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"O coração que se ganha é o que se dá em troca"Marcelino Freire



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Bienal do Livro 2010: minhas impressões (V- Pedro Bandeira)

Antes de mais nada, essa é mais uma postagem bem extensa, a maior do Blog, e foi talvez a mais trabalhosa que já fiz até agora, então peço que tenham paciência! Outro detalhe: a data da postagem está como 28 de Abril, mas na verdade esse foi o dia que comecei a inserir as fotos. O texto só foi finalizado e postado na madrugada de 1º de Maio, tendo sido iniciado em 27 de Abril ;)

Terminei a postagem anterior dizendo que falaria agora sobre as duas palestras concedidas pelo escritor Pedro Bandeira na Bienal Internacional do Livro do Ceará 2010. Isso mesmo, duas. Na verdade, a primeira foi mais um momento, uma conversa, do que uma palestra propriamente dita, mas para mim ambas foram de imenso aproveitamento.

O dia de Pedro Bandeira na Bienal seria no sábado, dia 17 de abril. O primeiro horário seria das 15:00 às 16:00. Em seguida, das 16:30 às 18:00, Pedro Bandeira faria sua segunda aparição, para o maior público que já vi nesta Bienal, até então.

Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido do país. Sempre fui um grande admirador de sua obra, desde os tempos de escola, onde fui apresentado ao grupo Os Karas, através de ótimos livros, como A droga da obediência e A droga do amor, obras que despertam facilmente para o fascinante mundo da leitura. De uns tempos para cá, acabei enveredando por outros autores, outras obras, mas sempre olho com carinho para os livros dele que tenho aqui na minha estante, esperando apenas uma chance para relê-los .

Como já falei em postagens anteriores, comecei a me reaproximar mais de Pedro Bandeira através de uma entrevista dada por ele a Ziraldo, no programa ABZ do Ziraldo. Na ocasião, Pedro falou principalmente sobre o livro O fantástico mistério de Feiurinha, seu livro mais vendido até hoje, contando um pouco sobre o enredo e premissa do livro. Ouvir as palavras animadas e eufóricas dele, enquanto falava da história, me deixou bastante curioso para ler o livro, que até o momento não tinha tido a oportunidade.

Aliás, um dia antes das palestras, na noite de sexta-feria, fiz esse favor a mim mesmo, e comecei a ler o livro (uma antiga edição, que havia sido um paradidático usado por meu irmão, na época do colégio). Imaginei que certamente grande parte do assunto das palestras giraria em torno da Feiurinha, também pela sua recente adaptação para o cinema - em um filme da Xuxa - por isso quis estar um pouco mais ciente da história antes da palestra. Nessa madrugada li quase a metade do livro, suficiente para de fato começar a sentir a força que tem a narrativa. Falarei mais sobre ele numa postagem futura.

Voltando ao assunto principal, cheguei ao Centro de Convenções mais ou menos às 14:15 do sábado. Sabia que certamente o movimento seria maior que qualquer outra palestra, por duas razões: a presença de Pedro Bandeira e em pleno final de semana, (os dias finais da Bienal). Logo à entrada, já percebi uma movimentação totalmente diferente dos dias anteriores. Vi dezenas de pessoas transitando com camisas verde-escuras; uma espécie de farda de algum projeto do governo, como dizia o emblema nas costas de cada uma. Esses novos visitantes tornaram o acesso aos pavilhões mais difícil do que nunca, e fui constantemente bloqueado por essa massa verde que
ocupava boa parte da passagem. Imaginei que decerto iam participar de alguma programação. E de fato foram. Só não imaginei que seria a programação.

A Conversa com Pedro Bandeira, primeira aparição do escritor nesta Bienal, aconteceria em um espaço que eu ainda não tinha visitado, a arena infantil O Menino Mágico, localizada no piso superior a um dos pavilhões centrais. Lá, pelo que eu já havia lido, era onde eram realizadas as oficinas voltadas às crianças, com atividades como produção de texto, origami, fantoches etc.

Imaginei que por ser no espaço infantil, não haveria muita gente, que certamente lotaria apenas a palestra oficialmente dita, por isso visitei alguns estandes do bloco abaixo da arena infantil, que já conhecia tão bem, para comprar alguns livros de última hora, pois o dia seguinte, domingo, seria o último dia da Bienal. Acabei me distraindo mais do que deveria, e também a confusão para andar nos estandes era tanta que acabei só me dirigindo à arena lá pelas 14:40.

Saindo por um caminho que até então eu só vira de longe, cheguei a uma enorme rampa, que serpenteava toda uma nova área, onde estava montado, ao ar livre, um estande do jornal Diário do Nordeste. Subi por ela com certa pressa. Lá em cima, uma nova entrada, que conduzia a um grande espaço, onde havia vários nichos, local das atividades ali realizadas. No centro, quase uma réplica da arena Memorial de Maria Moura, a não ser pela ausência das cadeiras.


Duas arquibancadas, almofadões espalhados pelo chão, e mini palco. E o balcão que vendia livros do escritor convidado? ficou de fora? Não! Lá estava ele, em uma lateral de uma arquibancada. Me aproximei, conhecendo o ambiente. O movimento de pessoas já era enorme, e as arquibancadas começaram a se encher rapidamente, uma vez que os almofadões já estavam ocupados. Tomei lugar logo em um canto, no alto de uma das arquibancadas, onde ainda estava tranquilo. De lá, teria uma boa visão panorâmica do lugar, que ajudaria no registro em vídeo que eu viria a fazer.

Uma vez sentado, fiz algumas fotos e contemplei o ambiente, que mergulhava num vozerio contínuo de dezenas de pessoas juntas. No mini palco, a mesa exibia vários livros dispostos em pé, e ao lado dela havia um cartaz com uma foto de Pedro bandeira. Do meu ponto de vista, podia ver o balcão que vendia os livros, que estava bem embaixo de mim. Àquela hora, muita gente já se aglomerava à sua volta, disposta a comprar o melhor de Pedro Bandeira.






Então, após alguns minutos, e feitas as apresentações de praxe da Bienal, Pedro Bandeira foi chamado. Quando o escritor se fez presente, aplausos calorosos explodiram de todas as direções, a vibração foi intensa. Em seguida, se sentou à mesa. Ele pode até ter se sentado à mesa, mas não passou nem um minuto sequer nela, levantando-se rapidamente, dizendo que não gosta nem um pouco de ficar sentando muito tempo.



Pedro Bandeira iniciou falando do quão considerava a Bienal do Ceará, da sua importância no cenário literário nacional, e do quanto a admirava. Comentou de sua satisfação de estar presente em mais uma edição, falou ainda que daria autógrafos (só para quem tem livro!) e logo em seguida já pegou um segundo microfone, pedindo a uma receptiva que iniciasse a sessão de perguntas. Percebi então que este primeiro encontro seria mais breve do que imaginei.

