacional da Animação e, mais uma vez, ótimo DIA a todos!

Ah, e em breve mais postagens sobre a II Semana, aqui no Diálogos Visuais.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

II Semana da Animação - Vinheta!

Demorou um pouquinho, mas já está no ar a vinheta da II Semana da Animação! Um trabalho feito com muita determinação por meu irmão, Diego Akel, que também é coordenador do evento (uma das razões de ter atrasado um pouco a finalização, dadas as muitas atribulações do cargo).

Sem mais, vamos a ela:



Achei muito bacana o resultado final da vinheta, após acompanhá-la quase passo a passo nos últimos dias. Diego mais uma vez propõe um jogo de imagens dinâmicas e diretas, aliadas a uma trilha sonora cativante e envolvente, que nos coloca rapidamente diante de toda a atmosfera que está por vir. A alusão à figura solar também foi bem bacana, e podemos ter uma referência à cidade de Fortaleza, conhecida como terra do sol. Podemos ainda imaginar quase como se acompanhássemos um "dia" simbólico da II Semana da Animação, desde o raiar do sol, passando pelas atividades da programação, seguindo pela noite, quando o sol se põe, até o descortinar do dia seguinte, em uma sucessão contínua. A meu ver, mesmo tendo sido feita às pressas, a vinheta constitui uma ótima visão geral do evento, ditando um ritmo frenético bem parecido com o que se tem visto nos dias da II Semana da Animação, e este é o maior êxito que se pode conseguir! Parabéns Diego! :D

E a II Semana da Animação já está a toda! Amanhã tem muito mais animação para todos, confiram todos os detalhes no blog oficial!

Em breve, aqui no Diálogos, postagens maiores dedicadas ao evento!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

II Semana da Animação e DIA


Gente! Está para começar a II Semana da Animação aqui em Fortaleza! Evento totalmente dedicado à animação que desde o ano passado propõe uma interação e proximidade com o público, trazendo animadores, produtores, e vários profissionais da área para debates, discussões, mini-cursos, e, claro, mostras. Serão exibidos filmes animados de todo o mundo, numa extensa e criteriosa seleção que favorece o profundo debate sobre novas ideias e conceitos para o futuro da animação. O evento culminará com o Dia Internacional da Animação (DIA), que ocorre em todo o mundo em 28 de outubro. Neste dia, em 1892, foram exibidas as primeiras imagens animadas de que se tem registro, em Paris.

Aqui em Fortaleza, meu irmão, Diego Akel, é novamente o coordenador do DIA, e juntamente com o pessoal do NUCA, e outros colaboradores e parceiros, levam a Semana da Animação à sua segunda edição. Ao longo dos sete dias (22 a 28 de outubro) de sua vasta programação, podemos ter a certeza de que o evento seguirá se firmando como o maior dedicado à animação do estado.

Então, quem for daqui da cidade, não deixe de prestigiar essa bela iniciativa :) O evento é inteiramente gratuito e sem fins lucrativos. O objetivo primordial da ocasião é mesmo oferecer oportunidades e incentivos a todos aqueles que se interessam por animação e desejam se aprofundar mais nesta área tão fascinante! Quem não for de Fortaleza, pode até não contar com uma semana, mas terá um dia! Basta ir ao site oficial do DIA e conferir a programação para o seu estado. Então não tem desculpa! Dia 28, anime-se com o Dia Internacional da Animação!

Voltando à II Semana da Animação, aqui em Fortaleza, a programação completa já está disponível no blog oficial do evento. Não deixem de conferir!

Para finalizar, eu, com o Diálogos Visuais, firmei uma parceria com a II Semana da Animação de Fortaleza, e em breve postarei aqui algumas impressões, além de contribuir também com alguns textos para o blog do evento.

É isso, que venha a II Semana da Animação e um ótimo DIA a todos =)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Ladrão e os Cães - Frases, sentenças e citações morais



Tinha ficado de fazer essa postagem há um tempinho, desde que terminei de ler o livro, trazendo algumas citações interessantes e reflexões das páginas da história. Aproveitando esse tema, devem ter notado que, com a mudança no visual do Diálogos, tive a ideia de por um aforisma ilustre sempre em destaque, de autores que muito me influenciam, para já propor uma reflexão inicial com quem entrar no blog.

O autor do livro O Ladrão e os Cães (veja mais sobre o livro nesta postagem), o escritor egípcio Naguib Mahfuz, graduado em filosofia, além de criar um enredo rápido, nervoso, altamente denso e emocionante, inseriu também várias sentenças e citações de profunda reflexão, que – durante e após a leitura – nos fazem pensar e entender o mundo sob novos pontos de vista, expandindo nossas ideias e conceitos. Um banho de filosofia disfarçado nas páginas de um romance com ares de romance policial (além de alguns outros trechos muito bem construídos).

Após a primeira leitura do livro, onde dediquei cerca de 2 meses, fiz uma segunda leitura imediata, mas apenas para recolher essas passagens, essas citações, que percebi serem importantes demais para ficarem somente lá nas páginas do livro, aguardando uma próxima leitura. Cada vez mais tenho percebido a força deste tipo de material, e por isso decidi extrair o máximo que consegui do livro, e agora compartilho algumas com vocês, vamos lá!

"Como ouço muita coisa, mal consigo escutar qualquer coisa", xeque Ali al-Junaydi.

O xeque Ali é um dos personagens mais interessantes da trama, sem dúvida. Suas colocações sempre emblemáticas, místicas e carregadas de efeito moral o fazem uma espécie de conselheiro, que parece sempre saber de tudo, e nunca se abalar com nada. Essa colocação pode ter várias interpretações, como o fato de se ouvir muito limitar o grau de entendimento particular a cada assunto, e no fim acaba-se não se captando nenhum deles. Podemos ainda entender como o acúmulo de muitas atribulações pode nos impedir de nos dedicarmos a apenas uma com uma atenção devida, e acabamos por não fazê-las com o esmero que poderíamos.

