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"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Fábulas de Esopo - A Raposa e o Bode
Após um tempo longe das fábulas, voltei esses dias a este universo tão rico e agradável. Escolhi mais uma das pérolas atribuídas a Esopo para abordar nesta postagem. Vamos a ela!
A Raposa e o Bode
Uma raposa caíra num poço. Não havia como sair. Foi quando apareceu um bode sedento. Ao ver a raposa, perguntou-lhe se a água era boa. Diante de tanta sorte, a raposa começou a elogiar a água: não havia mais saborosa. E convidou o bode a descer também. Sem pensar duas vezes e só pensando em saciar sua sede, o bode desceu. Depois de beber à vontade, era hora de voltar à superfície: "como fazer?", perguntou à raposa.
– Eu sei – disse ela –, de uma boa saída, desde que tenhas vontade de nos tirar desse aperto: põe os teus pés da frente contra a parede e ergue os teus chifres; aí eu dou um pulo e saio. Uma vez lá fora, eu te puxo.
O bode fez o que ela disse. Com a ajuda das pernas, das costas e dos chifres do bode, ela conseguiu, dando alguns pulos, voltar à boca do poço e, assim que se viu salva, foi embora. Como o bode a repreendesse por não ter cumprido o acordo, a raposa lhe disse:
– Ah, meu caro, se tivesses tanta presença de espírito quanto pêlos no queixo, não terias descido sem saber como irias voltar.
É preciso antever o final em tudo o que se faz.
Neste belo texto, vemos um bode, cego pela sede, se deixar levar pelas palavras da raposa, que se aproveita de sua necessidade, para se dar bem. Ela mais uma vez aparece sendo usada como símbolo de astúcia, persuasão, e também individualismo. O pobre bode, enganado, aqui representa justamente aqueles que se aventuram em determinado caminho, geralmente induzidos por alguém/algo sem plena certeza de onde estão indo.
A fábula traz uma moral interessante, sim, mas acho que em vários momentos não estamos aptos a sempre antever como tal situação terminará. Claro que podemos ser comedidos, controlados, mas dificilmente evitaremos todas as consequências. Na história, que alerta para este ponto, o bode não cogitou como sairia do poço porque havia uma preocupação maior: matar sua sede.
Podemos passar por situações parecidas, em momentos de certo desespero, e ignorar o que aparenta ser tão óbvio, não é mesmo? Não acho que isso seja particularmente ruim, pois o que não se faz na vida sem correr riscos? Muitas vezes se atirar em algo pode ter lá suas vantagens. É bom conhecer os caminhos por onde se trilha, mas o desconhecido por vezes pode revelar boas surpresas. O conhecido traz segurança, conforto, o desconhecido impera o medo, a ansiedade, mas muitas vezes acaba sendo rotulado erroneamente.
É preciso ser comedido, mas nem tanto, pois pensar demais muitas vezes só alimenta nossos medos!
Nos permitindo a olhar a fábula por outra ótica, se o bode tivesse percebido a arapuca em que se meteria, não teria descido ao poço, mas também não teria matado sua sede! De certa forma, ele pagou um preço alto pela água, mas conseguiu bebê-la. Como sair do poço passaria a ser um outro problema, agora que a sede deixara de ser sua preocupação, ele estaria apto a melhor pensar como resolvê-lo.
Evidente que a moral desta história não nos impõe uma ideia, mas nos expõe uma visão e nos faz refletir sobre diferentes pontos de vista, que se confrontam entre si, e cabe a nós percebê-los e relacioná-los, a fim de tentar compreender toda esta extensão.
Parem e reflitam por uns instantes!
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Fábulas de Esopo - A Galinha dos Ovos de Ouro
A clássica história da galinha que botava ovos de ouro é com certeza conhecida de muitos, mas todos compreendemos bem seu real significado? Esta bela fábula, transcrita e adaptada ao longo dos séculos, teria sido originalmente mais uma de autoria do lendário grego Esopo, portanto, vale a pena sempre revisitá-la. Vamos a ela:
A Galinha dos Ovos de Ouro
Um homem tinha uma galinha que punha ovos de ouro. Achando que por dentro ela era só ouro, matou-a, mas não encontrou nada de diferente das outras galinhas. Assim, em vez de descobrir o enorme tesouro que esperava, perdeu até o pequeno lucro que ela lhe dava.