Começaram então as perguntas. Algumas crianças perguntaram sobre Feiurinha, como eu suspeitava, e outras sobre a série Os Karas - e tudo rendeu rápidas e precisas respostas de Pedro Bandeira. Esses dois temas acabaram sendo os maiores destaques, como não poderia deixar de ser. Em certo momento, porém, veio uma pergunta, aliás, uma pequena curiosidade, de um senhor lá no meio de uma massa de pessoas. Ele disse também ser da família Bandeira, e começou a falar um pouco sobre a origem desta família, questionando o escritor a respeito desta resposta. Parece que Pedro Bandeira achou, sem uma razão muito aparente, que o senhor o estava confundido com um outro Pedro Bandeira, que é poeta e cordelista aqui no Ceará, e de certa forma ignorou um pouco as palavras do senhor, que não se deixou intimidar e continuou, contando a todos os presentes, inclusive o próprio Pedro Bandeira, a origem de sua família. Após falar por alguns minutos, e contar de maneira breve esta curiosa história, o senhor foi bem aplaudido, mas não obteve mais nenhum comentário de Pedro Bandeira, que após os aplausos já procurava com a mão a próxima pessoa a perguntar. Não achei uma atitude muito polida de sua parte, sem dúvida. Ora, o senhor foi tão educado, tão claro, mas em alguns momentos Bandeira parecia estar ouvindo suas palavras sem muita atenção. Mesmo que ele o estivesse confundido, não era afinal o mesmo sobrenome? que diferença faz se ele conheceu um Bandeira aqui do Ceará, ou um de São Paulo? a origem do nome é a mesma. Não sei se estou sendo muito critíco, mas acho que Pedro Bandeira deveria ter comentado algo acerca de tudo o que o senhor falou, até por educação, e agradecê-lo, pois não é qualquer um que levantaria uma questão dessas e passaria quase dois minutos falando ao microfone diante de dezenas de pessoas.

Agora aos vídeos, trechos do que foi a conversa, com boa parte do que eu falei acima:


Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 1 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 2 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 3 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 4 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 5 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 1; trecho 6 - Abril 2010




Com meia hora para o final da conversa, findadas as perguntas, iniciou-se a distribuição de autógrafos, e de maneira bem similar a como foi com Ziraldo, em poucos segundos se formou uma gigantesca fila. Desta vez, porém, não havia distinção de fila para crianças ou adultos. Todos se aglomeraram no meio da arena, enquanto Pedro Bandeira enfim sentou-se à mesa, pondo os óculos e começando a atender os fãs, que levavam seus livros e suas emoções para junto do escritor.

Eu tinha levado meus exemplares de A droga da obediência e O Fantástico mistério de Feiurinha. O segundo acabou vindo meio de gaiato, pois eu estava lendo na época, mas caso conseguisse o autógrafo, tinha de ser no primeiro, que significava bem mais para mim. Mas, hoje em dia, já tendo lido Feiurinha, poderia facilmente ter querido o autógrafo nele, pois é mesmo um livro fantástico.

Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará; formação da fila para autógrafo:




O fato é que não corri para tentar encontrar o fim da fila, pois na hora que uns estavam lá, lutando para que Pedro bandeira assinasse seu nome em seus livros, e outros tantos ainda compravam os livros a serem autografados (o balcão a essa hora fervilhava), eu começava a refletir um pouco sobre o significado de tudo aquilo.

Olhei para o balcão, para as pessoas que comercializavam os livros. Uns ávidos para vender, outros para comprar. Caixas e mais caixas da editora moderna jaziam ao chão. Comecei a pensar que a maioria daqueles livros tinha sido escrito há algum tempo, e que a procura por eles continuava intensa. Mas, seria mesmo? Ou seria apenas por causa da presença do autor? Será que todos que compravam aqueles livros realmente iriam lê-los? ou seria só pelo autógrafo? Não sei, mas o fato é que os livros ali estavam bem caros, a um preço bem acima da média até de uma livraria. Aliás, acho que o valor mais alto se deve à nova "roupagem" que foram aplicadas às novas edições dos livros.



Enquanto via as muitas mãos pegando livros, entregando cédulas, passando cartões de crédito, comecei a pensar também como é interessante essa parte do trabalho do escritor: criar histórias, mundos, universos, que dialogam com os leitores, que deixam de ser meras ideias para se tornar algo sólido, algo verossímil. Quando textos se tornam vivos e passam e ser comercializados como qualquer outra coisa, às vezes por pequenas fortunas. E, como qualquer obra de arte, trazem consigo um pouco da vida de seu autor. Essas reflexões me fizeram entender aquele momento de uma maneira mais profunda, que talvez tivesse passado batido pelos que só estavam interessados em comprar livros e tê-los autografados.

Não que eu não quisesse o autógrafo, claro, tinha até levado os livros, mas eu queria mesmo era poder conversar com Pedro Bandeira com uma certa calma, sem essa coisa de "autógrafo, aperto de mão, e venha o próximo!", da mesma forma que gostaria que tivesse sido com Ziraldo. Como sabia que por enquanto isso estava bem fora de questão, não me animei muito para ir ao final da fila, que era só agitação, enquanto o escritor seguia autografando livro após livro. Pensei que, como haveria uma segunda palestra, talvez fosse mais fácil de se conseguir o autógrafo, pois grande parte deste público provavelmente não a assistiria.

Então desci da arquibancada e fui dar uma olhada no espaço onde seus livros estavam sendo vendidos. Tive um certo espanto ao ver as novas edições dos livros da série Os Karas, nitidamente mais grossos e robustos que as edições anteriores. O acabamento das novas capas é fraco e inexpressivo, muito abaixo do nível que livros tão bons como estes mereceriam. Boas mesmo eram as capas das primeiras edições, que tinham um aspecto quase assustador, e que já começavam a fisgar a atenção a partir daí. Curioso para ver como um livro de 150 páginas pode chegar àquela grossura, peguei um novo exemplar de A droga da obediência e comecei a folhear, quase comparando com a minha edição. Rapidamente, notei a grande diferença: o espaçamento entre as linhas aumentara, o suficiente para crescer o livro umas 40 páginas. Não sei ao certo o porquê dessa medida, ou a razão das capas terem ficado tão sem vida, mas o fato é que visto de longe fica parecendo quase um livro do Harry Potter ;)

Sendo assim, voltei ao espaço central, próximo à fila e fiz algumas fotos, tentando me aproximar o máximo possível da mesa, que era protegida por pessoas da organização da Bienal, além do seguranças com caras de poucos amigos. Ainda lutei por espaço entre as muitas lentes de pessoas que tentavam o mesmo. Abaixo, várias das muitas fotos que consegui nessa empreitada:














Quando encerrei as fotos, já passava das 16h. Pedro Bandeira tinha a segunda palestra programada para as 16:30, em outro auditório, mas a fila - ainda enorme - parecia indicar que ele se atrasaria alguns minutinhos. Deixei então o espaço O Menino Mágico, passando mais uma vez em frente ao balcão de livros, que estavam começando a ser guardados nas caixas para, possivelmente, serem levados ao local da segunda palestra.

Lá fora, eu sabia que não teria muito tempo para outra coisa senão ir direto à arena Memorial de Maria Moura, onde aconteceria o Encontro com o Escritor, que traria novamente Pedro Bandeira ao público, então fui o mais depressa que pude - e que me deixaram ir, pois os pavilhões estavam completamente lotados, e tive que abrir caminho entre o mar de pessoas.