"O meu passado ainda não permitiu que eu considerasse o futuro", Said Mahran.


Said, protagonista da história, passa boa parte dela atrelado a seu conturbado passado. Os devaneios de sua mente devastada e confusa nos fazem perceber o quão perdida uma pessoa pode ficar, se fizer do passado seu objetivo de vida. 


"Ocorreu-lhe que o hábito é a raiz da preguiça, do tédio e da morte, que o hábito tinha sido responsável por seus sofrimentos, pela traição, pela ingratidão e pelo desperdício de sua vida", narrador, interpretando Said.

Essa colocação é bem interessante, e uma de minhas favoritas. Nos faz pensar como o hábito pode trazer uma "acomodação" à vida. De certa forma, tendemos a nos acostumar muito às situações da vida, e não procurar mudá-las, o que pode causar uma repetição tediante, enfadonha. Essa acomodação gera justamente a preguiça para não procurar contornar situações que sabemos que não estão do jeito que deveriam.

"Toda luta tem seu campo de batalha adequado", Raulf Ilwan.

Raulf Ilwan tem um papel bastante decisivo na trama, como um dos principais antagonistas, além de ter sido uma espécie de mentor de Said no passado. Porém, suas ações demonstram uma mudança súbita em seu caráter, o que faz Said tê-lo como um traidor. Essa frase de Raulf traz uma reflexão sobre comportamentos, e de como exergar melhor o que está à nossa volta. Mostra um respeito e compostura, ao sugerir que tudo tem um lugar certo para acontecer, dignos de uma conduta exemplar, mas também não deixa de ter uma pequena dose de irônia.

"Um mundo sem moral é como um universo sem gravidade", Said Mahran.

Said passa boa parte da narrativa preso a seu passado e à consequência de seus atos. A frase mostra a importância da moral para haver um balanço, uma harmonia no mundo. Mesmo sabendo disso, Said parece ignorar os sábios conselhos do xeque Ali, e se deixa permanecer sem gravidade, em seu restrito e limitado universo.

"Continuamos aprendendo do berço ao túmulo, mas pelo menos comece, Said, prestando atenção no que faz e assegurando-se de que qualquer tarefa iniciada por você acarretará algum bem para alguém", xeque Ali, dirigindo-se a um Said ainda garoto.

Outra sentença bem profunda que nos faz repensar diversos valores, e, de certa forma, sobre a simplicidade com que podemos levar a vida.

" – Adeus, meu mestre.
   – Essa é uma palavra absolutamente sem sentido, seja qual for a sua intenção – o xeque se queixou. – em vez disso, diga: até mais ver", final de uma conversa entre Said e o xeque Ali.

A tranquilidade e serenidade do xeque mais uma vez se fazem notar. Adeus é realmente uma palavra muito forte, que pressupõe um abandono definitivo, uma ida sem volta. Um "até mais ver" passa a ideia de retorno, de esperança, de futuro.

"O mundo não se apercebe de quem não se apercebe dele", xeque Ali.

Outra de minhas favoritas. Essa citação pode se aplicar a todos aqueles que ainda não acharam seu lugar no mundo. Em outras palavras, aqueles que ainda não se encontraram, simplesmente não se deixaram encontrar. É como diz o cineasta Woody Allen, quando perguntado sobre o segredo de seu sucesso, respondeu simplesmente: "dê as caras". Não devemos esperar sermos notados, devemos fazer acontecer, ser persistentes. O grande publicitário e autor Paul Arden também dizia: "O mundo é o que você pensa dele. Portanto, pense nele de um jeito diferente e sua vida mudará".




"Como é maravilhoso para os ricos recomendarem a pobreza para nós", Said Mahran.

A ironia direta de Said, que se coloca entre os pobres, nessa frase é uma crítica ao comportamento das classes superiores e ao caráter da humanidade, no caso o próprio Raulf Ilwan, quando este lhe sugere um emprego simples. Propõe ainda um grande distanceamento entre classes, uma vez que constitue uma afirmação irônica mas verdadeira. Que rico recomendaria a riqueza aos pobres?


"Nenhum emprego é servil, desde que seja honesto", Raulf Ilwan.

A valorização do emprego é a evidência aqui. O emprego digno, honesto, que traz a honra a quem o exerce. Ironicamente, é Raulf Ilwan, um exemplo não muito bom de honestidade, que dá o recado.

"Você dormiu muito, mas não viu descanso. Igual a uma criança colocada sob o fogo do sol escaldante. O seu coração anseia por sombra e, no entanto, continua avançando sob o fogo do sol. Será que ainda não aprendeu a caminhar?", xeque Ali, dirigindo-se a Said.


Outro trecho de que gosto bastante! Fica bem clara a perturbação mental que se passa na cabeça de Said, e de como o xeque tenta trazê-lo de volta ao caminho do qual se desviou, sem muito sucesso. Said, por mais que soubesse, continuava a persistir em seus erros. 


Mais algumas abaixo, reflitam!


"Deus apresenta suas graças na forma que apenas a vontade d'Ele pode decidir", xeque Ali.


"Se é verdade que o homem pode ser pobre em Deus, também é verdade que pode ser rico n'Ele", xeque Ali. 


"Ele estava bastante sozinho, isolado de todo o resto das pessoas. Elas nem conheciam, não compreendiam a linguagem do silêncio e da solidão. Não entendiam que elas mesmas às vezes ficavam em silêncio e sozinhas, e que os espelhos que refletiam fracamente sua própria imagem de fato eram enganosos, fazendo com que imaginassem, falsamente, que enxergavam pessoas desconhecidas a si mesmas", narrador.