Cuidado com a ambição. Contenta-te com o que já tens.
A ambição e cegueira do homem são colocadas em evidência nessa história. A inconformação com o que já se tem, a sede por mais, a cobiça. Novamente um conceito, uma ideia que permanece em destaque desde tempos remotos até os dias de hoje.
É muito comum atualmente não darmos valor à nossa galinha dos ovos de ouro, ao que temos, e ficarmos querendo mais e mais, numa busca praticamente infinita, seja pelo que for. Se não frearmos essa conduta, própria do ser humano, podemos uma hora acabar como o homem da Galinha dos Ovos de Ouro, que tinha tudo e por mero capricho ficou sem nada.
Reflitam!
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Fábulas de Esopo - O Homem que Prometia o Impossível
Saudações! O blog andou um pouco parado nos últimos dias, por conta de algumas outras pendências prioritárias, entre elas a pesquisa que desenvolvo sobra a obra O Pequeno Príncipe, já em fase de conclusão.
Voltando a falar sobre as belas fábulas de Esopo, escolhi esta, bem interessante, para esta postagem:
O Homem que Prometia o Impossível
Um homem jazia, doente e perto da morte. Era pobre. Como os médicos lhe tinham tirado qualquer esperança de cura, ele prometeu aos deuses o sacrifício de cem bois e lhes dedicar um monumento se se restabelecesse. Sua mulher, que estava a seu lado, perguntou-lhe:
– E de onde tirarás o dinheiro?
Ele lhe disse:
– Você acha que vou me restabelecer para os deuses me cobrarem essas promessas?
É fácil fazer promessas quando sabemos que não vamos cumpri-las.
Mais uma ótima fábula, brilhantemente narrada e que atua quase como um golpe certeiro contra valores que comumente não damos muita atenção. A promessa, como feita na história, soa quase como um desafio aos deuses, e, claro, visa apenas ao homem doente em primeiro lugar. Muitas vezes nos vemos em situações similares, quase sem perceber, não é mesmo?
Engraçado é que o homem da história já faz a promessa sem acreditar que os deuses o atenderão, o que constitui mesmo uma certa provocação. Se não vamos cumprir o que prometemos, nossa contraparte também não deve fazê-lo. Seria justo. No fundo, talvez as promessas tenham mesmo um quê de egocentrismo.
Reflitam!
Voltando a falar sobre as belas fábulas de Esopo, escolhi esta, bem interessante, para esta postagem:
O Homem que Prometia o Impossível
Um homem jazia, doente e perto da morte. Era pobre. Como os médicos lhe tinham tirado qualquer esperança de cura, ele prometeu aos deuses o sacrifício de cem bois e lhes dedicar um monumento se se restabelecesse. Sua mulher, que estava a seu lado, perguntou-lhe:
– E de onde tirarás o dinheiro?
Ele lhe disse:
– Você acha que vou me restabelecer para os deuses me cobrarem essas promessas?
É fácil fazer promessas quando sabemos que não vamos cumpri-las.
Mais uma ótima fábula, brilhantemente narrada e que atua quase como um golpe certeiro contra valores que comumente não damos muita atenção. A promessa, como feita na história, soa quase como um desafio aos deuses, e, claro, visa apenas ao homem doente em primeiro lugar. Muitas vezes nos vemos em situações similares, quase sem perceber, não é mesmo?
Engraçado é que o homem da história já faz a promessa sem acreditar que os deuses o atenderão, o que constitui mesmo uma certa provocação. Se não vamos cumprir o que prometemos, nossa contraparte também não deve fazê-lo. Seria justo. No fundo, talvez as promessas tenham mesmo um quê de egocentrismo.
Reflitam!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Fábulas de Esopo - A Raposa e o Espantalho
Mais uma fábula atribuída ao grande Esopo, extraída da ótima edição da L&PM:
Uma raposa entrou na casa de um ator. Ficou remexendo em seus pertences e encontrou uma cabeça de espantalho muito bem feita. Tomou-a entre as patas e exclamou:
– Que bela cabeça, mas é oca.
O mesmo se pode dizer das pessoas belas mas sem inteligência.