Chegando ao pavilhão A, o principal, emendei pelo espaço do cordel, onde àquela hora acontecia uma apresentação bastante barulhenta, e me deparei com uma fila considerável, exatamente no mesmo local onde há três dias atrás eu esperava para ver a palestra de Ziraldo. Projetei-me para o final com passadas largas, e consegui um lugar não muito bom, mas pelo menos não tinha o caixa eletrônico ao meu lado.

Quando me juntei à fila, vi que já havia pessoas entrando, mas parecia ser uma entrada controlada, pois alguns seguranças abriam e fechavam as portas de vidro após uma certa contagem de pessoas. Um receptivo passou pela fila, confirmando que seria a palestra de Pedro Bandeira, caso alguém ali não soubesse de que se tratava (o que parecia difícil de acontecer) e então todos foram avançando. Mais à frente, vi exatamente como funcionava o mecanismo de entrada: não havia senhas, mas a entrada era liberada a apenas 25 pessoas por vez. Os próprios seguranças se encarregavam da contagem. Devo ter sido o número 18 de meu grupo, e assim que entrei, me dirigi com certa pressa para o centro da arena, passando pelo pessoal da organização da Bienal, que arrumava o balcão com os livros que tinham sobrado da primeira apresentação. Diante de uma nova disposição de assentos, levei um grande susto.

Havia uma imensidão de cadeiras dispostas por toda a extensão da arena, todas já ocupadas. Dessa vez, não havia lugar para os almofadões. E até mesmo as arquibancadas já se mostravam incrivelmente lotadas, de modo que só pude encontrar um local no primeiro degrau de uma delas; um péssimo lugar, pois ficava à altura das muitas cabeças dos que estavam à frente, sentados nas cadeiras. Uma vez acomodado, neste estreito e apertado espaço, olhei um pouco à volta, reparando muitas pessoas com aquelas camisas verdes que vira lá no início. Além da camisa, outro detalhe me chamou a atenção: curiosas pulseiras coloridas em seus pulsos, talvez algum tipo de identificação ou brinde de alguma promoção. Eram os Agentes de Leitura do Ceará, e tinham vindo especialmente para esta palestra, como eu descobriria no decorrer desta.





Este foi sem dúvida o maior público que vi na Bienal, devia haver quase 500 pessoas na arena, e eu sabia que também seria a maior gritaria do evento, na hora que Pedro Bandeira fosse apresentado. Rapidamente, a extensão ao meu lado do degrau da arquibancada foi preenchida pelos que ainda chegavam e às 16:30 a arena já estava praticamente lotada. Lembrando que quem saísse do local não poderia mais voltar, pois o lugar já seria ocupado por uma nova pessoa lá de fora.

As muitas pessoas já começavam a preparar suas câmeras, no momento que se iniciava as apresentações formais do evento. Quando o nome de Pedro Bandeira foi anunciado, e o escritor surgiu, com um sorriso no rosto, o público estourou numa grande algazarra, gritando e aplaudindo furiosamente.

Pedro Bandeira sentou-se brevemente à mesa, junto com o escritor local e membro da organização da Bienal, Raymundo Netto, que fez uma breve apresentação do convidado, citando prêmios recebidos e obras importantes de sua autoria. A simples menção do nome Os Karas, ou A droga da obediência fez eclodir uma nova euforia no público, que reagia com berros ensurdecedores.

A palavra enfim foi passada ao escritor, que ergueu-se da cadeira de imediato e cumprimentou a todos. Inicialmente, ele começou descontraindo e empolgando o público, contando uma história bem curiosa e edificante. De onde eu estava sentado, via Pedro Bandeira, gesticulando e interpretando as diferentes caras dos personagens da história, misturado às muitas cabeças que emergiam à minha frente, além das incontáveis telinhas coloridas nas mãos erguidas para o alto, que mostravam miniaturas do que se passava no palco.

Em seguida, ele falou um pouco sobre a importância da linguagem e da palavra escrita, e afirmou que a tecnologia não reterá a leitura, apenas a apressará. Pelo que pude entender desta parte da palestra, Pedro Bandeira não é necessariamente contra os vícios de linguagem que se encontram em qualquer esquina da internet, pois queira ou não, eles constituem um tipo de linguagem. Ele ainda comentou as muitas diferenças entre o que se tem hoje, em termos de comunicação, em relação ao que se tinha tempos atrás.

De repente, a palestra foi seriamente abalada por um alto ruído de vozes, mas que desta vez não vinham da arena, e sim de fora dela. Era no cordel. Alguma apresentação bastante ruidosa chegava muito aos ouvidos de todos, e duelavam com as igualmente sonoras palavras de Pedro Bandeira, o que resultava numa grande confusão de sons. A solução veio rapidamente, quando alguém lembrou de fechar as portas de vidro que separavam as duas áreas.



Retomada a ordem, a palestra se seguiu. Neste segundo momento, não houve muito espaço para Os Karas, e menos ainda para Feiurinha, pois o foco da conversa era outro. Pedro Bandeira se direcionava para a incentivação da leitura, explicando os principais problemas pelos quais nossa país passa a esse respeito, e apontando possíveis soluções. Ele adquiriu outra postura, e foi quase um professor, nos dando uma aula sobre muitos temas relacionados à importância da leitura, comentando muitos fatos históricos, e valorizando a postura do Brasil ante o mundo.

Sem dúvida, eram assuntos bem interessantes, mas nem todos pensavam desta forma, e após algum tempo falando, já notei rostos desanimados e cansados à minha volta. Claro, a maioria permanecia atenta, com olhos fixos em Pedro Bandeira, que ia de um lado para o outro, no decorrer de suas palavras, mas já havia um certo enfado em algumas pessoas. Inclusive, um fato curioso, se deu na hora em que Pedro Bandeira elogiou o trabalho dos Agentes de Leitura, enfatizando a importância deles para um aumento significativo de leitores no estado e no país. Pois bem, enquanto ele falava, não pude deixar de notar um dos Agentes, sentado não muito distante de mim, que parecia visivelmente saturado com aquilo tudo, e tinha até apoiado a cabeça no encosto da cadeira da frente, onde devia estar tentando tirar um cochilo. De vez em quando, levantava, olhava em volta, depois para o palco e se abanava com o que parecia ser um guia de atividades comuns aos Agentes, tão verde como o de sua camisa, mas já um pouco amassado. Em seguida, ele baixava novamente a cabeça. Puxa, achei que o pomposo título de Agente de Leitura fosse dado a quem tivesse mais aproximação, ou pelo menos mais interesse em momentos como aquele. Não é todo dia que se tem um escritor consagrado elogiando você e o seu grupo, o mínimo que se deveria dar em troca é um pouco de sua atenção, não é? Comecei a imaginar como seria aquela pessoa exercendo o seu trabalho de Agente. Será que ela afinal gostava e se interessava pela leitura? como uma pessoa pode incentivar e facilitar outras a ler se não parte dela uma vontade natural?

Mas, como já disse a escritora Marina Colasanti, nada como uma boa história para puxar e chamar de volta uma atenção perdida. E foi só Pedro Bandeira começar a contar uma história de Pedro Malasartes que em segundos todos, inclusive o Agente distraído , já estavam mais atentos do que nunca, ouvindo com máximo de interesse as instigantes palavras que o escritor falava, mais uma vez usando a voz em várias entonações.