Bom, por enquanto já está de bom tamanho, em breve quem sabe colocarei mais umas. Recomendo imensamente que leiam "O Ladrão e os Cães"! 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fábulas de Esopo


Nos últimos meses, tenho lido muitas fábulas, do célebre e lendário Esopo, redescobrindo e me fascinando com a grandeza destas histórias, e de como elas permanecem atuais até os dias de jogo, tendo sido contadas há mais de dois mil anos!

Quem não conhece fábulas como A tartaruga e a lebre, O Lobo e o Cordeiro e A Cigarra e a Formiga?

Fiz uma breve pesquisa e descobri que a origem de Esopo é muito incerta. São muitas as cidades que se acredita ser a cidade natal do grego, e tudo o que se sabe sobre ele não está livre de dúvidas. O que realmente é fato é que ele foi escravo, que foi libertado por encantar seu último senhor com suas histórias, de caráter moral e fantasioso. Esopo nunca escreveu nenhuma das fábulas como as conhecemos hoje. Suas histórias faziam parte da tradição oral grega. Somente anos após sua morte, as histórias foram reunidas e escritas, tendo inclusive inspirado outros grandes fabulistas, como La Fontaine e Fedro.

Consta que Esopo era corcunda, mas a aparência estranha era suprimida pelo seu dom da palavra, ao contar suas histórias carregadas de ensinamentos e tiradas morais. Seus personagens – que também definem o gênero fábula – são geralmente animais, personificados, que falam, erram, demonstram bem as muitas saliências do caráter humano. Também são retratados homens, deuses e objetos inanimados, com os mesmos fundamentos. O fabulista grego nos mostra como o ser humano pode agir, seja para o bem, seja para o mal, e é realmente impressionante como suas fábulas se mantêm atuais até os dias de hoje, onde nos identificamos sempre com as situações contadas.

Toda essa história é muito curiosa e interessante, e por isso resolvi trazer um pouco de Esopo para o blog. A partir de hoje, vou postar algumas fábulas memoráveis, que sempre me orientam, me direcionam, me fazem perceber melhor as diretrizes desse mundo caótico onde vivemos.

Para começar, uma que todos devem conhecer:

OBS.: existem várias versões das fábulas de Esopo, La Fontaine foi um dos mais reconhecidos ao adaptar as histórias. A versão abaixo retirei do livro Esopo - Fábulas, da editora L&PM. Pode ser diferente de outras versões, mas é apenas na maneira de contar, haja vista que a ideia; a moral, permanecem mantidas.



A Cigarra e a Formiga




     Era inverno e as formigas botaram para secar os grãos que a chuva molhara. Uma cigarra faminta lhes pediu o que comer. Mas as formigas lhe disseram:
     – Por que tu também não armazenaste tua provisão durante o verão?
     – Não tive tempo – respondeu a cigarra –, no verão eu cantava.
     As formigas completaram:
     – Então agora dance.
     E caíram na risada.


Essa clássica fábula reforça a ideia da precaução, do pensar no futuro, no caso das formigas, e o oposto no caso da cigarra. A figura da formiga, conhecida pelo seu forte ímpeto pelo trabalho, mostra a importância de se fazer hoje, para colher amanhã. A cigarra, nesse caso, ilustra uma posição de alguém despreocupado, que não se importa com os dias que virão, e também até denota uma certa preguiça ante o trabalho. Tais valores nos fazem pensar de como é bom estar sempre previnido ante às situações que sabemos que podem ser complicadas ou difícieis.

Evidente que para a fábula ter essa moral, as formigas acabam tendo que transmitir um outro valor: o egoísmo, individualismo, ao recusarem-se a partilhar sua comida com a cigarra. Podemos ver então que a cigarra foi punida por seus próprios atos, que ela mesma causou sua desilusão, e isso justifica a ação das formigas, que agiram como talvez a cigarra também agisse, caso tivesse se precavido contra o inverno. É o comportamento humano, que tende mesmo ao individualismo, ao cada um por si.

Reflitam!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Curta - O Anão que Virou Gigante


Essa sensacional animação, do amigo Marão, foi uma das grandes produções nacionais do ano passado!

Assistam!




Acho esse curta brilhantemente executado, sob todos os aspectos, inclusive o enredo, que propõe um diálogo sobre preconceitos, pontos de vista e aceitação. Uma parábola através da qual enxergamos um olhar bastante peculiar sobre a questão da altura.

É o Marão na sua área mais forte, o velho e bom lápis sobre papel!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Doug Funnie, um clássico dos anos 90


Esse com certeza é um desenho animado que traz ótimas memórias a todos, que marcou a vida de muita gente, assim com a minha, nos saudosos anos 90! Sempre que penso em Doug, é inevitável relembrar os gloriosos dias da infância, onde tudo era simples, tudo era maravilhoso, e não havia qualquer preocupação; era apenas o ser criança.

A série nos apresenta o garoto de 11 anos Doug Funnie, que a cada episódio se vê diante das mais inusitadas situações e dilemas, tudo com uma grande carga imaginativa, e até exagerada, mas perfeitamente possível dentro do universo da série.

As questões que afligem Doug são, em geral, as mesmas que poderiam afligir um adolescente qualquer: aceitação dos amigos, comportamento, jeito de vestir-se, medos, entre tantos outros.

O grande destaque da série, na minha opinião, é a maneira como Doug encara os problemas, sempre viajando por loucas possibilidades (sua imaginação o faz assumir vários alter egos, como o super héroi Homem Codorna ou o agente secreto Smash Adams), até perceber que o problema em questão é mais simples do que parece. Com isso, Doug ainda transmite bons valores e lições ao público, em cima de tudo o que aprendeu com tais situações.

