Frases


"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



terça-feira, 1 de março de 2011

Moacyr Scliar...


Texto iniciado em 27.02.2011

Há pouco tempo atrás falei sobre Moacir C. Lopes, escritor cearense, falecido em novembro do ano passado. Infelizmente, agora terei de falar um pouco, nestes termos, sobre o outro Moacir de nossa literatura, o Moacyr Scliar. Está é mais uma postagem que não está sendo nada fácil de escrever e que não imaginei ter de fazer tão cedo, mas, enfim, sei que preciso fazê-la, então vamos lá...

Estava nos últimos dias revendo alguns textos e assuntos para postar aqui no blog, e ia colocar uma nova fábula de Esopo hoje, porém... foi só o tempo de entrar no Twitter e ver os inúmeros tweets saudosos sobre Moacyr Scliar, além de seu nome nos Trends que percebi logo que boa coisa não tinha acontecido.

Nos últimos dias, sabia que ele, um de meus escritores favoritos, que me influenciou fortemente a querer e a gostar de escrever (por meio de uma antologia sua que li na época da escola), estava internado, por complicações devido a um AVC. Seu filho, Beto Scliar, através do Twitter, mantinha os fãs e admiradores de Moacyr informados acerca do estado de seu pai, e era grande a corrente de mensagens de melhoras enviadas (eu mandei várias). Estava confiante, assim como todos, que Moacyr se recuperaria e que logo esta seria somente mais uma página virada em sua vida. 

Até receber por meio dessa agitação no Twitter a notícia que ninguém queria. Moacyr Scliar tinha falecido. Fiquei em choque nos primeiros minutos, pois não conseguia de maneira alguma aceitar aquele fato. Li e reli a notícia, em inúmeros sites (que estão até agora minimizados aqui), e mesmo assim não queria acreditar. Scliar lutou muito, como Beto nos informava pelos tweets, lutou como o forte e inabálavel guerreiro que era. Após o AVC, teve boa recuperação, lutou contra febre e pneumonia, mas só não pôde lutar contra a vontade de Deus, que o chamou a seu lado. É uma dura realidade para nós, que só temos de nos conformar.

Ele fará uma falta incalculável no cenário literário e cultural de nosso país. Scliar era uma presença certa em quase todas as feiras e eventos litarários (e também os de medicina, pois também era médico,  conhecido como doutor Moacyr). Tinha também voz ativa na Academia Brasileira de Letras, onde sempre comparecia às reuniões. Não se sabe como, Moacyr Scliar ainda arranjava tempo para escrever suas colunas em vários jornais e revistas do país, além dos inúmeros livros (da crônica ao romance) que fascinaram, fascinam e fascinarão gerações. Quando o perguntavam como conseguira escrever tantas obras em relativamente pouco tempo, a resposta era simples: "É só partir do ponto que o escritor escreve, que este é seu ofício". Moacyr Scliar escrevia todos os dias, sem exceção, como disse em várias entrevistas. Ainda, sua admiração pelo escritor tcheco Franz Kafka (que também adoro) o fez escrever algumas obras relacionadas a ele, muito bem recebidas. 

Desejava muito ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente (ou mesmo de assistir a uma de suas palestras) e também de ter conversado um pouco com ele, que sempre me pareceu extremamente simpático, gentil e receptivo. Infelizmente não foi possível.

Moacyr Scliar. Este nome para mim (e creio que para muitos também) é muito mais do que um nome, é um ícone, quase um mito, que me incentivou muito a seguir pelo caminho que estou hoje, que me motivou a ver no mundo das letras, das palavras, uma maneira de me expressar, de criar, de construir. Conheço ainda muito pouco de sua vastíssima obra, mas os contos/crônicas que li até agora fizeram a diferença (como os dos livros Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, Histórias para quase todos os gostos e O imaginário cotidiano), mudaram muita coisa em mim, tornaram-me mais crítico, mais observador, mais humano. Ele foi um grande contador de histórias, histórias para realmente quase todos os gostos, que articulavam ideias e visões de realidades bem diferentes das que conseguíamos enxergar, tirando de fatos simples e corriqueiros verdadeiras lições que engrandecem nosso espírito. Como disse o poeta Fabrício Carpinejar, em ocasião do fato, Moacyr Scliar tinha um exército dentro de si, um exército de um homem só domando centauros, produzindo miragens, dobrando os dias, duplicando a claridade da página.

Custo a acreditar que uma de minhas maiores (senão a maior) referências tenha ido assim, quase abruptamente. Nunca estamos preparados para momentos como esse, acho que essa é a única certeza que se pode ter. Enfim, não queria escrever tanto, mas jamais me sentiria bem sem fazer uma homenagem a ele, e para concluir, relembrarei uma outra postagem que fiz sobre Scliar, há exatamente um ano, que traz uma sensacional entrevista, dada a ele ao projeto Sempre um Papo (ótimo projeto, por sinal, do qual falarei melhor aqui numa outra postagem).

