Frases


"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

III Semana da Animação – DIA 2011



E hoje é o DIA! O Dia Internacional da Animação, evento tradicional que reúne mostras de curtas nacionais e internacionais, acontecendo simultaneamente em muitas cidades, chega à sua oitava edição.

Aqui em Fortaleza, as mostras do DIA serão exibidas no encerramento da III Semana da Animação, evento que desde a última terça (25) tem "animado" a cidade! Já dei boas informações sobre a Semana aqui no blog, mas nunca é demais recomendar uma visita no blog oficial, onde há a programação e informações completas.

Quem puder vir (Casa Amarela Eusélio Oliveira, na Av. da Universidade) não deixe de aparecer para assistir a animações de qualidade e bater um papo descontraído com os coordenadores da III Semana! Teremos pipoca gratuita para as mostras!

E um ótimo DIA a todos!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

III Semana da Animação – A todo o vapor!



Hoje foi o terceiro dia de nosso evento, que está trazendo animação de qualidade para Fortaleza, além de uma vasta programação com oficinas e seminários. Mas tudo isso já devo ter falado antes, é verdade!

Bom, durante este evento, tenho me dedicado praticamente em tempo integral a ajudar meu irmão Diego, em boa parte dos processos e registros. Têm sido dias cansativos, longos e caóticos até, mas reconfortantes, quando vemos o resultado de tanta determinação em levar a Semana da Animação adiante. O retorno do público é animador! Todo o pessoal do NUCA – Núcleo de Cinema de Animação Casa Amarela Eusélio Oliveira, que também faz o evento, está de parabéns.

Esta imagem acima mostra exatamente como têm sido estes dias para mim. Venho colaborando, entre outras coisas, com os textos do blog da Semana, além de manter informações em tempo real pelo twitter, a medida que as atividades vão ocorrendo. Em breve trarei para cá postagens mais detalhadas, sobre todos os dias do evento. Já há várias páginas anotadas em meu bloquinho sobre a III Semana e também sobre a edição do ano passado, que já queria ter feito há tempos, como falei também em outro post recente.

E amanhã é o último dia da III Semana! Quem for de Fortaleza, não perca essa chance! A programação é inteiramente gratuita. Não deixe também de acompanhar as últimas notícias do evento no blog oficial do mesmo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

III Semana da Animação – Vinheta!





Amigos, já está no ar a vinheta da III Semana da Animação! Meu irmão, Diego Akel, mais uma vez mergulha de cabeça no projeto, e além de coordenar o evento, ele fez esta bela vinheta em tempo recorde!

As três cores, azul, verde e azul, referência das cores aditivas, ou RGB, são a base da imagem em vídeo. O olho demonstra amplitude, atenção e audiência. É como se todos estivessem literalmente respirando imagens no período do evento, o que aliás é um dos objetivos do mesmo!

Um trabalho com um certo ar minimalista, mas sem deixar o tom caótico e inquieto sempre presente nos trabalhos de Diego!

E vamos que vamos! A III Semana começou ontem, com um grande público na Casa Amarela, aqui em Fortaleza. Em breve postarei mais detalhes do evento aqui.

Também estou fazendo postagens especiais no blog oficial do evento, não deixem de dar uma olhada!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

III Semana da Animação!



Começa amanhã (25), aqui em Fortaleza, a 3ª edição da Semana da Animação, evento que desde 2009 visa impulsionar e valorizar o cinema de animação autoral, dando ênfase ao trabalho de artistas locais, mas também reunindo obras internacionais, em mostras e sessões especiais. O NUCA – Núcleo de Cinema de Animação Casa Amarela Eusélio Oliveira, mais uma vez será o palco principal das atividades.

A Semana da Animação traz ainda oficinas e seminários, este ano focados em técnicas como o versátil Flipbook até o 3D digital.  Finalizando a programação, teremos ainda a mostra do DIA (Dia Internacional da Animação).

Meu irmão Diego Akel, juntamente com Telmo Carvalho, do NUCA, estão novamente à frente com a organização geral do evento. 

Mais uma vez, também, terei o prazer de colaborar com atualizações no blog do evento. Por falar nisso, fiquei de postar aqui uma breve retrospectiva da II Semana, do ano passado. Devido a alguns contratempos, ainda não foi possível, mas, aproveitando a deixa da vindoura edição 2011, darei um jeito de apressar as coisas, e logo mais tudo estará aqui. Por enquanto, vejam algumas das fotos das edições passadas, de 2010, e também de 2009, que marcou a estreia do evento, aqui.