Os vídeos abaixo expressam muita coisa que falei aqui, e outras tantas mais. A qualidade está visivelmente pior, se comparados aos das postagens anteriores, pois desta vez tive que usar um zoom maior, por estar um bocado longe do palco ;) Não chega a ser um grande empecilho, já que o áudio está até muito bom dadas as circunstâncias.


Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 1 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 2 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 3 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 4 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 5 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 6 - Abril 2010




Pedro Bandeira na Bienal do Livro do Ceará, palestra 2; trecho 7 - Abril 2010




Como podem ver neste último vídeo acima, Pedro Bandeira finalizou sua participação na Bienal contando de maneira bastante peculiar uma história de Pedro Malasartes, deixando o público interagir no desfecho, em partes bem sugestivas ;) A história reacendeu a chama da plateia, que aplaudiu tão vivamente como no primeiro instante que o escritor adentrou a arena.

Então veio a notícia. Pedro Bandeira não daria autógrafos nesta segunda vez. O público ficou bastante desapontado. Mas era meio óbvio, pois caso se permitisse a formação de uma nova fila, o escritor só sairia dali no dia seguinte! Também não gostei a princípio, pois imaginava ainda poder falar algo para ele e pegar o autógrafo em um de meus livros, mas quando pensei depois na provável gigantesca fila que teria de enfrentar, me lembrei de imediato do dia da palestra de Ziraldo. Aquelas pessoas ali poderiam facilmente fazer uma fila três ou quatro vezes maior do que naquele dia, e não seria uma situação nada agradável de se enfrentar, considerando que já fazia umas quatro horas que eu estava na Bienal, sem ter podido ainda comer alguma coisa que não fosse um saquinho de pipocas. Sendo assim, até achei uma boa ideia não haver sessão de autógrafos.

Mas o público em geral pelo visto não achou, pois tão logo Pedro Bandeira soltou o microfone, uma multidão se projetou na direção da mesa, de maneira mais ou menos controlada. Não sei se conseguiram autógrafos, fotos, ou o que mais poderiam querer, mas o fato é que alguns segundos passados já não vi mais o escritor no meu campo de visão. Uma massa de pessoas se aglomerava em volta de onde eu achava que ele devia estar. Mal cheguei a vê-lo sair da arena, mas vi que a massa começou a se deslocar, descendo do mini palco e andando em direção à saída, no que deduzi que Pedro Bandeira já estava indo embora. A movimentação toda ficou ainda mais confusa, pois bem nessa hora os Agentes de Leitura começaram a se organizar em grupos através das cores de suas pulseiras - vai saber para quê - e nessa operação ocuparam boa parte do espaço das arquibancadas, onde eu ainda estava, tentando ver onde tinha ido parar Pedro Bandeira. Ainda saí depressa para perto das portas de vidro, desviando de várias pessoas no caminho, mas já era tarde demais, ele já havia desaparecido no meio da multidão que se espremia para sair. E era exatamente isso que veria quem estivesse do outro lado da porta nesse momento: um bolo de pessoas lutando para passar pelas estreitas portinhas envidraçadas. Lembrei-me nesse instante da palestra de Moacir Costa Lopes, tão calma e tranquila! Tinha até conseguido falar com ele sem grandes dificuldades ;)

Aparentemente, ainda haveria alguma apresentação na arena, que não deveria interessar a nenhum dos presentes, uma vez que praticamente todos convergiam para a saída. Não perdi tempo, após constatar a badalada saída de Pedro Bandeira, fiz o que pude para sair do local o quanto antes. Sequer pude olhar para o balcão de livros, para ver se tinham vendido muitos, pois para onde olhava só via pessoas e mais pessoas. E o cordel nessa hora voltou a inundar as proximidades com sonoro vocal de seus repentistas.

Quando enfim me vi do lado de fora, tomei logo o rumo do Café Literário, onde pude recarregar um pouco as energias, me deliciando com um bom café com leite e um calzone. Após o lanche, eu ainda andaria por mais alguns estandes, onde aproveitaria excelentes promoções, como o leve 3 pague 2, nos livros da editora BestBolso, no estande da Nobel, sem dúvida um dos destaques para mim na Bienal ;)

E isso foi tudo o que pude presenciar no agitado sábado, 17 de abril, penúltima dia de Bienal. Tive uma ótima impressão de Pedro Bandeira, ao conhecer melhor sua carreira, obras e ideias. O quão ele é querido pelo público é de impressionar, considerando que em nosso país não se vê muito destaque a escritores na mídia. Muita gente deve ter assistido a apenas uma das palestras, outros certamente foram para as duas, como eu, que quis aproveitar ao máximo esse momento. E aqui entra o que eu disse na postagem do Ziraldo, quando vemos de perto alguém cujo trabalho admiramos, é uma sensação engraçada, como se esse alguém não "existisse" antes de interagir no mesmo espaço que nós, como se habitasse um mundo quase inatingível. Então, vemos que não há nada de místico nisso, e que da mesma forma que ele lutou para chegar aonde chegou, você também pode fazer o mesmo, se assim quiser.

Minha intenção foi aproveitar suas palavras como referência, e elas de fato me revelaram e despertaram para caminhos bem interessantes. Sempre gostei de observar; lugares e pessoas, objetos e comportamentos. Além de todos os sentimentos e emoções envolvidos, também foi uma experiência muito satisfatória vivenciar o ambiente em si, a maneira como a Bienal se portou para receber o escritor. A disposição de tudo, a euforia dos fãs, os antes desconhecidos Agentes de Leitura , os sisudos seguranças, os receptivos que quase não ligavam para as palavras de Pedro Bandeira, mas que riram claramente na hora que ele contou a história, e a própria tranquilidade do escritor diante de tantas pessoas; todos esses elementos me transformaram visivelmente, fazendo-me refletir mais sobre quem sou e aonde quero chegar, e eu sem dúvida não teria como imaginar que essas palestras pudessem ter esse efeito. Esse foi o maior ganho que tive neste dia (mas também em toda a Bienal), mesmo não podendo conversar com Pedro Bandeira, Ziraldo...


Ufa, vou terminando esse texto por aqui. Já falei o nome Pedro Bandeira exatamente 60 vezes! Acho que já está de bom tamanho, não é? ;) Bom, a próxima postagem, já na reta final desta série, será sobre Maurício de Sousa, que agitou o último dia da Bienal.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bienal do Livro 2010: minhas impressões (IV - Moacir C. Lopes)

Após o cansaço que foi o dia da palestra de Ziraldo, eu já tinha praticamente decidido não ir à Bienal no dia seguinte, para dar uma descansada. As próximas palestras que gostaria de assistir só seriam a partir de sábado. Mas, no fim das contas, acabaria indo mesmo no dia seguinte.

Enquanto folheava o guia de programação do evento, sondei o dia 15 de abril, quinta-feira e encontrei mais uma ótima oportunidade: uma palestra com o tema Como Escrever um Romance, que teria como convidado Moacir Costa Lopes.