Um outro ponto interessante é o carisma dos personagens, a começar pelo próprio Doug, muito perceptivo e imaginativo, passando pelos seus pais, à sua temperamental irmã Judy e até o seu simpático cachorro Costelinha, que o acompanha em todas as suas aventuras, roubando a cena muitas vezes . Já na escola, um dos ambientes centrais da série, vemos personagens como Skeeter, o melhor amigo de Doug, Roger, o valentão da turma, que sempre dá um jeito de implicar com Doug, e Patti, garota pela qual Doug nutre uma paixão secreta. E há ainda muitos outros personagens marcantes, como o atrapalhado Sr. Dink, o severo e autoritário vice-diretor Lamar Bone, e o prefeito Robert White. Cada um deles tem uma personalidade que consegue cativar sem muita dificuldade, e tornar toda a turma bem próxima de quem se deixar assistir a alguns episódios. Outro detalhe peculiar é que cada personagem é de uma cor diferente! Como assim? Skeeter é azul, Roger é verde... só o próprio Doug tem uma pele mais "normal", digamos assim. Se isso incomoda? De maneira nenhuma, faz parte apenas da estética do desenho, e não deixa de ser bem incomum e diferente. E em pouco tempo já se está tão acostumado a isso, que sequer se nota mais.



Costumava assistir muito Doug quando tinha cerca de 9, 10 anos, quando passava na TV Cultura, no comecinho das noites. Que maravilha que era! Os episódios pareciam tão longos, tão mágicos, tão reais! (hoje vejo que têm uma média de 12 minutos) Era uma sensação única, naquele tempo, sentar-se em frente à TV para assistir Doug, uma sensação similar a ver outros sucessos daquele tempo, como O Fantástico Mundo de Bob e até mesmo Chaves. Séries que estimulam a imaginação, que nos fazem viajar, nos colocando em uma realidade similar, mas distorcida a uma compreensão mais simples e direta.

Esses dias tive uma grata surpresa ao ver novamente Doug passando na tela da TV Cultura! Nossa, foi como voltar vários anos no passado, regressar a um tempo onde não havia qualquer preocupação, senão saber como o episódio terminaria! Nos últimos dias, sempre que tenho tempo não deixo de rever as aventuras de Doug e sua turma, que tanto me cativaram na época da infância, e ainda têm grande significado para mim. Claro que a magia e deslumbre das histórias não têm mais o mesmo sabor daquele tempo, mas pelo menos constituem um bom choque com o que se vê de desenhos animados hoje em dia. É sem dúvida mais um exemplo de uma grande produção, muito mais interessante e chamativa do que as atuais. Não dá para comparar.



Quem lembra de Doug, e assistia também a série, sabe muito bem do que estou falando. Poucos desenhos têm esse poder fascinador, que consegue se identificar com os que o assistem. Que marcam um momento bom da vida, que servem como referência até. Enfim, que passamos a sentir que quase fazemos parte daquilo.

Ah, só pra comentar um pouco a técnica de animação, Doug faz uso da técnica clássica, 2D, desenhada tradicionalmente, e tem uma ótima suavidade nos movimentos e transições. Os cenários também são muito bem representados e a fotografia de alguns episódios surpreende bastante. Muitas mudanças acontecem nos traços dos personagens, porém, comparando os primeiros aos últimos episódios, mostrando como o traço da equipe evoluiu com o tempo. O desenho teve uma temporada pela Nickelodeon, depois pela Disney, e até um longa foi lançado, mas pra mim os melhores episódios estão na temporada da Nick!

Aos que não conhecem, provavelmente talvez não vejam muita graça. Hoje os tempos são outros, os gostos estãos muito dissipados, não há mais uma boa produção de desenhos animados, e poucas pessoas realmente se importam com isso.

Em todo caso, segue abaixo um episódio. A imagem não é das melhores, mas dá para relembrar:





Ah! Na TV Cultura, Doug é exibido de segunda a sexta, às 12:30 e 17:15.

Hum, eu falei de O Fantástico Mundo de Bob, não foi? Não seria bom se o SBT voltasse a passá-lo? Era outro de meus desenhos favoritos...

E vejam ainda nesta postagem outros desenhos clássicos dos anos 80/90.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Círculo - Trailer antigo


Em fase de finalização do curta Círculo, vou mostrar agora um trailer inicial da animação, feito em setembro do ano passado, para a então possível data de conclusão: dezembro de 2009.

Segue o trailer:





Para este trailer, Diego, meu irmão, usou vários pequenos trechos que já estavam prontos à época. Ele ainda aproveitou, com este trailer, para ter uma ideia de como seria o estilo da edição final do filme.

É interessante ver como podemos notar várias similaridades a Linhas e Espirais (2009), como as transições fluentes e constantes e o ritmo cadenciado. Nessa época, a premissa do curta ainda era bastante incerta, mas a fotografia – composta pelo vermelho e preto – já se fazia notar.

Um ano depois, Diego está às voltas com a conclusão do projeto, e eu também irei ajudá-lo intensamente – inclusive já estou trabalhando em alguns conceitos das cenas que animarei! Várias mudanças ocorreram entre a época desse trailer aos dias de hoje, mas ele ainda é uma ótima referência ao futuro curta, que respira essa mesma atmosfera, e que inclusive ainda terá diversas das cenas mostradas.

Veja mais sobre os novos caminhos do curta nesta postagem.