Adoro essa história; a maneira como os fatos se combinam, com grande agilidade, para transmitir a moral, é simplesmente fantástica! E o que dizer da moral? Aquela velha questão de que a verdadeira beleza não é externa, e sim a interna. De que adianta ser o mais belo, o mais rico, o mais tudo, sem um conteúdo verdadeiro? É impressionante como esse conceito já existia no tempo de Esopo, e permanece em grande evidência até hoje, onde acredito que está mais forte do que nunca!
A figura da raposa é usada aqui mais uma vez como símbolo da esperteza e astúcia, não se deixando enganar pela superficialidade que aparenta grandeza, e assim nos transmitindo mais essa moral tão discutida.
Reflitam!
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Fábulas de Esopo
Nos últimos meses, tenho lido muitas fábulas, do célebre e lendário Esopo, redescobrindo e me fascinando com a grandeza destas histórias, e de como elas permanecem atuais até os dias de jogo, tendo sido contadas há mais de dois mil anos!
Quem não conhece fábulas como A tartaruga e a lebre, O Lobo e o Cordeiro e A Cigarra e a Formiga?
Fiz uma breve pesquisa e descobri que a origem de Esopo é muito incerta. São muitas as cidades que se acredita ser a cidade natal do grego, e tudo o que se sabe sobre ele não está livre de dúvidas. O que realmente é fato é que ele foi escravo, que foi libertado por encantar seu último senhor com suas histórias, de caráter moral e fantasioso. Esopo nunca escreveu nenhuma das fábulas como as conhecemos hoje. Suas histórias faziam parte da tradição oral grega. Somente anos após sua morte, as histórias foram reunidas e escritas, tendo inclusive inspirado outros grandes fabulistas, como La Fontaine e Fedro.
Consta que Esopo era corcunda, mas a aparência estranha era suprimida pelo seu dom da palavra, ao contar suas histórias carregadas de ensinamentos e tiradas morais. Seus personagens – que também definem o gênero fábula – são geralmente animais, personificados, que falam, erram, demonstram bem as muitas saliências do caráter humano. Também são retratados homens, deuses e objetos inanimados, com os mesmos fundamentos. O fabulista grego nos mostra como o ser humano pode agir, seja para o bem, seja para o mal, e é realmente impressionante como suas fábulas se mantêm atuais até os dias de hoje, onde nos identificamos sempre com as situações contadas.
Toda essa história é muito curiosa e interessante, e por isso resolvi trazer um pouco de Esopo para o blog. A partir de hoje, vou postar algumas fábulas memoráveis, que sempre me orientam, me direcionam, me fazem perceber melhor as diretrizes desse mundo caótico onde vivemos.
Para começar, uma que todos devem conhecer:
OBS.: existem várias versões das fábulas de Esopo, La Fontaine foi um dos mais reconhecidos ao adaptar as histórias. A versão abaixo retirei do livro Esopo - Fábulas, da editora L&PM. Pode ser diferente de outras versões, mas é apenas na maneira de contar, haja vista que a ideia; a moral, permanecem mantidas.
A Cigarra e a Formiga
Era inverno e as formigas botaram para secar os grãos que a chuva molhara. Uma cigarra faminta lhes pediu o que comer. Mas as formigas lhe disseram:
– Por que tu também não armazenaste tua provisão durante o verão?
– Não tive tempo – respondeu a cigarra –, no verão eu cantava.
As formigas completaram:
– Então agora dance.
E caíram na risada.
Essa clássica fábula reforça a ideia da precaução, do pensar no futuro, no caso das formigas, e o oposto no caso da cigarra. A figura da formiga, conhecida pelo seu forte ímpeto pelo trabalho, mostra a importância de se fazer hoje, para colher amanhã. A cigarra, nesse caso, ilustra uma posição de alguém despreocupado, que não se importa com os dias que virão, e também até denota uma certa preguiça ante o trabalho. Tais valores nos fazem pensar de como é bom estar sempre previnido ante às situações que sabemos que podem ser complicadas ou difícieis.
Evidente que para a fábula ter essa moral, as formigas acabam tendo que transmitir um outro valor: o egoísmo, individualismo, ao recusarem-se a partilhar sua comida com a cigarra. Podemos ver então que a cigarra foi punida por seus próprios atos, que ela mesma causou sua desilusão, e isso justifica a ação das formigas, que agiram como talvez a cigarra também agisse, caso tivesse se precavido contra o inverno. É o comportamento humano, que tende mesmo ao individualismo, ao cada um por si.
Reflitam!
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