É isso, se puderem, não deixem de comparecer para conferir nossa programação, que será inteiramente gratuita! Nos vemos lá!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Livro: Bartleby, o escriturário


Fotos: Diego e Denis Akel

Já estava praticamente decidido a finalmente ler O exército de um homem só, de Moacyr Scliar – um livro que há tempos está na minha mira – mas quando estava procurando por ele na estante, dei com este outro livrinho, que já tinha comprado há tempos, na esperança de lê-lo num futuro não muito distante. Como se trata de um livro fininho, e com um mote que tinha tudo que me atraía, resolvi ceder-lhe a vez na leitura.

O que mais me chamou para comprar esse livrinho não foi o fato de ele ser de autoria de Herman Melville, autor do clássico Moby Dick (pelo menos não a princípio). A pequena e breve sinopse contida nas costas dele, sim. Claro que geralmente as palavras contidas nesta parte são justamente com este fim, de fisgar o leitor, mas elas exerceram em um fascínio maior, instantâneo, quase como se tivessem sido escritas para mim, se é que me entendem, por tratar-se de um tema realmente inesperado e absurdo, bem ao estilo que gosto de compor minhas histórias, quando escrevo.

A ideia geral é bem simples, a princípio. Um sujeito que trabalha em um escritório, subitamente, passa a se recusar a trabalhar, contrariando seu chefe. É justamente essa simplicidade que coroa a complexidade da obra.

Narrado viva e realisticamente pelo próprio chefe, que detém um pequeno escritório na Wall Street, a história foca Bartleby, que havia sido contratado como auxiliar de escritório, para ajudar nas cópias e revisões de documentos, ou seja, trabalhar como escriturário. É interessante observar como o dono do escritório é bastante arguto e observador, gostando de traçar perfis de seus funcionários, com um certo ar de superioridade. Porém, se vê desarmado e quase incomodado diante de Bartleby.

Bartleby mostra-se, a princípio, extremamente produtivo, um exemplo de funcionário. Até que certo dia vem a bomba, quando, sem qualquer explicação, ousa responder às ordens de seu chefe com um surpreendente "Prefiro não fazer". É a partir daqui que temos uma reviravolta, em todos os aspectos. O dono do escritório se vê desorientado diante daquela situação. Como reagir àquela inesperada insubordinação? O mais curioso é que Bartleby nunca é mal-educado ou rude. Mesmo recusando-se a trabalhar, ele mantém a calma e frieza. E é bem isso que o torna insuportável.

Cada vez mais, esse comportamento incomum vai perturbando e quase fascinando o dono do escritório, que passa a observar Bartebly continuamente. Tudo nele parece estranho. Trata-se de uma pessoa, aparentemente, sem passado, sem família e, de certa forma, quase sem vida.

Seu patrão, claro, poderia demiti-lo de imediato, e por fim àquela estranha situação, correto? Mas será que ele pode mesmo fazê-lo? Temos aqui vários questionamentos e reflexões referentes à ética, culpa, fragilidade e inocência. Se demitisse Bartleby, não estaria sendo injusto? Quem sabe aquilo fosse apenas uma fase ou algo parecido? E se nunca mais o coitado tivesse uma oportunidade na vida? Pensamentos parecidos povoam a mente do dono do escritório, que vê sua vida tomada por esse repentino, silencioso e enigmático peso, que Bartleby passou a se tornar. Representado ainda como uma figura apática, magra e quase inexpressiva (o que faz nutrir justamente esse sentimento de pena e culpa, razão pela qual o narrador hesita em reagir).

O livro instiga, e flui surpreendentemente rápido, à medida que vamos acompanhando e tentando, junto com o narrador, entender Bartleby. É um personagem único, ousado, que quebra conceitos e destrói certezas, fazendo repensar valores, tudo isso sem dizer praticamente nada, afinal, ele prefere não dizer!

Além de todo este enredo intrincado e surpreendente, o livro tem ainda uma acentuada carga de humor negro, pois de tão absurda e fantástica, a situação chega a parecer uma brincadeira, uma situação cômica. Mas se desenha igualmente com ares de tragédia, numa interessante mistura de sensações.