Mais novidades sobre o Círculo em breve, aqui no Diálogos, no blog de Diego Akel e no blog oficial do curta.

sábado, 11 de setembro de 2010

MUMIA 2010


Gente, começou nessa última quinta-feira a oitava edição do MUMIA – Mostra Udigrudi Mundial de Animação –, consagrado evento dedicado à animação, que ocorre em Belo Horizonte.

Meu irmão, Diego Akel, foi convidado para fazer parte do júri internacional da mostra, e já está em Minas, para acompanhar e participar deste grande momento da animação brasileira. O MUMIA 8 terá uma programação bem variada, com exibições de curtas nacionais e internacionais, sessões especiais com a presença de realizadores, mostras dedicadas a grandes animadores estrangeiros, entre outras, abrangendo um total de mais de 160 filmes.

Desde 2006, Diego participa do festival, enviando seus curtas, e dessa vez não será diferente: Maria da Glória, um de seus últimos curtas, em sua versão original, fará parte da mostra nacional do festival. O diferencial é que agora ele poderá estar lá para acompanhar diretamente toda a intensidade deste grande evento. Veja o blog oficial do MUMIA aqui (nacional) e aqui (internacional).

Uma pena foi eu não ter podido ir! Devido à nossa recente ida ao Anima Mundi, no Rio, não teríamos como arcar com os gastos de uma outra viagem tão próxima. Felizmente, Diego foi convidado, e não poderia deixar de prestigiar este momento, tão inédito e honroso para ele. Só lamento não poder fazer postagens completas, na íntegra do evento, como fiz as do Anima Mundi 2010 e as da Bienal do Livro CE 2010, mas tudo bem, haverão outras oportunidades.

Mas Diego, lá de Minas, irá – na medida do possível –, postar em seu blog os acontecimentos do festival, sob seu ponto de vista, com suas impressões das exibições e mostras, durante os dias que passará por lá. Bom, já que não pude ir, o melhor que posso fazer é acompanhar! Vamos lá:


Ah, e quem for de Belo Horizonte e puder ir, não deixe de conferir o MUMIA!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Em produção: Círculo



Esta postagem já estava prevista há tempos. Na verdade, já tinha um esboço pronto há exatamente 1 ano atrás, pela data que consta aqui no rascunho do blog, mas por uma série de contratempos, acabei ainda não podendo finalizá-la. Como o projeto está enfim em fase de conclusão, vamos lá!

Círculo é um dos projetos atuais de meu irmão, Diego Akel. Um curta animado que teve seus primeiros conceitos e idealizações iniciados lá em 2006; apenas rascunhos, sem um direcionamento preciso, mas Diego já tinha percebido que tinha um bom material nas mãos.

Em 2007, ele inscreveu o projeto – já bem mais definido – em um edital de incentivo à produção audiovisual (realizado pela prefeitura aqui de Fortaleza). O curta Círculo foi então contemplado, e a partir daí a produção, oficializada, iniciou-se de verdade. Com bastante trabalho empregado nos últimos anos, e após várias datas adiadas, o curta está finalmente em fase de conclusão, e deve estar terminado até o final do ano.

Mas o que é exatamente o Círculo?




Tenho acompanhado um pouco do processo de criação deste projeto desde seu início, e acho que ele pode ser considerado um trabalho bem diferente dos anteriores feitos por meu irmão. Apesar de termos iniciados as produções animadas com O Facínora (2006), que seguia um roteiro escrito e adaptado por mim, como falei nesta postagem, Diego passou a adotar uma linha intensamente experimental em seus projetos futuros, com filmes sem um roteiro claro, mas focados em um desenvolvimento mais livre, mais solto, com ênfase nas imagens e visuais, chegando ao ápice com Linhas e Espirais, um curta bastante intenso e dinâmico.

Com Círculo, Diego volta a utilizar um roteiro pré-definido, criado por ele, que lhe dá uma base geral sobre a qual trabalhar, mas sem limitar as possibilidades e os variados caminhos que podem surgir durante a produção. O curta falará sobre o ciclo de vida, de maneira bastante peculiar, através de toda a simbologia por trás da figura de um círculo. Mesmo tendo uma história a ser contada, Diego seguirá seus padrões atuais, usando e abusando de transições e transformações para contar as diferentes etapas da vida.




Desde o início de sua produção, ao longos desses quase 3 anos, Círculo passou por severas modificações em sua estrutura, até Diego conseguir definir exatamente que direção o filme iria seguir. Atualmente, ele está cuidando da trilha sonora, que será inteiramente original, através da participação de um músico amigo seu. Quanto a mim, estou sempre sugerindo ideias e comentando as cenas e conceitos já prontos (como fiz em todos os curtas anteriores!). Além disso, também farei algumas cenas para o segundo momento da animação: a infância. Já estou fazendo alguns esboços e estudos para poder fazer este trabalho!



O filme tem como outro de seus temas centrais a relação do homem consigo mesmo, e como uma existência pode representar toda a humanidade. Um conceito que pode gerar as mais variadas reflexões. Essa é apenas uma pequena menção, pois mesmo tendo acompanhado parte do processo, não mergulhei nele tão intensamente quanto Diego (ainda não, mas logo mais terei de fazê-lo), tanto que só agora estou entendendo melhor o caminho que o filme está seguindo. Ademais, é melhor que o próprio Diego explique todos os passos de mais este projeto. Abaixo, o link para o blog Em volta do Círculo, inteiramente dedicado a postagens relativas à produção do curta-metragem, vale uma visita com bastante calma!