Palavras de Moacyr Scliar (texto de 1º de março de 2010)

Obrigado mestre Scliar! Seu carisma e personalidade estão em seus livros e textos, que são e serão sua melhor imagem, de agora em diante! 

Desejo também os melhores confortos à família Scliar, pelo momento que devem estar passando.



Conheça mais sobre Moacyr Scliar no site oficial do escritor.

Ah, também no dia 27, faleceu o escritor e filósofo Benedito Nunes, que também admirava bastante. Lamento mais essa perda. 

E ainda teve gente que no dia 27 só ligou pro Oscar...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Filme: O Pequeno Príncipe



Há pouco tempo, postei alguns comentários sobre a obra máxima de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe (veja aqui), um livro fantástico, que consegue mudar nossa maneira de ver o mundo facilmente. Ocupei-me vários meses fazendo uma extensa análise do livro, e em breve devo postar uns trechos aqui. Mas, o assunto em questão, dessa vez, não é exatamente o livro, e sim o filme, como diz o título da postagem. Já tinha conhecimento da versão cinematográfica, porém é claro que preferi ter a primeira experiência da história diretamente no livro, para não ter uma visão apenas focada no filme.




Como já falei na postagem referente ao livro, passei vários meses mergulhado em suas páginas, maravilhando-me. Tive quase arrependimento por não tê-lo lido quando criança (o que me põe quase no papel do piloto, se é que me entendem!), e sem dúvida o considero uma das principais leituras que fiz nos últimos anos. Enfim, concluídas as duas leituras e análise que fiz da obra, me voltei então para o filme.

Lançado em 1974, a versão cinematográfica da famosa história de Exupéry traz à vida o principezinho, e grande parte dos acontecimentos do livro, mas também se dá ao direito de inserir alguns novos personagens e situações. Postarei mais algumas imagens do filme ao longo do texto.

Richard Kiley como o piloto


Como só descobri durante o filme, trata-se de um musical, onde as canções (belíssimas por sinal) se desenrolam em momentos chaves da história. Assisti, e devo dizer que fiquei maravilhado, com todo o conjunto da obra. Ao final, eu estava certo de que é um filme único, que, como o livro, tem o poder de cativar os que se deixam levar pela sua inocência, juntamente com suas valorosas citações e reflexões.

Cito um pouco do elenco principal: Richard Kiley como o piloto, Donna McKechnie como a vaidosa e temperamental flor, o famoso dançarino Bob Fosse como a serpente, Gene Wilder como a célebre raposa e Steve Warner como o Pequeno Príncipe.

Steve Warner é a estrela do filme, no papel do princepezinho


Bob Fosse, aliás, é o responsável por uma das cenas mais memoráveis, com sua performance – a dança da serpente. Bob inclusive teria influenciado bastante Michael Jackson, e essa cena não nos deixa dúvidas! E a raposa de Gene Wilder? Simplesmente perfeita, reproduzindo um dos momentos mais marcantes do livro. Já Richard Kiley faz um ótimo retrato do piloto, que vê no Pequeno Príncipe bastante de si, e repensa valores já quase esquecidos. Coube ao pequeno Steve Warner viver o principezinho, e ele o fez magnificamente bem. Sua candura reflete com graça uma ótima imagem do personagem, e ele parece atuar com tanta naturalidade! O curioso é que este foi o primeiro e único grande trabalho de Warner como ator (depois fez apenas papéis sem muito destaque). Atualmente, afastado das telas, ele trabalha como técnico de efeitos especiais para filmes como Gladiador. É... é melhor lembrar dele como o carismático e cativante princepezinho.






Bob Fosse na célebre dança da serpente

Algo que achei estranho, a princípio, foi ver os personagens animais interpretados por atores reais. Mas só por um breve momento, pois quando as brilhantes atuações (e a sensacional trilha sonora!) nos contagiam, esse passa a ser apenas um mero detalhe, que se torna perfeitamente cabível à proposta do filme, além de ser também um detalhe bem característico.



Gene Wilder dá um toque especial à raposa


Um outro detalhe no mínimo curioso sobre o filme é que ele foi uma produção americana/britânica, e não francesa, como haveria de se esperar. Aliás, é ainda mais curioso imaginar que até hoje nenhum diretor frânces não tenha filmado a obra, não é? Claro que o trabalho de Stanley Donen (mais conhecido por dirigir Cantando na Chuva), foi bastante preciso, mas seria interessante ver a visão de um cineasta frânces, como Jean-Jacques Annaud (de O Nome da Rosa) ou até Michel Gondry.