Outro detalhe que também me chamou muito a atenção foi o fato de a história, ambientada no século XIX, nos fazer imaginar como é a rotina de um escritório de advocacia nesse período. Não há muitos elementos que façam essa descrição, então ficamos apenas com nossa imaginação, pensando como seria a rotina e disposição do lugar, provavelmente ainda à luz de velas. Acabamos involuntariamente tentados a encaixar o escritório nos tempos atuais, dada a proporção e atemporalidade da história, mas não podemos nos esquecer de que ela já tem mais de 150 anos. Contudo, segue constante, atemporal, como um clássico, que sobrevive às novas eras e gerações.

Enfim, uma leitura deliciosa, intrigante, reveladora, a cada página. Não deixem de ler! A L&PM Editores tem essa ótima edição, por R$8,00, se não me engano.
Bom, procurei dar um rápido panorama desta breve e fascinante história. Um último comentário: a história de Bartleby, é, no fundo, a história de todos nós. Essa percepção é incrível!

E querem saber? Prefiro não dizer mais nada!


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Teatro e dança: As Três Irmãs


OBS: Fotos de divulgação do espetáculo, retiradas do Google (exceto as duas referidas).


Já estava previsto fazer esse post há pelo menos uns três meses, época em que ele 'aconteceu', mas somente agora pude enfim terminá-lo. Não sei se o espetáculo ainda está sendo apresentado...

Desde que assisti à peça A Galinha Degolada, ganhei grande interesse por teatro, por várias razões, entre elas a tênue linha que há entre ele e a literatura, como mencionei na postagem sobre a peça, bem aqui.

Alguns dias passados dali, voltei ao SESC Iracema, aqui em Fortaleza, e deparei-me com um anúncio de outra peça: As Três Irmãs. A apresentação seria na semana seguinte. A princípio, imaginei ser uma adaptação da obra homônima, um clássico do escritor e dramaturgo russo Anton Tchékov, o qual muito admiro. Pensei, de cara, que seria algo parecido com o que vi na adaptação do conto de Horácio Quiroga, naquele outro dia. Fiquei bastante entusiasmado, até perceber, pelo cartaz, que não se trataria de uma encenação tradicional, mas de um espetáculo de dança, realizado pela Paralelo Cia de Dança. Contudo, ainda não muito familiarizado às estruturas teatrais, imaginei que haveria alguma narrativa, talvez contando uma parte da história ou algo parecido. Pelo sim, pelo não, resolvi procurar a peça para ler antes de assistir à apresentação.



Graças ao Google, não foi nada difícil achá-la, e naquele mesmo dia comecei a ler. Não era um texto rápido, como eu já desconfiava. A peça era composta por quatro atos, que juntos totalizavam 54 páginas. Ávido para ter logo uma visão geral da história, antes de assistir à adaptação teatral, dediquei um bom tempo dos dias seguintes a essas páginas.

Já no primeiro ato, percebi a força dessa obra. Personagens densos, ambientação precisa, grande carga filosófica e psicológica. Tudo se mesclava em diálogos intensos, formando uma atmosfera que prendia facilmente.
A trama desta que é uma das mais célebres peças de Tchékhov gira em torno de três irmãs, como diz o título. São elas Irina, Olga e Macha. As três vivem há anos em uma província russa, mas, desacreditadas da vida (exceto Irina, a mais nova), levam uma rotina monótona, e acreditam que voltar a Moscou, cidade onde passaram a infância, seja sua única esperança. Entre os demais personagens, estão ainda Andrei, irmão das três, vários militares e outros de apoio. Mas depois voltarei a falar da obra original.

Bem que me esforcei, mas não consegui ler tudo antes do dia da encenação. Li três atos, suficientes para já ter uma boa noção da trama. Imaginei ser mais do que o suficiente, uma vez que sequer tinha a certeza de que seria mesmo uma adaptação, o que, portanto, tornaria essa leitura não tão importante. Quando voltei ao SESC, no dia marcado, vi várias fotos de divulgação da peça, próximo à bilheteria. Por elas, pude ver, agora claramente, que se tratava mesmo de um espetáculo exclusivamente de dança. Três moças em poses de bailarinas. Não parecia haver mais nenhum personagem em cena e, pelas fotos, o cenário se resumia a um sofá.