O tema me despertou de imediato. Mas ainda não conhecia o escritor convidado, tudo que sabia era o que o guia dizia: era do Rio de Janeiro. Sendo assim, perguntei logo ao Google e em poucos minutos obtive bastante informação. Moacir Costa Lopes, ou Moacir C. Lopes, nasceu em Quixadá, município aqui do Ceará, mas mora no Rio desde 1944. É um importante e conceituado escritor, autor de vários romances, como o premiado A ostra e o vento, que foi até adaptado para o cinema. Em 2009, completou 50 anos de carreira literária.

Era sem dúvida uma verdadeira autoridade na área. E iria debater sobre como articular um romance. Esse é um assunto que muito me interessa, pois venho ultimamente escrevendo pequenos contos e crônicas, mas visando algo maior no futuro. A estrutura do romance, bem como todas as suas nuances, sempre me intrigou. Sendo assim, voltei à Bienal no dia 15 de abril, para a palestra, que seria das 18:00 às 19:30, no mesmo espaço onde foi a de Ziraldo, a arena Memorial de Maria Moura.
Não me preocupei muito em ficar perto da entrada da arena esperando, pois tinha certeza de que não haveria filas para essa palestra, que evidentemente acabaria tendo um público mais seleto. Antes, ainda rodei mais um pouco pela feira, que nesse dia já esboçava um movimento similar ao que seria visto nos últimos três dias: centenas de pessoas movendo-se ao mesmo tempo entre um pavilhão e outro. Contudo, mesmo com tanta gente, poucos pareciam de fato estar aproveitando a feira, pois ainda via-se muito poucas pessoas com sacolas nas mãos. Pessoal, boa parte dos estandes tinha ótimos livros a preços bastante módicos!

Nesse dia, encontrei uma antologia que já procurava há tempos: contos de Grimm. Tenho me interessado muito pela estrutura de Contos de Fada, e os irmãos Grimm são uma ótima fonte de estudo e pesquisa. Finalizando com mais alguns livros de Ziraldo, e o clássico O mulato, de Aluísio Azevedo, que saiu por apenas R$2,00.

Feitas as compras, voltei à arena e entrei tranquilamente, sem qualquer fila ou aglomerado de pessoas. O espaço onde havia, no dia anterior, o balcão com os livros de Ziraldo - e seu pôster ao fundo - estava bem parecido, mas agora os livros de Moacir estavam à venda e não havia qualquer pôster na parede. Procurei entre os livros por A ostra e o vento, mas já havia acabado! Deixando o balcão de lado e seguindo mais adiante, vi que a disposição dos assentos já mudara completamente em relação ao dia anterior, com exceção das enormes arquibancadas, que permaneciam em suas lugares. Os almofadões estavam resumidos a um dos cantos da arena , e dessa vez pareciam liberados a quem quisesse. O pior mesmo foi o que aconteceu com as cadeiras, que foram significantemente reduzidas e arrumadas no canto oposto, à direita do palco, mas não necessariamente voltadas para ele; estavam dispostas de maneira que, sentado, só se podia ver a mesa quase de lado. Até agora não entendo por que essa inusitada posição foi adotada, não era nada agradável ter de virar toda a cabeça para olhar a mesa e não ter uma visão aceitável da própria. Ainda pensei em ir para as arquibancadas, que estavam bem vazias, mas de lá eu não poderia fazer os registros adequadamente, então me acomodei numa cadeira bem ao canto, próxima à caixa de som principal, para tentar captar o áudio o melhor possível.

Não percebi, por ainda não conhecê-lo, mas Moacir já estava sentado, em uma das cadeiras da primeira fileira, à espera de ser chamado. Pelo seu semblante, parecia uma pessoa muito calma e humilde. Mais pessoas iam chegando, enquanto um telão em um canto da arena entretia as já presentes. Em seguida, feitas as introduções, Moacir é chamado, e tem-se início a palestra.


Mediado por Gláucio Cunha, seu editor, o escritor falou sobre o início de sua carreira, de seu gosto pelo mar, suas inspirações e dificuldades que teve ao longo da vida. Em certo momento, subiu à mesa uma professora (cujo nome não me recordo...), profunda estudiosa da obra de Moacir, para ajudá-lo no andamento do tema e ao mesmo tempo tirar suas dúvidas acerca de seus textos.

Moacir ainda falou sobre as diferenças entre romance, crônica e conto, explicando a fundo as características de cada um. Uma verdadeira aula, sem dúvida. Falou também sobre o psicológico de seus personagens em seus romances, e também de romances clássicos, como Dom Quixote. Explicou como é o trabalho de pesquisa para se escrever um romance histórico e ainda disse uma grande verdade, ao comentar, em determinado ponto, que todas as telenovelas brasileiras são nada mais, nada menos que uma repetição da repetição - como se já tivessem uma fórmula pronta -, completou a professora.

Nos vídeos abaixo, alguns trechos da palestra:










Passado algum tempo de palestra, abriu-se o espaço para perguntas. Fiquei bastante surpreso nessa hora, pois ninguém levantou a mão. Nenhuma pergunta? Não. O público permaneceu quieto, a olhar para a mesa. Até pensei em quebrar a multidão, erguendo a mão e perguntando-lhe alguma coisa. Mas naquele pouco intervalo de tempo, somando-se ao silêncio aterrador da plateia, não consegui idealizar nenhuma pergunta interessante, e assim a palavra voltou à boca do mediador, que encerrou a palestra, agradecendo a todos os presentes. Moacir ainda fez suas considerações finais e foi bastante aplaudido, antes de o público começar a sair da arena.

Eu ainda permaneci sentado um pouco mais, fascinado pela ótima palestra que tinha assistido, por ter conhecido de perto um escritor de tão alto gabarito, que até o dia anterior, não conhecia nada a respeito. Pensei em ir falar com ele, mas não tinha nenhum de seus livros à mão, para talvez conseguir um autógrafo. Durante a palestra, Moacir falou de seu Guia prático de criação literária, considerado por muitos uma obra muito importante para um bom entendimento sobre o tão complexo ato de escrever. De cara, o livro me despertou interesse, e tinha tudo para se tornar uma ferramenta tão importante quanto meu velho Luft, se eu tivesse conseguido comprá-lo... Sim, se tivesse, pois ao fim da palestra, quando cheguei ao balcão, disposto a adquirir um, me informaram que já tinha esgotado. Então lembrei-me de que na hora que entrei ainda havia uns três exemplares, mas eu ainda não conhecia suficientemente bem o livro...

Mesmo sem livro, estava decidido a ir cumprimentá-lo, parabenizá-lo pela ótima palestra, e apenas aguardei baixar um pouco o movimento em volta dele, provavelmente de pessoas que também tinham o mesmo objetivo. Quando a maioria já havia se dispersado, fui falar com Moacir. Em uma coincidência bem chata, foi justamente na hora que alguém da organização da Bienal tomou o microfone para anunciar a próxima atração.

Dei-lhe um aperto de mão e, falando bastante alto para me fazer ouvir ante a voz do locutor, disse o quanto gostei de sua palestra, que não conhecia seu trabalho até então, mas que já me sentia profundamente interessado a começar a conhecer. Completei dizendo que também escrevia, no momento pequenos contos e crônicas, mas galgando caminho para um possível romance, e que suas palavras tinham elucidado muitas de minhas dúvidas. Moacir agradeceu, e disse-me, entre outras coisas, que era preciso ter paciência, muita paciência. Mais uma vez agradeci-lhe, e então saí do Centro de Convenções, bastante realizado.