A flor é interpretada por Donna McKechnie


Por outro lado, temo um pouco ao pensar como poderia ser uma nova versão do Pequeno Príncipe, nesses tempos onde o 3D impera (Basta ver como saiu a Alice de Tim Burton). Que um filme como o de 1974, com aquela atmosfera, aquela inocência e simplicidade (que são na verdade seus pontos mais fortes), jamais seria feito hoje em dia, todos sabemos, mas o resultado de uma produção atual da principal obra de Exupéry pode acabar distoando imensamente da visão que preservamos do texto. Além de que, provavelmente a raposa, serpente e flor seriam retratados como personagens digitais (como o Gato de Cheshire, novamente da Alice de Tim Burton) o que diminuiria sensivelmente sua graça e apelo ante o público, não concordam?

O Rei, um dos personagens do livro que também está presente no filme

Alguns dos novos personagens, inseridos em contexto similar ao do livro, como o General, reforçam ideias que também se completam às do texto, intensificando-o e expandindo-o, em uma adição bem interessante.

O Pequeno Príncipe encontra o General


Por todas estas razões o filme de Stanley Donen pode ser considerado um clássico, e como todo clássico, deve estar sempre em evidência, em discussão. Por isso achei por bem falar um pouco sobre ele aqui, e motivá-los a assistir. Antes de finalizar, segue o trailer do filme:





Bom, acho que já deu para se ter uma boa ideia do que esperar do filme, não é? Quem já assistiu, sabe do que estou falando, aos que ainda não: assistam! Mas lembrem-se de que para melhor compreendê-lo, é importante ter lido o livro. E novamente, não se esqueçam de desenhar o carneiro!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Moacir C. Lopes


Esta postagem foi um tanto quanto inesperada, mas senti que devia fazê-la.

Ontem, estava tranquilamente trabalhando, na alta madrugada, quando me veio um lampejo: "Ah, vou já ver como anda o Moacir!". Moacir Costa Lopes, um grande escritor, autor do famoso "A Ostra e o Vento" que conheci através da Bienal do Livro 2010, aqui em Fortaleza. Abri o Google, digitei seu nome, e veio-me a bomba. Moacir tinha falecido. Em novembro do ano passado. Decorrente de um câncer. Fiquei alguns minutos enternecido, e me vinheram de imediato as cenas da Bienal, da palestra que ele dera, uma aula praticamente, e do momento que fui cumprimentá-lo. Moacir foi o único dos escritores que assisti a que consegui falar, parabenizar, em um momento bem especial. Só hoje descobri que ele já estava doente na época da Bienal.

O mais curioso de tudo, como falei precisamente no meu texto da época (a quarta da série Bienal do Livro 2010), foi que eu quase perdi a apresentação de Moacir, porque ainda não conhecia nada sobre ele, e naquele dia não imaginava haver nada que me interessasse nos corredores do Centro de Convenções. Ledo engano. E arrisco a dizer que com certeza foi um dos melhores dias que tive no evento.

Algumas das palavras que ele me falou podem parecer breves a princípio, mas são uma virtude que é a base para se fazer qualquer coisa hoje e sempre. Ter paciência. Para escrever, para reescrever, para viver. É uma lei natural para um vida tranquila.

Infelizmente só fiquei sabendo da notícia meses após, o que me deixou ainda mais chateado. Para vermos como é a situação do Brasil... é óbvio que se tivesse sido um jogador de futebol ou um ator, a notícia teria explodido em todas as mídias. Pesquisando melhor, vi que foi noticiada em alguns sites, e algumas homenagens até foram feitas. Mas imagino que muita gente ainda não saiba que o Brasil perdeu um grande escritor, e que talvez sequer venha a saber.

Moacir tem uma bela história de vida, apesar das dificuldades pelas quais passou, e contou um pouco de sua trajetória na palestra. Foi marinheiro por vários anos de sua vida, e esta experiência o fez escrever sobre o mar como ninguém. Criou ainda sua própria maneira de escrever, e explica sua metodologia no fantástico Guia prático de Criação Literária, livro que acabei não comprando na Bienal, mas poucos meses após, e que é uma de minhas principais referências para organizar as ideias antes de escrever. A obra é mais prática do que acadêmica, mas é lotada de informações valorosas tanto a estudantes, professores e escritores, e quem mais quiser compreender o método de criação deste brilhante escritor.

Bom, vou me restringir a apenas estes comentários. Meu texto sobre a palestra do Moacir, na Bienal, pode ser lido (e assistidos, os vídeos) na íntegra nesse link. Um local onde se pode conhecer um pouco mais sobre ele e sua obra é o site oficial do autor. E para fechar, a ótima crônica escrita por Pedro Salgueiro para o jornal O POVO, em ocasião do fato, e postada no blog de Raymundo Netto.