Confesso que a princípio fiquei um pouco receoso, e até ligeiramente desanimado ao perceber que seria mesmo algo bem diferente do que eu tinha imaginado. Porém, pensei por alguns instantes. Seria uma oportunidade de ver algo novo, ainda desconhecido para mim. Um espetáculo que priorizaria o movimento e sua fluidez de uma maneira única. A Paralelo Cia de Dança ia apresentar um espetáculo inspirado na obra de Tchékhov, que não necessariamente buscava estabelecer um elo entre a literatura e a dança. Foi com estes pensamentos que comprei o ingresso e tomei um lugar à plateia.

No centro do palco havia um sofá, sobre o qual jazia um ursinho de pelúcia. Próximo do móvel, pendendo do teto, preso a algo que parecia um cabo, estava um buquê de rosas. Todos eles, sofá, ursinho e buquê, seriam peças importantes no desenrolar do espetáculo. Eis que surgem então as três atrizes. As três irmãs. Irina, Olga e Macha, e começam a executar suas coreografias.





Durante toda a apresentação, que durou cerca de 50 minutos, observei com grande fascínio todas aquelas evoluções. A coreografia tinha muita suavidade e leveza, sendo conduzida por uma música envolvente, com altos e baixos, em um ritmo e sintonia extaseantes. As três atrizes ora interagiam juntas, ora se afastavam, independentes, ficando quase isoladas uma da outra, usando toda a extensão do palco. Era como se cada uma estivesse em seu próprio mundo, vivendo as angústias e aflições de suas personagens. Na plateia, nesses momentos, tínhamos que alterar olhares entre as três, e mesmo assim, em certas horas, quase não conseguíamos acompanhá-las.

Uma coisa que também me chamou muito a atenção, assim como em A Galinha Degolada, foi a iluminação. O intenso jogo de luzes que se alternava de instante em instante, dando a cada movimento uma atmosfera única, uma emoção mais condizente, crível. Não foi à toa que vários fotógrafos circulavam em volta do palco, em busca dos melhores ângulos para suas fotos.





As arquibancadas que formavam a plateia estavam bem movimentadas, talvez não lotadas, mas pude perceber um público bastante interessado. Para mim, ainda pouco habituado a esse ambiente teatral, como já disse, tudo era novidade. Não pude deixar de notar como um espetáculo como aquele tinha seu toque peculiar e atrativo. Era surpreendente ver o que se podia obter com o fato de não haver qualquer diálogo, de toda a comunicação ser feita, expressada, somente através daqueles movimentos tão precisos, tão cuidadosamente coreografados e ensaiados. Inclusive, a atriz Joyce Barbosa, que interpreta Macha, é responsável também pela coreografia, figurino e direção artística. Ótimo trabalho!

Falando um pouco de simbolismos, de maneira bem livre e pessoal, o sofá, a meu ver, representava a estagnação, a prostração à qual as três se submeteram, a incapacidade de reverter a situação, que no texto da peça é retratado pela desesperança, que habita amargamente o coração delas. O ursinho talvez representasse um mínimo de alegria encontrado por elas naquela vida tão melancólica e sem sentido. O buquê, que começa pendendo do alto, de certa forma inatingível, seria o símbolo da esperança, tão almejada e perseguida pelas três. Em certos momentos, elas o jogam ao chão, como que incertas de suas decisões.



Quando as luzes se acenderam, toda a plateia prorrompeu em aplausos. Comecei a refletir algumas dessas sensações, enquanto olhava as três atrizes no palco, que agradeciam a ovação. Elas avisaram que fariam ainda um breve momento de conversa com o público, onde explicariam em termos como foi o processo de criação do espetáculo. Porém, boa parte dos presentes se levantou quase incontinente, deixando as dependências da sala. Os que permaneceram, puderam ouvir detalhes dos bastidores da produção, da concepção da ideia à montagem do espetáculo. Se não me engano, a produtora também subiu ao palco, onde foram feitos também comentários sobre a obra original, de Tchékhov, e os pontos e singularidades escolhidos para servir como base da coreografia por elas criadas.