Nos próximos dias, à medida que tiver alguns desenhos prontos, postarei aqui!


terça-feira, 31 de agosto de 2010

1 ano de Diálogos Visuais - Antigas postagens


No último dia do mês onde o Diálogos completou 1 ano no ar, resolvi fazer mais esta postagem, resgatando algumas antigas postagens, que acho que merecem ser revistas, ou vistas, caso ainda não tenham sido ;)

Como se sabe, um blog é geralmente uma ferramenta sempre muito rápida, ágil, onde a postagem atual é sempre o destaque, quase como uma capa, e as mais antigas vão descendo, descendo, até ficarem "escondidas", às vezes bem inacessíveis, principalmente aos visitantes que chegaram ali por acaso (e podem acabar não vendo algo que poderia interessá-los diretamente) ou aos que fizeram apenas uma visita rápida. Tudo bem que para isso existem os marcadores, mas muitas vezes eles não refletem bem o direcionamento da postagem em si, e muita gente pode acabar não vendo um lado diferente do blog em si. Isso não se aplica só aqui, no Diálogos Visuais, mas qualquer blog que tiver atualização de alguma forma periódica.

Por estas razões, resolvi trazer à tona, novamente em destaque, algumas postagens antigas que acho que merecem uma atenção extra. Vamos a elas (basta clicar nos links):

- Por trás de Golpe Postal (I), (II) e (III) - (postado em 12 e 13 de agosto de 2009):
Em 3 postagens, veja como foi o processo de criação do curta animado Golpe Postal, feito por mim e meu irmão. Imagens dos bastidores, e detalhes de como surgiu a ideia para a produção. (postado em

- Seminário Internacional de Cinema de Animação - (postado em 14 de agosto de 2009):
Evento que aconteceu aqui em Fortaleza em agosto do ano passado. Debates e exibições fizeram parte da programação. Reuniu grandes nomes do mundo da animação!

- Em produção: Polígonos - (postado em 20 de agosto de 2009):
Comentários iniciais sobre o curta animado que estou produzindo. Por conta de várias atribulações, não tenho previsão para terminá-lo; pode ser no final de 2010 ou somente em 2011!

- Referência: Tatu Pohjavirta - (postado em 27 de agosto de 2009):
Um pouco sobre este talentoso animador, com alguns de seus curtas para baixar. Vale a pena assistir!

- Xadrez animado - (postado em 30 de setembro de 2009):
Um curta animado envolvendo uma célebre partida de xadrez. Muito bem conduzido e estruturado. Veja também a partida na íntegra.

- Flipnote Studio - (postado em 14 de janeiro de 2010):
Conheça esse aplicativo bem bacana do Nintendo DSi, que possibilita fazer pequenas animações, que lembram flipbooks. Ainda vou postar aqui alguns que fiz!

- 16º Vitória Cine Vídeo - (postado em 15 de janeiro de 2010):
Nossas experiências nesta edição deste grande festival, onde Diego concorreria com Linhas e Espirais.

- Um pouco de origami - (postado em 18 de janeiro de 2010):
Para relaxar do caos do dia-a-dia, uma atividade simples dentro de sua complexidade. Dica de um ótimo site com dobraduras para iniciantes que estão começando nesta arte milenar.

- Mario Paint Composer - (postado em 18 de janeiro de 2010):
Esse divertido aplicativo começou lá no Super Nintendo. Hoje, já pode ser baixado para qualquer computador. Crie músicas à vontade. E ainda: praticamente qualquer música pode ser adaptada a esse divertido programa. Na postagem, vídeos de exemplos!

- Clássicos da Atari - (postado em 29 de janeiro de 2010):
A Atari disponibilizou em seu site alguns de seus jogos clássicos da época do Atari 2600, adaptados para computadores e gratuitos! Veja os títulos e mate as saudades de tempos gloriosos!

- De volta aos anos 80 - (postado em 22 de fevereiro de 2010):
Um vídeo com alguns desenhos animados que fizeram época, e a constatação de que hoje em dia não existe mais nada igual.

- Geração Videogame - (postado em 25 de fevereiro de 2010):
Breve comentário sobre a evolução dos videogames, de seus primórdios aos tempos atuais. Veja ainda fotos e detalhes de mais de 140 consoles!

- Maratona Animada - O Mundo Animado - (postado em 26 de fevereiro de 2010):
Considerações sobre esse ótimo evento ocorrido em Juazeiro do Norte - CE. Oficinas, exibições e exposições. Detalhes, fotos e um vídeo especial com uma síntese da maratona. Saiba ainda um pouco mais sobre os seguintes brinquedos ópticos: zootrópio e taumatrópio.

- Palavras de Moacyr Scliar - (postado em 1º de março de 2010):
Uma de minhas maiores referências literárias, sem dúvida. Saiba um pouco mais sobre este grande escritor brasileiro e veja uma se suas estrevistas, que para mim é quase como uma aula!

- O mundo mágico de Art Clokey (I), (II), (III)- (postado em 5, 9 e 15 de março de 2010):
Clokey foi um dos pioneiros do stop-motion, técnica de animação tão comum hoje em dia. Em 3 postagens, um pouco sobre seus primeiros trabalhos, até a criação de Gumby, seu personagem mais famoso. Fotos e vídeos.

- Fantástico curta em stop-motion - (postado em 7 de março de 2010):
Mais uma ótima referência! Este curta impressiona por todo o processo de sua criação. Assista também ao making of.

- Dica de leitura: Alice no País das Maravilhas - (postado em 22 de março de 2010):
Um dos livros mais fascinantes que li ultimamente! Alguns motivos porque todos deveriam também se deixar levar por esta leitura tão cativante.


- TIKITIKLIP - El soldado Trifaldon / La Señorita Aseñorada - (postado em 18 e 29 de março de 2010):
Dois belíssimos curtas animados, com trilhas sonoras cativantes e enredos comoventes. Detalhes sobre eles, além dos curtas em si.