Moacir nos deixou uma obra vastíssima, que reflete extraordinariamente a pessoa que foi. Vamos lê-la, divulgá-la, estudá-la. Mantê-lo sempre vivo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nintendo 3DS vem aí!


Voltando a falar de games! Gente, há cerca de um ano atrás, falei sobre o lançamento do Nintendo DSi XL, videogame portátil da Nintendo que foi lançado ano passado e que se tratava apenas de mais uma variação do consagrado Nintendo DS (ao lado do Lite e DSi), que desde 2004 é um verdadeiro fenômeno de vendas e público, graças às suas duas telas, uma delas sensível a toque, e diversidade de jogos oferecidos. Com a popularização recente do 3D, devido a filmes como Avatar, muito vinha sendo falado a respeito de um sucessor do aparelho, que a princípio seria capaz de gerar imagens 3D, mas nada oficial tinha sido divulgado. Isso até a E3 (maior evento mundial dedicado a games) daquele ano, onde foi então apresentado o Nintendo 3DS. Uma proposta "simples" é a grande aposta da Nintendo: 3D sem os tradicionais óculos!

E agora em janeiro de 2011, estamos quase às vesperas do lançamento do novo portátil, que mantém várias das características dos modelos anteriores, como a tela sensível a toque e as câmeras (sendo que agora temos duas para fotos em 3D), mas que traz uma série de novos recursos e possibilidades. 

Neste mês, houve um evento de apresentação do novo sistema à imprensa, numa solenidade típica, comandada pelo presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aime, que desvelou boa parte das características do novo DS.

O vídeo na íntegra (em inglês) pode ser visto logo abaixo:



Para resumir, filtrei algumas das principais novidades do novo portátil da Nintendo, em relação aos modelos anteriores. São elas:

– Display superior 3D sem óculos (Resolução de 800x240 com 3D desligado e 400x240 por olho com 3D ativado);
– Direcional analógico (pela primeira vez em um portátil da Nintendo);
– Giroscópio e acelerômetro, que captam os movimentos feitos com o aparelho, similar ao Wii Remote;
– Botão HOME, que, como no Wii, conduz direto ao menu principal do sistema;
– Botão de ajuste do efeito 3D, que permite controlar o grau de como o efeito se comporta, podendo até desligá-lo; 
– 2 camêras externas, de 640x480, capazes de tirar fotos em 3D, além de usadas em jogos;
– Áudio Stereo que, com fones de ouvido, pode simular áudio 5.1;
– Caneta Stylus extensiva até 10cm;
– Novos game cards podem armazenar até 8GB;
– Carregador agora é uma base, onde o sistema deve ser encaixado (bateria durará em média 3-5 horas);
– Vários softwares virão no sistema, como um editor de Miis (populares avatares digitais personalizáveis) , editor de fotos, interpretador de cartões de realidade aumentada (o aparelho virá com alguns inclusos), canal de internet e diversos outros.
– Possibilidade de trocar informações com outros sistemas 3DS enquanto se anda (bastando passar por alguém que tenha um e ambos estejam em modo sleep); 
– Retrocompatibilidade com os Game Cards de DS e DSi;
– Sistema de Virtual Console (similar ao do Wii), que permite baixar jogos de GB, GBC e GBA para o console;
– Cores iniciais: Aqua Blue e Cosmo Black; 
– Lançamento: 26 de fevereiro no Japão, 27 de março nas Américas;
– Preço: 25.000 yens, 250 dólares, provavelmente entre 800 e 1000 reais;
– Dimensões bem similares às do DSi, exceto a tela superior, mais retangular que a de baixo;
– Terá português (brasileiro) como idioma selecionável.

(O sistema mantém a básica tela sensível a toque e conectividade à internet via Wi-Fi)

A notícia da criação de um portátil da Nintendo em 3D remota ao início de 2010, quando surgiram os primeiros boatos e especulações. Hoje, vejo que o marketing massivo feito pela companhia japonesa vem dando certo, como sempre, e o 3DS está em grande evidência, em sites, blogs e na boca de todos. A tecnologia, nas palavras da Nintendo, é única, nunca antes vista, e promete uma imersão jamais imaginada em um jogo. Será? Espero que todo este hype não acabe decepcionando (como o Wii decepcionou alguns). O fato é que ter 3D sem óculos é mesmo uma grande atração. Os cinemas e TVs de hoje oferecem filmes e imagem em 3D, mas ainda dependentes dos incômodos e antiquados óculos. Quebrar este padrão sem dúvida será uma grande revolução!