A plateia, ou o que sobrou dela, fez ainda algumas perguntas, que exploraram mais alguns pontos interessantes deste belo espetáculo. Aproveitei esses instantes finais para registrar, na medida do possível, o momento, através da câmera de meu celular. Seguem as duas imagens abaixo:








Nos dias seguintes, após a apresentação, terminei a leitura da peça, com grande entusiasmo. Como falei no início desse texto, esta obra de Tchékhov é impregnada de questionamentos filosóficos. As três irmãs, atormentadas pelas desventuras de sua rotinas, perguntam-se a todo o instante qual seria o sentido da vida, se é que há um. Repensam atos, ações, sentimentos. Discutem esses assuntos com os demais personagens, que também demonstram um viés filosófico. Por que vivemos? Por que sofremos? Será que tudo isso é em vão? Sendo assim, tanto faz o que fizermos da vida? Tais pensamentos, levantados em extensos e complexos diálogos, nos faz repensar conceitos e até mesmo nossa própria vida, de uma maneira arrebatadoramente profunda. Cheguei a fazer breves pausas entre um diálogo e outro para refletir melhor aquilo, e até marquei as passagens mais marcantes (assunto para um outro post, talvez?) Para mim, As Três Irmãs é, sobretudo, uma história de esperança, de uma busca por dentro de sim mesmo, uma vez que mostra os personagens exatamente como eles são. Não há grandes desenlaces ou conflitos dramáticos, propositalmente. Tchékhov, como é comum em suas obras, prefere retardar essa ação em prol do desenvolvimento psicológico de seus personagens. Isso é significativamente notado na rotina das três irmãs, com suas desesperanças e ideologias tão convincentes e intensas.

A Paralelo Cia de Dança conseguiu transmitir muito bem essa sensação de melancolia, apresentando poucos elementos em cena, priorizando ação e gestos automáticos, quase motores, refletindo a angústia de cada personagem, a inquietação de suas mentes, incapazes de reagir, de se erguer. Seu único ideal de esperança é a volta a Moscou. Será mesmo que esse é o único caminho?

E pensar que eu quase desisti de assistir! Foi uma das experiências mais bacanas que passei ultimamente, pois me despertou para muitas coisas as quais ainda não conhecia, como a dança e essa incrível peça de Anton Tchékhov!

Parabéns às três atrizes e a toda a equipe que participou desse espetáculo!

Ah, mas agora não posso esconder o desejo de assistir também a uma encenação tradicional da peça, que é uma das mais representadas no mundo cênico!

Bom, vou parando por aqui! Para finalizar, vejam mais detalhes sobre a Paralelo Cia de Dança no site oficial do grupo. E, claro, leiam a obra As Três Irmãs aqui!


domingo, 18 de setembro de 2011

Pizza de Liquidificador


Fotos: Diego e Denis Akel

Cozinhar sempre foi uma arte que me chamou muito a atenção, embora ainda nunca tivesse me aventurado propriamente por ela. Quando pequeno, gostava de acompanhar minha mãe na cozinha. Não entendia bem algumas coisas, mas adorava ver como pratos tão saborosos brotavam de ingredientes aparentemente tão simples e comuns.

Com o passar do tempo, e surgimento de outros interesses, nós acabamos desviados muitas vezes na vida, ou simplesmente adiando tal coisa para um futuro incerto. Bom, prefiro acreditar que tudo tem o seu tempo certo para acontecer, como já disse aqui em textos anteriores.

Minha sede de cozinhar e começar a explorar o mundo culinário começou recentemente, quando vi numa livraria esse simpático livrinho que estampa esta postagem, da ótima L&PM Editores, uma editora que muito admiro. Além da capa, que de cara já achei interessante, comecei a folheá-lo por curiosidade, e fui percebendo sua abordagem rápida, direta e funcional, principalmente por se referir a receitas feitas usando-se o liquidificador como base. Naquele mesmo instante, decidi que seria uma ótima oportunidade de iniciar esse caminho.

As receitas do livrinho assinado pelo Anonymus Gourmet, além de tudo, são bastante variadas, indo de lanches rápidos a receitas completas para almoço e jantar, e até sobremesas. De imediato, uma das receitas que mais chamou minha atenção foi a pizza de liquidificador, e foi justamente por ela que resolvi começar. Poucos dias depois, comprei os ingredientes. Numa noite de domingo, comecei o procedimento.




À medida que fui trabalhando os ingredientes, com a supervisão de minha mãe (caso algo desse errado!), fui percebendo como é mesmo um ritual quase mágico o de se preparar algo na cozinha, a transformação pela qual os alimentos vão passando, de pouco em pouco, até se chegar ao resultado esperado. A massa da pizza, por exemplo, precisa de leite, ovos, óleo, sal, açúcar, farinha de trigo e fermento, tudo em porções controladas, que em qualquer variação de quantidade alteram significativamente as características da massa. Ou seja, é preciso que tudo esteja em harmonia para um resultado positivo.