O único porém foi não ter conseguido o Guia prático de criação literária, mas mesmo assim foi um ótimo momento da Bienal, com certeza. Afinal, uma palestra que quase acabei perdendo, não fosse uma olhada por acaso na programação! E pensar que eu poderia ter ficado em casa, descansando...

Ter paciência. Uma virtude necessária para se chegar à complexidade que envolve a elaboração de um romance. Sem dúvida, mas igualmente necessária para tantas outras coisas, sobretudo viver bem em um mundo tão difícil e intolerável como o de hoje.

Concluo aqui esta quarta parte da série. Na próxima postagem, minhas impressões sobre as palestras do grande Pedro Bandeira!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Bienal do Livro 2010: minhas impressões (III- Ziraldo)

Bem, dando continuidade à série de postagens sobre minhas impressões da recente Bienal Internacional do Livro do Ceará, falarei agora um pouco a respeito do dia da palestra de Ziraldo, que teria o seguinte tema: Ler é mais importante que estudar?

OBS.: Essa postagem é bem extensa, mas não se pode falar de Ziraldo sem falar muito!

Marcada para as 18:30, indo até as 20h, do dia 14, quarta-feira, a apresentação seria a primeira que eu esperava com grande ansiedade. Acho que já falei isso aqui, mas nunca é demais: recentemente, comecei a admirar ainda mais o trabalho de Ziraldo, que até então só conhecia de relance. Através do programa ABZ do Ziraldo, comecei a entender melhor o girar das engrenagens. Ter a oportunidade de assistir a uma palestra dele seria uma chance que tinha de ser agarrada.

Diego, meu irmão, também queria ter ido, mas estava às voltas com a produção do curta animado Maria da Glória. Assim sendo, preparei nosso exemplar de Jeremias, o bom. A ideia era tentar conseguir um autógrafo, embora soubesse que isso poderia não ser assim tão simples.
Nesse dia, cheguei ao Centro de Convenções por volta das 17:00, pois temia haver alguma fila quilométrica já formada. O auditório que receberia o grande cartunista tinha sido intitulado Memorial de Maria Moura, como parte das homenagens à Rachel de Queiroz. Era uma enorme arena contígua ao espaço dedicado ao cordel. Lá seriam realizadas boa parte das palestras desta Bienal.

A feira em geral, na altura deste dia, já estava bastante movimentada, e já era bem fácil se esbarrar nas demais pessoas para se chegar de um pavilhão a outro. Fui de imediato ao espaço marcado, sem desviar a atenção para nenhum estande, pois temia por acaso encontrar alguma oferta espetacular que me fizesse atrasar. Não tinha ideia de como andava o movimento por lá, não podia arriscar.

O espaço João Miguel, dedicado ao cordel, estava bastante tranquilo àquela hora. Atravessei as mesas onde os cordelistas expunham seus cordéis, e cheguei aos portões da arena, que para minha surpresa não abrigavam fila nenhuma. Estranhei, e fui perguntar a uma receptiva que estava por ali numa mesinha. Ela falou que às 18:00 começaria a distribuir senhas para os interessados na palestra, que deveriam já estar enfileirados. Como ainda faltava quase uma hora, decidi dar mais uma explorada na feira, julgando não ter problema sair em vez de ficar esperando. Isso, porém, me custou um lugar melhor na fila que viria a se construir minutos depois.

Rodei por alguns estandes, pesquisando alguns livros que ainda queria comprar, e voltei para o espaço do cordel, faltando uns vintes minutos para as 18h. Da entrada, o susto: uma generosa fila já havia se formado no local onde eu estivera minutos atrás. Corri para o final dela, que inconvenientemente ficava ao lado de um caixa eletrônico, me fazendo ter de recuar sempre que alguém chegava para usá-lo. Passaram-se mais uns dez ou quinze minutos, até que a tal senha enfim fosse distribuída. O movimento no local começou a crescer vertiginosamente, e a fila atrás de mim sumia na extensão de um corredor desconhecido. Curioso é que ainda havia poucas crianças no local. As fotos a seguir sintetizam um pouco do que acabei de dizer:









Com a senha 34 nas mãos, permaneci esperando mais um tempinho razoável, ora desviando para o lado para alguém operar o caixa eletrônico, ora fazendo esses registros fotográficos. O que se falava na fila era que haveria 400 lugares. E então a entrada foi liberada. Após as portas envidraçadas, vi um balcão onde estavam sendo vendidos vários livros de Ziraldo. Ao fundo, um enorme pôster seu preenchia a parede. Atravessando essa passarela, cheguei à arena propriamente dita.

Um palco de médias proporções estava no centro do espaço. Nele, uma mesa retangular com duas cadeiras esperava o início da palestra. Além do palco, tinham sido dispostos vários almofadões coloridos no chão, que foram rapidamente ocupados pelas crianças que iam entrando. Além dos almofadões, estavam dezenas de cadeiras agrupadas por boa parte da extensão disponível. Por fim, após as cadeiras, vinham duas enormes arquibancadas, uma precaução extra para conter todo o contigente de pessoas.

Havia muitos lugares para escolher, entre as cadeiras, pois os almofadões já estavam todos ocupados. Optei por um lugar um pouco atrás deles, mais ou menos no centro da arena, de onde pudesse ter uma boa visão da mesa, e também condições de registrar com fotos e vídeos. E lá se passaram mais uns vinte minutos ou talvez até meia-hora; tempo em que todos iam tomando seus lugares, que as muitas câmeras de vídeo iam sendo montadas em tripés, até que finalmente a palestra teve início.








Após uma apresentação breve da Bienal, onde se falou sobre patrocínios e afins, Raymundo Netto, que faria a mediação, foi chamado e subiu ao palco, de onde anunciou então o grande convidado do dia, Ziraldo.

É uma sensação engraçada, ver de repente, perto de você, alguém que tanto admira. Às vezes, por serem tão inacessíveis, essas pessoas parecem quase imaginárias, a habitar um mundo desconhecido. Quando temos oportunidades como essa, nos damos conta de que elas realmente existem; nos tornamos mais próximas, criamos um vínculo.

Ziraldo foi aplaudido calorosamente. Mesmo sendo um dia de semana, o público nesse momento já preenchia boa parte das arquibancadas, estando as cadeiras já totalmente ocupadas. Foram inúmeros os flashes que vi estourarem no ar quando ele subiu ao palco. A euforia, claro, também se fez presente.



Foi um dos grandes momentos da Bienal, sem dúvida. Ziraldo falou um pouco sobre o início de sua carreira, de projetos de grande sucesso, como Flicts e O Menino Maluquinho, e debateu acerca de sua já célebre frase: "Ler é mais importante que estudar!". Suas palavras, como sempre, foram bastante certeiras, mostrando o que era preciso fazer para aumentar o número de leitores no Brasil, principalmente as crianças. Falou ainda da importância do livro como instrumento de elevação moral, e comentou também sobre as histórias em quadrinhos, que também devem merecer um espaço. Um dos inconvenientes que ofuscaram um pouco o brilho da noite veio justamente agora: o microfone que ele usava. A voz às vezes estourava um pouco, e em muitos momentos me vi sem entender quase nenhuma palavra do que era dito.