Nintendo 3DS e seu carregador, que será acoplado à sua base


O segredo por trás do Nintendo 3DS está em um efeito chamado estereoscopia, obtido atráves de duas imagens, com leves alterações angulares, que são enviadas uma a cada olho. Ao enxergamos ambas, levemente deslocadas, em pontos-chave, temos a formação de uma terceira imagem, criada por nosso cérebro, que nos dará a sensação do 3D propriamente dito. Esse efeito também ocorre graças à paralaxe, que é quando se utiliza objetos de diferentes tamanhos, com velocidades diferentes, a fim de criar um aspecto de pronfundidade aparente. Por tais razões, tem-se dito que o aparelho seria prejudicial a crianças menores de 7 anos, o que a Nintendo confirmou recentemente, e já faz o alerta aos futuros compradores.

Tenho um DSi, o qual adoro e ainda desfrutei pouquíssimo de seu quase infinito repertório de possibilidades, mas confesso que fiquei empolgado (e quem não ficou?) com as possibilidades que o 3DS pode trazer. Jogos de peso, como Zelda, Mario Bros, Resident Evil, Street Fighter IV, Mario Kart, Pilotwings e Metal Gear Solid já estão em desenvolvimento, além de dezenas de outros, o que garante uma ótima apresentação do console, se ele for mesmo tudo o que diz ser!

Comparação de tamanho do 3DS (preto) com os outros membros da família DS. Notem também a elegância do Game Boy Micro!


Um dos fatores que creio que não agradou foi a curta duração da bateria. O DSi já teve uma redução em relação ao DS Lite, e agora mesmo com menor brilho o tempo não deve passar de 5 horas! Será que já não se tem tecnologia para se fazer baterias mais duradouras? Ouvi dizer que as de lítio podem durar bem mais do que as atuais duram...

Mas os pontos fortes são mesmo os mais destacáveis. Giroscópio e acelerômetro tornarão bem intensa a experiência de jogo, e será engraçado ter que fazer as mais variadas evoluções com o console nas mãos! O áudio melhorado, simulado em 5.1 com fones, também impressiona, e deve colaborar muito para criar a atmosfera dos jogos. Game cards de até 8GB? Não é à toa que a qualidade gráfica de alguns títulos como Resident Evil e Metal Gear Solid mais parece um jogo de Wii. O sistema de troca de informações, ativado simplesmente ao passar perto de outro 3DS também parece ser interessante (apesar de ser um pouco estranho à princípio...), e se der certo da maneira como divulgaram, será uma boa interação entre jogadores (que, pelo que entendi, podem ser desconhecidos até então!). Ah, outra coisa legal, o console estará disponível com o nosso português como opção de linguagem! É a primeira vez que isso acontece, e mostra como a Nintendo está mudando sua visão em relação a nosso país, onde tem mercado bastante forte. A realidade aumentada também parece encontrar um lar perfeito no novo sistema, e promete inúmeras possibilidades interativas, através das câmeras do portátil. E para finalizar, ter um Virtual Console no 3DS também é mais uma ótima jogada da Nintendo, uma vez que o do Wii não traz jogos dos famigerados Game Boys. Assim, clássicos do GB, GBC e GBA poderão ser baixados para o 3DS.

A realidade aumentada também será um dos novos recursos oferecidos pelo Nintendo 3DS

Bom, tudo isso parece ótimo não é? É o que todos esperam. Como a Nintendo é líder absoluta no ramo de portáteis, é quase certo que o 3DS obtenha êxito imediato. Só para constar, um outro detalhe que faz falta ao atual DS (DSi ou XL), agora quanto à conexão à internet, é a ausência de um flash player, que impossibilita a visualização de vídeos e afins. Espero que o 3DS traga este recurso, que hoje em dia é tão comum em Iphones e etc, além de uma melhor interface na web. Ah! Espero também uma nova versão do Flipnote Studio, o ótimo programa de animação que acompanhou o DSi, e popularizou bastante as animações no estilo flipbook, quadro a quadro. Com as possibilidades do novo sistema, imaginem o que não daria pra fazer no Flipnote!

A vontade de ter um 3DS logo no lançamento é tentadora, concordam? Isso até vermos o preço que o mítico aparelho chegará por aqui. 250 dólares, com multas e taxas deve passar os R$1000,00 facilmente, e aí a vontade vai para o ralo. Mas também tem outro fator que não me anima muito a adquirir o aparelho tão subitamente: as futuras versões. Provavelmente, em breve a Nintendo deve lançar upgrades do 3DS, quem sabe um 3DS Lite ou 3DSi, ou até 3DS LX? (risos!). Brincadeiras à parte, claro que os nomes seriam outros, mas isso é quase certo de acontecer, e também bastante natural, portanto creio ser mais válido esperar um pouco, e ver como o público reagirá a essa nova tecnologia, e aguardar as próximas versões, que talvez corrijam o "problema" da bateria ou algum outro que o sistema venha a ter, a exemplo das evoluções do primeiro modelo do DS original até o XL.