Munido do livrinho, fui desenrolando a receita, ainda bastante na inocência do passo a passo. Pensei em fazer algumas modificações e colocar outras coisas, mas como ainda era a primeira vez, acreditei ser melhor seguir o roteiro. Numa próxima vez eu poderia experimentar mais à vontade.

Estando a massa pronta, levei-a ao forno, onde assaria por alguns minutos. É muito bacana também acompanhar o andamento da massa pelo vidro do fogão. Durante esse tempo, de livrinho na mão, fui fazer a cobertura da pizza, que leva cebola e sardinha, banhadas por molho de tomate, tudo em uma frigideira. Foi mais uma etapa interessante, observar a fusão desses ingredientes, o crepitar da chama, e o espesso molho que começou a se formar quando misturei tudo. Era engraçado como o refogado se parecia muito com um molho bolonhesa (o que deixou a pizza com uma certa cara de lasanha!). Ao final, acrescentei esta mistura à massa, despejando de maneira uniforme.




Que sensação boa aquela, ao ver o prato pronto, ali na minha frente. E melhor, sem ser pedido de nenhum restaurante. Cozinhar em casa tem essa gigantesca vantagem. É como se nos afeiçoássemos ao prato durante seu preparo, cuidando dele com toda a atenção, o que eleva significativamente sua importância – o oposto dos pratos que pedimos ou compramos prontos, cujo único trabalho que nos comete é comer. Minha pizza talvez não tivesse exatamente cara de pizza, por ter sido feita num refratário retangular (era o que dizia a receita!), mas o sabor estava ótimo! Bastante suave, massa consistente, com a cebola acrescentando um toque sutil, mas que fazia o diferencial. Então foi só me deliciar, juntamente com o pessoal aqui de casa, com essa ótima e prática receita, que além do sabor que sentíamos no paladar, tinha um sabor de conquista pessoal, se é que me entendem!

Claro que eu não poderia finalizar sem passar a receita completa, não é mesmo? Lá vai ela, tal qual no livro:




PIZZA DE LIQUIDIFICADOR - Anonymus GOURMET

Ingredientes:

2 ½ xícaras de leite;
2 ovos;
½ xícara de óleo;
1 pitada de sal;
1 pitada de açúcar;
3 xícaras de farinha de trigo;
1 colher (sopa) de fermento químico;
1 copo de molho de tomate;
2 latas pequenas de sardinha em óleo;
1 cebola;
100g de queijo ralado.

Obs:. Quando fiz esta receita, usei queijo mussarela, cortando pedaços de fatias com as mãos. Foi mais ou menos 100g, mas muita gente acha essa quantidade pouca, então fica ao gosto de cada um!

Preparo:

1 – NO LIQUIDIFICADOR: comece pela massa. Bata o leite, os ovos, o óleo, o sal, açúcar, farinha de trigo e o fermento.

2 – Unte com óleo (pode ser o da sardinha mesmo) uma forma retangular pequena e arrume a massa ali dentro. Espalhe bem e leve ao forno preaquecido por, em média, 25 minutos. A massa ficará assada.

3 – Numa frigideira com óleo (também pode ser o da sardinha), frite a cebola e junte a sardinha, sem o óleo, previamente esmagada com a ajuda de um garfo. Mexa e acrescente, aos poucos, o molho de tomate. Misture e arrume o refogado em cima da massa assada. Finalize com o queijo ralado e leve ao forno novamente para derretê-lo.


Ah, o manjericão foi um extra por nossa conta!

Bom, vou continuar com minhas experimentações na cozinha, testando mais receitas e fazendo novas descobertas. Cozinhar é, além de tudo, uma ótima terapia, que nos distrai e nos motiva, além de ser extremamente prazerosa. Acho que um bom comparativo, falando livremente, seria comparar um prato vazio a uma tela por pintar, ou a páginas em branco, que estão à espera do artista, que irá transformá-las, com seu toque pessoal, em algo único. É como dizem, vivendo e aprendendo!




P.S (07.03.2012): Uma bela novidade: este post foi escolhido para figurar no site oficial do Anonymus Gourmet, vejam como ficou clicando aqui!