- Dialogando: o fim do livro? - (postado em 6 de abril de 2010):
Discussão sobre essa moda de dizer que o livro vai acabar, com a chegada do livro digital. É claro que isso é bem improvável de acontecer. O texto expõe fatores e evidências, e podem ter certeza: o livro não vai acabar!

- ABC? Não! É o ABZ do Ziraldo! - (postado em 10 de abril de 2010):
A televisão brasileira precisa de mais programas como esse, que valorizem a cultura, sobretudo a cultura brasileira! Na postagem, detalhes das atrações do programa. As entrevistas então, para mim, são o seu auge! Espero que façam uma nova temporada! Será?

- Bienal do Livro 2010: minhas impressões (I - Introdução), (II - Emir Sader/Cordel), (III - Ziraldo), (IV - Moacir C. Lopes), (V - Pedro Bandeira), (VI - Maurício de Sousa), (VII - Marina Colasanti), (VIII - Conclusão) - (postado em 19, 20, 22, 26 de abril de 2010/ 1º, 8, 19 e 31 de maio de 2010):
Nossa, essa série foi um dos momentos mais altos deste blog, sem dúvida! A vivência intensa na época da bienal aqui de Fortaleza me motivou a escrever sobre ela, com fatos, observações, impressões e opiniões, com praticamente tudo o que vi e vivi por lá (incluindo quase todas as palestras, com nomes como Ziraldo e Pedro Bandeira). O resultado foram 8 postagens, dezenas de fotos, vídeos e toneladas de letras; os maiores textos que já escrevi para cá. Quem tiver paciência, dê uma olhada!

- Há quatro anos... - (postado em 10 de junho de 2010):
O curta O Facínora, o primeiro que fiz em parceria com meu irmão Diego, completou 4 anos em junho. Uma breve retrospectiva de como surgiu a ideia, passando pela execução, até a finalização da animação. Na postagem, o curta em si. Vejam!

- Dica de leitura: O Ladrão e os Cães - (postado em 6 de julho de 2010):
Um romance egípcio bastante intenso, com ares de história policial e alta carga psicológica, além de numerosos ensinamentos morais. Veja mais algumas razões para lê-lo!

- Especial Cordell Barker - (postado em 10 de agosto de 2010):
Os brilhantes curtas do grande animador canadense, e alguns dos que o inspiraram a trabalhar na área. Todos os curtas desta postagem faziam parte de uma das programações do Anima Mundi 2010.

E, para finalizar, a recente série de 6 postagens dedicadas às nossas experiências pelo Anima Mundi 2010, no Rio de Janeiro. Seguem os links!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Anima Mundi 2010 (VI - Exibições)

- A enorme projeção da Praça Animada, palco onde eram exibidos diariamente as várias sessões animadas. A pequena tarja abaixo da tela era onde apareciam as legendas, transmitidas na hora por alguém da produção, que ficava sentado com um notebook em uma das cadeiras da frente.

Nessa, que será a última postagem da série Anima Mundi, o foco são as animações que foram exibidas, ou melhor, as que conseguimos assistir. Essa é a maior postagem da série!

Quando estávamos na correria do festival, sabíamos que eram muitos os curtas que estavam sendo exibidos, em dezenas de sessões diárias, mas não tínhamos uma ideia de mais ou menos quantos trabalhos faziam parte do Anima Mundi deste ano. Nos últimos dias, porém, fiz uma breve pesquisa em alguns sites e soube que o festival exibiria mais de 450 curtas; destes mais de 100 eram de origem brasileira. Um recorde, um fato memorável, como nunca se viu na história do evento.

Ainda fiz algumas fotos durante as exibições (o pessoal da produção disse depois não ser permitido tirar fotos, ora, mas quase tudo que era exibido ali já estava na internet há tempos...) e para evitar confusões, guardei a câmera permanentemente. Abaixo, o que ainda consegui registrar, momentos específicos de alguns curtas, que refletem bem a personalidade de cada um:
























Desse enorme montante, é óbvio que era praticamente impossível assistir a todos, e agora, folheando aqui o catálogo do festival (que pode ser visto aqui), vejo vários trabalhos que não chegamos a assistir, e que parecem espetaculares. Mas para sintetizar, vou mostrar aqui apenas alguns dos que vimos. A seguir, uma "pequena" degustação, com 20 curtas, de sessões misturadas do Anima Mundi. Todos usam técnicas bem variadas, e são uma amostra de como estavam as produções neste ano. Destaque pessoal para os seguintes: Abuela Grillo, Pigeon: Impossible, Der Praezise Peter, mas recomendo assistirem a todos!


Rise Above Plastics (30s) - Aaron Sorenson; Jeremy Boland - EUA/2009


Videogioco a loop experiment (1m 40s) - Donato Sansone - Itália, 2009


Le Noeud Cravate (12m 23s) - Jean-François Lévesque - Canadá/2008



La Dama y la Muerte (8m) - Javier Recio Gracia - Espanha/2009




Pigeon: Impossible (6m 12s) - Lucas Martell - EUA/2009




Zeitwellen (2m 22s) - Evgenia Gostrer - Alemanha/2009




Der Praezise Peter (5m 35s) - Martin Schmidt - Alemanha/2010





The Lighthouse Keeper (3m 15s) - David François, Rony Hotin, Jeremie Moreau, Baptiste Rogron. Gaëlle Thierry, Maïlys Vallade - França/2009




Pust' igraet/Let Him Play (2m 59s) - Yulia Mikushina - Rússia, 2009


After the Rain (4m) - François Vogel - França, 2008



Dame otro Papel (5m45s) - Home de Caramel - Espanha, 2008




Dodudindon (0m 48s) - Lucrèce Andreae, Julien Chheng, Tracy Nowocien, Rémy Schaepman - França, 2009