Para concluir, vídeos de alguns jogos (lembrando que o efeito 3D não é visível senão no próprio 3DS):























quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dica de leitura: O Homem que Sabia Javanês (conto)



Hora de voltar a falar de literatura, mas não de um livro em específico, como tem sido os últimos Dica de Leitura, dessa vez vou falar de um conto em particular, um conto que merece grande destaque. Trata-se de O Homem que Sabia Javanês, de Lima Barreto, um clássico de nossa literatura, bastante conhecido por alguns, e igualmente desconhecido por outros.

Desde os tempos do colégio, já tinha conhecimento desse texto, das aulas de literatura, mas nunca tivera a oportunidade de lê-lo. Tudo o que sabia a respeito é que a história falava sobre uma pessoa que dizia saber javanês sem nunca ter falado uma palavra do idioma, e esse simples fio me deixava bastante curioso para saber como a trama se desenrolaria.

Um tempo depois, em certa ocasião, creio que na bienal do livro, no ano de 2004, me deparei com esse livrinho, intitulado O Homem que Sabia Javanês e outros contos. Lembrei-me de imediato do fascínio que tinha por esse título, e por descobrir esta história, e pelo simplório preço de R$1,00 eu o adicionei às compras da época. Se eu o li? Não! Mesmo empolgado, na época acabei pegando direcionamentos de outros livros, de autores como Lawrence Block (criador do famoso personagem Matt Scudder) e Lúcia Machado de Almeida (consagrada por livros infanto-juvenis, como Spharion e os da série Xisto), além de ter começado a desenvolver mais o gosto pela escrita, e o livrinho acabou acomodado na estante, indefinidamente, ao lado de vários outros, quase desaparecendo de vista no meio dos mais volumosos.

E passaram mais vários anos sem que eu soubesse, afinal, quem era o tal homem que dizia saber javanês. Mas, como certas coisas só acontecem quando devem realmente acontecer (ou tudo acontece no seu devido tempo), mês passado, eis que vejo passando uma chamada na TV Escola (canal que sempre assisto, e recomendo, por ter ótimos programas sobre literatura e documentários diversos) de uma adaptação do conto O Homem que Sabia Javanês, com grandes atores, como Sérgio Mamberti (o tio Vitor do Castelo Rá-Tim-Bum) e Carlos Alberto Riccelli. À medida que a chamada passava, comecei a entender um pouca mais a história (que me parecia ainda mais interessante do que imaginava), e fui novamente fisgado pela vontade de conhecer a obra original, uma vontade adormecida há anos, que agora voltava com grande intensidade. Geralmente, em adaptações baseadas em livros, creio que o ideal seja ler antes de assistir, para não termos só uma visão formada pela imagem, e sim nós mesmos criamos nossa própria imagem, sem a "facilidade" da imagem pronta, se é que me entendem!

O filme (sim, tem quase 1 hora de duração) seria exibido no dia seguinte, à noite. Eu sabia que o conto não era muito extenso, mas me precavi e fui logo ao encalço do livro, que, felizmente,  não demorei muito a localizar. Meu objetivo era também gravar o filme (e de fato gravei), mas queria já ter conhecimento da obra antes de ter contato com a adaptação, e me pus a lê-la, o que foi tranquilo, uma vez que é um conto bem pequeno (umas quinze páginas do livrinho).

Fiquei maravilhado ao final da leitura! É um texto rápido, enxuto, irônico, que trata, em linhas gerais, de como o comportamento humano pode ser facilmente manipulado, em uma crítica singela ao comodismo, a como o pensar deve estar colado ao agir. Vou falar um pouquinho da história, algo que não costumo fazer, mas apenas para melhor poder comentar!

O conto gira em torno de Castelo e Castro, dois amigos que conversam, em uma mesa de confeitaria, a tomar uma cerveja, em meados do início do século XX. Lá o primeiro começa a contar suas inúmeras histórias, surpreendentes, entre elas aquela que o celebrou: professor de javânes! O fato é que o tal sujeito, um malandro por natureza, nunca chega a falar nenhuma palavra do idioma, e vende apenas a ideia de que o ensina, após ver um anúncio em um jornal. Mas, diferente do que eu pensava inicialmente, ele não foi assim tão ignorante, e tratou de aprender um básico sobre a língua javanesa. Através de uma pequena pesquisa, conheceu um pouco do idioma – mas nunca o suficiente para ousar se passar por professor. Quando se depara com o seu aluno, então, percebe a situação onde se meteu! Ele terá que ensinar um velho barão a ler um antigo livro em javanês. E aí começam os problemas? descobrem a farsa? Não! Aí é que começa o seu triunfo, de maneira surpreendente!