Os vídeos a seguir mostram alguns trechos do que foi a palestra. Mais uma vez, a qualidade não é das melhores, mas já é um ótimo registro ;)

Ziraldo na Bienal do Livro do Ceará, trecho 1 - Abril 2010




Ziraldo na Bienal do Livro do Ceará, trecho 6 - Abril 2010




Para mais vídeos de Ziraldo, basta ir à postagem VIII- Conclusão.

Em seguida, abriu-se um espaço para perguntas. Ziraldo respondeu de maneira clara e bem-humorada à boa parte dos que levantaram as mãos. Perguntaram até se ele não pensava em fazer versões de seus personagens crescidos, a exemplo do que fez Maurício de Sousa, com a recente Turma da Mônica Jovem. Ziraldo foi simples e direto. Para ele, os personagens são eternos - não devem envelhecer - pois têm uma identidade única, que desapareceria caso fosse mudada. Citou ainda grandes personagens dos quadrinhos e do cinema que não cresceram. É certo que Maurício deve saber o que está fazendo, mas eu adorei essa resposta do Ziraldo ;)

Respondidas as perguntas, chegou a hora dos autógrafos. Uma voz anunciou que fossem formada uma fila dos interessados. Na mesma hora, quase todos os sentados se levantaram velozmente, deixando de ouvir uma parte das consideração finais que Ziraldo tinha começado a fazer, e que teve que encerrar também velozmente. Em poucos segundos foram formadas duas filas. Sim, duas. Uma para as crianças, a outra para os adultos. Ziraldo autografaria primeiro os pequenos, que já exibiam nas mãos os exemplares do Menino Maluquinho, à espera de chegar a sua vez. A outra fila, dos adultos, aumentava a cada minuto. Esperei alguns minutos para ir até ela, tempo em que fiquei fazendo mais umas fotos, pois imaginei que enquanto ainda fosse possível somar-se as pessoas, o autógrafo ainda seria garantido. Quando a fila das crianças já tinha se dissolvido e a dos adultos começava a andar, fui direto para lá, com Jeremias, o bom a tiracolo. Senti uma certa tensão e ansiedade. Dentro de poucos instantes, poderia cumprimentar Ziraldo, ter um autógrafo dele e quem sabe até conversar por alguns breves segundos. Mas todas essas ideias se perderam no momento que um dos receptivos da Bienal, estrategicamente posicionado no fim da fila, me disse que ninguém mais poderia entrar, que a fila já estava fechada.

Fiquei bastante desnorteado com essa revelação. Que absurdo! Sequer houve qualquer aviso por parte da organização a respeito disso. Por que a voz que anunciou a abertura dos autógrafos não tinha falado que haveria um limite na fila? ou uma duração mínima de tempo para as pessoas chegarem até ela? Expus essas questões ao sujeito, que ouviu de certa forma impassível. Falou ainda para que eu procurasse um dos coordenadores, que tinham camisas verdes, que talvez eles pudessem abrir essa exceção. O problema era que os tais coordenadores estavam todos bem perto da mesa onde Ziraldo autografava, em um espaço controlado pelos atentos seguranças do local, um espaço restrito. Como eu poderia me aproximar sem parecer estar querendo furar a fila ou algo parecido? Isso o receptivo não me disse, e permaneceu lá, impassível, impedindo a chegada de outras pessoas.

Inconformado, sentei por alguns instantes. Ziraldo continuava no ritmo dos autógrafos, e a fila dos adultos ia andando, mas ainda mostrava a resistência de umas 40 pessoas. Então recorri a um outro receptivo, desta vez uma moça, que passou de repente pelo meu campo de visão. Expus a questão, e ela mesma foi falar com um dos coordenadores. A resposta veio em minutos. Segundo alguém da coordenação, eu devia esperar, que após a conclusão da fila, esse mesmo alguém me levaria a uma salinha, onde Ziraldo daria o autógrafo. Isso me pareceu até bom demais na hora, e agradeci bastante! Obviamente, teria de ser reservado para não atrair mais ninguém, pois a fila já teria se extinguido. Imaginei que talvez até fosse melhor, pois poderia até mais tranquilo para conversar com ele. Animado, tirei Jeremias da sacola e comecei a ler um pouco. E sabem o que aconteceu nessa hora? A voz então anunciou que não se estava mais recebendo ninguém na fila. Então quer dizer que antes disso eu poderia ter de fato entrado nela? Nunca saberei, mas deu bastante vontade de voltar lá e dizer alguma coisa ao receptivo estraga prazeres.

Como a situação já estava aparentemente resolvida, me contive e fiquei lendo. Mas aí o tempo foi passando. Um cansaço enorme foi se abatendo sobre mim, sem falar na fome, pois não comia nada desde que saíra de casa. O que parecia ser a solução, virou outro empecilho. Já passava das 20h. Na fila, ainda umas vinte e tantas pessoas, resolutas. Ziraldo lá, autografando e ainda sendo alvo de todo tipo de lente, mesmo quando falava ao celular, que tocou entre um autógrafo e outro.

Fui ficando cada vez mais desgastado. No início, estava disposto a tentar conversar bastante com Ziraldo, mas agora já me faltava organização de ideias. Considerei ir embora, deixar aquilo para lá. Depois de já ter conseguido a exceção? mas seria mesmo? quem poderia me garantir que depois de tudo ele me daria mesmo o autógrafo? e se eu acabasse esperando até o fim à toa? Pensei nessas questões. Acho que Ziraldo acharia bacana autografar um Jeremias, o bom haja vista que lá no balcão só havia mais livros do Menino Maluquinho e outros mais recentes, mas aquela espera já estava exaustiva demais.

Olhei para o livro, em meu colo, para a fila, que agora parecia não andar, e para Ziraldo, imerso e rodeado (na parte de baixo do palco) por várias pessoas. Então me decidi. Coloquei Jeremias na sacola e saí da arena. Não fiquei triste ou chateado, só um pouco decepcionado, com a organização do evento. O autógrafo seria ótimo, é claro, mas o mais importante foi ter podido assistir pela primeira vez a uma palestra de Ziraldo. Foi um espetáculo à parte, facilmente destacado entre as programações da Bienal.

Esse acabou sendo o único dia que não comprei livro algum na feira. Fui inteiramente para a palestra. Ainda pensei algumas vezes no caminho de volta o que teria acontecido se eu tivesse ficado lá esperando. Eram realmente grandes as chances de acabar não dando certo, e mesmo que desse, não iria conseguir dizer a ele exatamente o que gostaria, dado o meu desgaste. Sendo assim, tive mais uma vez a certeza de que ler é mais importante do que estudar e voltei para casa com meu exemplar quase autografado de Jeremias, o bom.