The Green Effect 'Butterflies' (1m 06s) - Isaac King - Canadá, 2009




Xixi no Banho (0m 45s) - Fernand Sanches - Brasil, 2009




Abuela Grillo (12m42s) - Denis Chapon - Dinamarca, 2010



Conectados (2m 12s) - David Hoffmann - Brasil, 2010



Le Loup Blanc (8m 30s) - Pierre-Luc Granjon - França, 2006


Love & Theft (7m) - Andreas Hykade - Alemanha, 2009


Operatatatata (5m 15s) - Antoine Rota - França, 2009


Un Tour de Manege (3m 32s) - Nicolas Athane, Brice Chevillard, Alexis Liddell, Françoise Losito, Mai Nguyen - França, 2009




Destaco ainda o filme de nosso amigo Marão, Eu queria ser um monstro, que foi premiado em duas categorias. Abaixo, o trailer:


É um filme bacana, o primeiro em stop-motion do Marão, que conta uma história sobre o cotidiano de uma criança com bronquite que quer ser um monstro. Há várias pontas com os já consagrados desenhos à mão de Marão, que dão um brilho especial ao filme. Mas, acho que seu filme anterior, O Anão que virou Gigante, ainda conseguia ter um peso maior, mais completo. Algumas coisinhas em Eu queria ser um monstro soam um pouco estranhas, e ao final fica-se evidente que o filme é mais uma homenagem, uma declaração, feita ao próprio pai do Marão, e que pode se estender à visão de todos que o assistirem, fazendo-nos ver que tudo é mais simples do que imaginamos, e que são as pequenas coisas, os pequenos gestos, que fazem uma vida feliz.

Para finalizar, vou falar um pouco também sobre os longas-metragens que foram exibidos esse ano. Foram três, mas só pudemos assistir a dois:


Mary And Max (1h 32m) - Adam Elliot - Austrália, 2009




Não sabia muito o que esperar desse filme, mas a julgar pelo pôster, seria algo bem interessante. E devo dizer que após mais de uma hora e meia sentado, tinha acabado de assistir a uma das melhores produções animadas dos últimos tempos.

O filme é bastante denso, com uma história muito bem conduzida, que consegue cativar rapidamente. A carga dramática é tanta que em certos momentos até se esquece de que é uma animação. Isso é algo muito interessante, pois transpõe essa tendência de que todo longo animado tem de ser bonitinho, engraçadinho, senão não é bem visto. Mary and max quebra esses conceitos, com uma fotografia bastante desaturada e personagens nada convencionais. Não se sabe ao certo aonde o filme vai nos levar, no seu decorrer, e são muitas as surpresas e reviravoltas ao longo da trama, de modo que se fica quase hipnotizado para saber o seu final.

Já conhecia alguns trabalhos de Adam Elliot, diretor do filme, e as similaridades são bem visíveis, claro, mas talvez aqui ele tenha atingido seu ápice. O filme traz também profundas reflexões acerca de conceitos bem singelos, como a amizade verdadeira, e pode mexer facilmente com nossas emoções. Para ver e rever, sem qualquer dúvida!


Boogie el Aceitoso (1h 22m) - Gustavo Cova - Argentina, 2009



Após a ótima experiência que foi Mary and Max, estava esperando mais uma grande surpresa. Passados os 15 primeiros minutos de Boogie, de fato tive uma surpresa, mas não como imaginava.

Violência. Violência, e mais um pouco de violência. Isso resume o que esperar deste filme. O longa foi baseado em uma HQ de mesmo nome, o que deve explicar o exagero de sangue que é visto na tela, porque não há mais justificativa. Os personagens matam por qualquer razão, e de maneira totalmente exagerada.

A animação usa várias técnicas, mas não surpreende, e tenta passar um ar cômico, que acaba saturando e irritando em certos momentos. Muitas cenas fazem referências a vários filmes famosos, o que faz o filme perder um pouco de sua identidade, além de tornar a história bem fraca e altamente previsível. Também há dezenas de piadinhas, para enaltecer o caráter machão de Boogie, protagonista e "anti-herói" da história, que arrancavam gargalhadas ocasionais do público. Mas o pior mesmo, como disse no início, é a violência gratuita. Tudo bem, estamos falando de uma animação, tudo são cores, claro, mas há limites e bom senso para tudo. Algumas cenas conseguem realmente incomodar, e o choque geral causado pelo filme foi tanto que quando terminou ninguém aplaudiu. Foi a única vez que não vi aplausos na praça animada.

Enfim, o diretor deve ter tido lá suas razões para fazer Boogie desse modo, com certeza voltado inteiramente para a natureza do personagem criado pelo cartunista Roberto Fontanarrosa. E com certeza deve haver muitos que o idolatram, é claro, mas definitivamente não é um filme para qualquer um. É um filme polêmico, que divide opiniões. Acredito ser mais um caso ame-o ou deixe-o. Hum... será? Acho um pouco improvável alguém amar um filme como esse... mas, claro, há gosto para tudo ;)


Bom, e aqui encerro esta postagem, e também o fim desta série sobre o Anima Mundi 2010. Ao longo destas 6 postagens, mostrei um pouco de como foi nossa passada (minha e de meu irmão Diego) pelo Rio de Janeiro, para o festival, com algumas das principais atividades que aconteceram por lá, as surpresas, emoções e vivências que tivemos desta experiência (foi nosso primeiro Anima Mundi) tão engrandecedora. Espero que tenham gostado e, quem não tiver podido ir, se sentido mais perto da magia do Anima Mundi! :)

Abaixo, links para as demais postagem da série:


Mais curtas que foram exibidos no Anima Mundi 2010 podem ser vistos na postagem V - Galeria Animada e no Especial Cordell Barker.