É realmente muito interessante observar as mudanças pelas quais o caráter e conduta de Castelo, protagonista da história, vão mudando com a evolução desta, à medida que se afeiçoa ao barão, com a projeção a que chega o seu "golpe" e também os comentários de Castro, seu amigo, que acha tudo aquilo quase inacreditável, entre um gole e outro de cerveja. A trama prende fácil, e em certos momentos nos vemos até interessados em também aprender um pouco mais sobre a ilha de java e as línguas malaio-polinésias. Ao final, temos uma sucinta reflexão: podemos ser tudo o que queremos, se realmente acreditarmos, e a figura do malandro passa então a respirar ares quase heroicos.

Com estes ideais, assisti à adaptação do conto, e também me surpreendi. Toda a atmosfera do texto estava lá, em uma ótima ambientação, com grandes atuações do elenco, que trazem à vida a história do "professor" de javanês com excelente fidelidade. O fato de já conhecer o desenrolar da trama ajudou bastante, e me permitiu ter uma visão diferente da encontrada nas páginas do texto, em parte por alguns pequenos pormenores diferentes da obra original, que deram um ar mais dramático, mas não menos cativante à história.

É engraçado como certas coisas acontecem, não é? Não fosse eu ter visto a chamadinha do programa, numa hora em que eu poderia estar fazendo qualquer coisa – ao invés de estar diante da TV – não teria tomado conhecimento da existência dessa adaptação e, muito provavelmente, o livrinho de contos ainda estaria desaparecido entre os outros. É, tudo acontece realmente quando deve acontecer. Ter lido este conto agora foi fundamental para mim, uma vez que vejo nele uma linha de texto bem semelhante a que gosto de fazer; quase um realismo fantástico, mas que dentro de seu meio, se torna totalmente aceitável.

Além de tudo isto, o texto me motivou também a conhecer os demais contos da antologia, e, obviamente, um pouco mais sobre Lima Barreto, que é autor do também clássico Triste Fim de Policarpo Quaresma. E por que não até um pouco de javanês? (risos!).  Enfim, uma excelente leitura que recomendo veementemente a todos os bons leitores!

O livrinho pode ser achado em qualquer boa livraria a preços módicos. O texto, que já é domínio público, pode ser lido facilmente neste link. Mas seja no livro físico, ou na internet, o importante é ler!

Abaixo, algumas imagens da adaptação do conto O Homem que sabia Javanês, de 2004, exibido recentemente na TV Escola, mas que também, pelo que pesquisei, já passou no Canal Brasil:












Infelizmente não encontrei sequer um trailer desta versão (apenas de outra de 1994, que ainda desconheço, mas pelo que vi foge um pouco mais da linha original), mas, por estas imagens, já dá pra ter uma pequena ideia da produção, não é?

É isso, já falei demais. Agora é com vocês, prezados, leiam o conto!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Corus Chess agora é Tata Steel Chess


Xadrez! Um tema que adoro, e que não falo por aqui há tempos! Lembrei-me esses dias de que janeiro é mês do conceituado torneio de xadrez Corus Chess, e resolvi buscar alguma informação a respeito da edição 2011 (apesar de estar mais uma vez em falta com o xadrez!). O torneio já começou, e continua lá, na mesma cidadezinha, Wijk aan Zee, na Holanda, mas com uma singular diferença no nome, que agora é Tata Steel Chess. Isso mesmo, Tata Steel Chess. Tão severa mudança se deve à companhia indiana Tata Steel, que comprou o grupo Corus (uma negociação que estava em vista desde 2006, e teve até disputa com a Companhia Siderúrgica Nacional), e alterado algumas coisas, entre elas o nome do torneio (que até soa, à principio, pouca credibilidade). Mas tudo bem, isso não deve impedir o avanço dos peões, não é?



É claro que não! Pois, como disse, o evento teve início no dia 14, e irá até o dia 30. Não sei exatamente a quantas andam as partidas, mas a composição dos grupos de GMs é bem forte. Cito os do grupo A, como exemplo:


Participants of grandmaster group A
Name
Country
Rating
Position
GM
Magnus Carlsen
NOR
2814
1

GM
Viswanathan Anand
IND
2810
2

GM
Levon Aronian
ARM
2805
3

GM
Vladimir Kramnik
RUS
2784
4

GM
Alexander Grischuk
RUS
2773
7

GM
Hikaru Nakamura
USA
2751
10

GM
Ruslan Ponomariov
UKR
2744
11

GM
Ian Nepomniachtchi
RUS
2733
15

GM
Wang Hao
CHN
2731
17

GM
Alexei Shirov
SPA
2722
24

GM
Maxime Vachier-Lagrave
FRA
2715
31

GM
Anish Giri
NED
2686
52

GM
Jan Smeets
NED
2662
82

GM
Erwin l'Ami
NED
2628
138


Average rating
: 2740
Category
: 20
FIDE-ratings of January 2011

A maior surpresa até agora é a derrota do atual número 1 do ranking da FIDE, Magnus Carlsen, para Anish Giri, em apenas 22 lances (com um erro feio de Carlsen, mas, enfim, jogo é jogo).
Bom, quem quiser mais informações, pode ir ao site oficial do evento, onde também dá pra assistir às partidas em tempo real, além de vídeos e fotos dos principais fatos, no decorrer do torneio. Fãs e praticantes de xadrez, ótima oportunidade para aprender com os melhores! Eu já vou tirar aqui o tabuleiro do armário...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Game: GoldenEye 007