Ainda não foi dessa vez! Mas sempre há uma próxima, enquanto houver esperança ;)


Bom, acho que já falei demais! Encerro aqui a terceira parte. A quarta postagem desta série será sobre a palestra do escritor Moacir Costa Lopes, que também tive o prazer de assistir.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Bienal do Livro 2010: minhas impressões (II- Emir Sader/Cordel)

Como dizia no fim da primeira postagem, na altura do quinto dia do evento, lá estava eu, em uma das mesinhas do café, à espera de um lanche. Enquanto esperava, notei que alguns receptivos começavam a dispor várias cadeiras em volta de um pequeno palanque que havia mais ou menos próximo à minha mesa. As pessoas das outras mesas começavam a voltar a atenção para lá, e mais cadeiras iam chegando. Imaginei que alguma programação estava para acontecer.

Então entra um senhor, de paletó, com um ar típico de alguém de fora da cidade. Ele se dirige ao pequeno palanque, sentando-se ao lado de uma mesinha, onde foi colocado logo depois alguns copos de água. Entendi que só poderia ser ele o escritor. Depois surgiram mais alguns figurões do evento, que tomaram posse de algumas cadeiras, aguardando o início da apresentação. O vice-governador, após um longo discurso, passou a palavra, enfim, ao convidado. Fotos abaixo:






Tratava-se de Emir Sader, que viera do Rio de Janeiro, como depois vi no guia do visitante da feira, que lançava seu livro mais recente: A Nova Toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana. Não estava previsto assistir àquele lançamento, mas achei interessante a ideia de ouvir o autor falar um pouco a respeito, e lá permaneci, sem tirar meu celular, com o qual fiz boa parte destes registros, da mão.

Emir falou um pouco sobre o que tratava seu livro, além de comentar particularidades da política brasileira. O vídeo abaixo mostra suas palavras quase na íntegra (comecei a gravar um pouco depois de ele começar a falar). A qualidade do vídeo é de certa forma precária, pois infelizmente não dispunha de uma das super máquinas que os fotógrafos usavam para disparar flashes constantes, mas de qualquer maneira é um registro.



Ao final, Emir sentou-se e começou a dar autógrafos nos exemplares, que eram vendidos numa mesa retangular próxima à entrada do café. Não era exatamente o estilo de palestra que eu poderia me interessar, pois como descobri depois, Emir é sociólogo e cientista político, áreas que por enquanto vão bem longe de meus objetivos, mas gostei de presenciar este momento. Palavras bem dosadas, crítica, humor. Tudo isso permeiou seu breve discurso, que de muitas formas me deu por alguns instantes uma nova visão de diversos conceitos curiosos, e acredito que também fez bastante pelo público no local, que quase triplicou durante o lançamento.

Enfim, um momento que me veio de maneira inusitada, mas que me foi bastante interessante e ao mesmo tempo diferente.

Após, caminhei por mais alguns estandes da feira, que nesse dia já estava bem mais movimentada. É impressionante a diversidade de material que se pode achar em eventos como esse, e mesmo os estandes já conhecidos sempre me reservavam novas surpresas. Dei uma olhada no sempre concorrido estande do menor livro do mundo e ainda aproveitei para conhecer o espaço dedicado ao cordel. Aliás, a literatura de cordel é algo muito bacana, que sempre tem lugar e público garantido nas grandes feiras. Uma visão popular de temas bastante conhecidos. Preciso olhar com mais calma esse tipo de material quando possível ;)

Mais algumas fotos:









E para a próxima postagem, a palestra de Ziraldo!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Bienal do Livro 2010: minhas impressões (I- Introdução)


Pessoal, o Diálogos passou os últimos dias sem conhecer nenhuma atualização, pois estive bastante imerso na Bienal Internacional do Livro do Ceará, que ocorreu nessa última semana, aqui no Centro de Convenções de Fortaleza e terminou ontem, dia 18. O maior evento literário da cidade, mais uma vez, mostrou boa organização, estrutura e programação: um seleto grupo de convidados, juntamente com homenagens, lançamentos, palestras e diversas outras atrações.

Esta postagem é a primeira de uma série, onde falarei um pouco de minhas impressões do evento, sobre os aspectos e circunstâncias que pude presenciar. Como falei na primeira postagem sobre a Bienal, aqui no Diálogos, desta vez eu estava disposto a viver o evento mais intensamente, pois nos últimos meses tenho me reaproximado muito da literatura, entre escrevendo e lendo avidamente, com a ideia de publicar algo mais próxima do que nunca. A Bienal, desse modo, não poderia ter acontecido em melhor momento!

Através do site do evento (que na minha opinião demorou bastante para entrar no ar), pude ter uma prévia do que estava por vir: Pedro Bandeira e Marina Colasanti. Ver esses dois nomes na lista dos convidados foi mais uma maravilhosa coincidência para mim, que recentemente começava a ler e estudar sobre eles. Agora era só esperar.

A feira teve seu início no dia 9 de abril, uma sexta-feira. Fiz questão de ir neste primeiro dia. Não haveria nenhuma palestra ou apresentação que me interessasse, mas seria bom para conhecer logo o ambiente, que nos dias seguintes me seria tão familiar, e sondar logo algum bom livro a um bom preço.

Fiz algumas fotos deste primeiro dia, que nem de longe lembram o caos que foram os últimos. Dá até pra ver a extensão do tapete vermelho no chão. Nesta primeira ocasião, estava tão bom de transitar pelos corredores que acabei conhecendo boa parte dos principais estandes. Fotos a seguir:







Com tranquilidade, achei uma pequena mina de ouro em um dos estandes: livros semi-novos (mas em ótimo estado) por ridículos R$3,00. Gastei bons minutos revirando os volumes, e saí com uma sacola bem cheia. Tinha Marina Colasanti, Guimarães Rosa, e até Drummond. Foi um bom começo, para me aquecer do que estava por vir. Ao final do primeiro dia, soube que Ziraldo também viria para a Bienal. Pronto, não teria como ficar melhor! No dia anterior, eu fazia a postagem sobre o ABZ aqui no Diálogos, sem sequer imaginar que poucos dias depois poderia assistir a uma palestra do grande Ziraldo. Era até difícil de acreditar ;)

Voltando a falar da feira, no pavilhão principal, havia, além das dezenas de estandes, um bem montado café, climatizado, decorado artesanalmente e bastante acolhedor. Nos primeiros dias, foi um ótimo ponto para parar um pouco, comer alguma coisa e folhear os livros recém-comprados. Vejam abaixo:






Foi neste cenário relaxante, onde tive a primeira grata surpresa do evento, sem estar esperando nada, além, é claro, de um calzone e um suco (risos). Só fui descobrir depois que o grandioso espaço também era usado para outra finalidade, além de café. Intitulado "O galo de ouro", como parte da homenagem da Bienal à escritora cearense Rachel de Queiroz, ali aconteciam lançamentos de livros e bate-papo com escritores. Pois bem, nessa hora acabei assistindo a um desses lançamentos. Não conhecia o livro. Não conhecia o autor. Mas sabia que seria algo interessante e instrutivo de se ouvir. Seria a primeira vez que acompanharia o lançamento de um livro, e o melhor: com a presença do autor.

Na próxima postagem, falarei de quem se trata, e o desenrolar de tudo. Também falarei mais um pouco sobre a feira, que já me dá saudades!