Como o tempo passa rápido! Lá se vai quase um mês sem nenhuma nova postagem por aqui. Nosso dia-a-dia às vezes é tão corrido, que devo dizer que mal vi esse tempo passar. Os últimos dias, entre a postagem anterior e esta, passei ainda imerso no livro do pequeno príncipe (um livro maravilhoso, leiam!), e enfim conclui minha análise da obra, mas isso já é assunto para outras postagens. Enfim, vou retomar falando de um tema um pouco diferente das últimas postagens, mas que também é uma de minhas áreas de interesse e, claro, lazer: games.

Já fiz algumas postagens sobre o tema, mas esta é a primeira sobre um jogo em específico. Esta é uma postagem dedicada aos fãs de videogames, em especial os que viveram a época tão boa que foi o lançamento deste jogo, há quase 14 anos, e se surpreenderam com sua qualidade. Um de meus jogos favoritos: GoldenEye 007, lançado originalmente para o Nintendo 64, em 1997, que se tornou célebre, sendo conhecido hoje como clássico absoluto e um precursor no gênero. Foi baseado no filme 007 contra GoldenEye (1995) e ajudou consideravelmente na divulgação do filme (e vice-versa!). Quem jogou, sabe do que estou falando =)

Em novembro do ano passado, saiu uma nova versão desse jogo, para o atual videogame da Nintendo, o Wii. Comprei o jogo um pouco depois do lançamento, mas constatei o que já tinha quase certeza: GoldenEye para Wii não carrega a atmosfera mágica e cativante do título original, embora tenha lá seus bons momentos. O jogo foi desenvolvido pela Eurocom, uma empresa que já tinha feito alguns jogos com James Bond, mas que sem dúvida atingiu seu ápice nesta produção. Contudo, era mesmo muito difícil se conseguissem superar (ou mesmo igualar) a magia única trazida pela Rareware, empresa responsável pelo título no Nintendo 64.

Uma das mudanças mais drásticas entre os dois títulos é a troca de Pierce Brosnan por Daniel Craig, como James Bond, além de leves modificações no desenrolar da história, que continua seguindo a trama do filme. O modo multiplayer, famoso e cativante no original, por permitir memoráveis partidas de até 4 jogadores simultâneos, está de volta e dessa vez até com suporte online (embora um pouco decepcionante). Para finalizar, mostro a introdução do novo jogo, que é um dos destaques deste. A música tema, cantada no filme por Tina Turner, foi especialmente regravada por Nicole Scherzinger:

(Assista em 720P)




No GoldenEye 007 de 1997, não tínhamos uma abertura como essa (devido às limitações do sistema), mas ela bem que tinha lá seu charme:





Para os fãs do jogo, como eu, um último vídeo, que mostra algumas similaridades entre os dois jogos:





Enfim, o novo GoldenEye 007 é um bom jogo, mas não deve ser comparado ao clássico de 1997, que fez história e virou referência a quase todos os jogos de tiro posteriores. Infelizmente, a versão do Wii não traz nenhuma grande novidade, e apenas se firma nas bases de outro jogo de sucesso recente, a série Call of Duty, o que o faz um título agradável, mas não deslumbrante. Está sendo legal jogá-lo, e aposto que todos que jogaram o original irão gostar (depois de se acostumar à nova jogabilidade, claro), porém, mais uma vez, não esperem ver um GoldenEye como o de 1997. Sob certos pontos de vista, é praticamente outro jogo.

O fato é que foi feito muito alarde em cima do lançamento desta nova versão (com as inevitáveis comparações com a antiga), e, exatamente por isso, era de se desconfiar que o produto final poderia decepcionar um pouco (creio que a pressa para lançar logo o jogo acabou comprometendo alguns pontos). Mas o melhor de toda essa falação é ver também o jogo antigo de volta aos holofotes, e como nos lembramos dele ao passar por eventos e situações similares na versão do Wii.

No final das contas, GoldenEye 007 é um ótimo jogo de Wii, mas sempre é válido tirar a poeira do Nintendo 64, e relembrar aquele que ainda se mantém como um dos melhores jogos já criados. Eu ainda jogo sempre que posso :D