Frases


"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



domingo, 17 de julho de 2011

O Provável do Improvável



Esse título soa meio paradoxal, não? É mais ou menos essa a ideia que quero trazer à tona com meu novo blog, no ar a partir de hoje.

O Provável do Improvável é um espaço que criei para divulgar alguns contos e outros textos de minha autoria. Muita gente já tinha me perguntado se eu não postaria nada assim aqui. Inicialmente, tinha pensado em colocar sim alguns contos meus, mas à medida que fui expandindo os assuntos desse blog, percebi que eles ficariam talvez um pouco deslocados, sem muito destaque, uma vez que falo aqui principalmente de referências.

Um novo fluxo, especialmente para esse outro fim, se fez necessário. O novo blog também é um passo importante para ter uma ideia do que as pessoas acham de meus textos. Há um tempo atrás, eu tinha uma certa pressa em publicar logo um primeiro livro, mas após ver algumas entrevistas de escritores, como Moacyr Scliar, e ter conversado um pouco com Moacir C. Lopes na Bienal do Livro daqui, ano passado, percebi que publicar um livro é algo que requer paciência e plena certeza do que se quer publicar, principalmente se for um romance.

Assim, convido a todos para visitarem o novo espaço, lerem, e opinarem!


O Provável do Improvável 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Programa de TV: Entrelinhas



Não é novidade para ninguém que a programação da TV aberta é pobre e praticamente desprovida de bom conteúdo cultural e artístico (principalmente aos domingos), salvo pela TV Cultura, que sempre se focou em programas diferentes, inteligentes, uma vez que a emissora não está tão preocupada com brigas por números de audiência. São muitos os programas que se podem citar, tais como o memorável Castelo Rá-Tim-Bum ou o sempre versátil Metrópolis.

Mas o alvo principal desta postagem é um programa que algum tempo atrás eu imaginava não existir na TV aberta, um programa inteiramente dedicado à literatura. Descobri o Entrelinhas em meados do ano passado, e desde então me tornei telespectador assíduo!

No ar desde 2005, o Entrelinhas expõe o cenário literário contemporâneo com grande clareza e direcionamento, entrevistando escritores brasileiros e estrangeiros, cobrindo eventos literários, além de exibir eventualmente matérias bem completas sobre autores clássicos e suas respectivas obras – tudo com grande respeito ao telespectador e ao material abordado. Dicas e sugestões de leitura também são constantes no programa, o que torna quase obrigatório ter um papel e caneta próximos para não perder nada (é um verdadeiro banho de referências!)

O programa ainda é disponibilizado pela TV Cultura na Internet, o que é ótimo para quem não pôde assistir ou quer rever. Estou baixando todos os que posso para compor meu acervo de referências literárias!

Não tenho dúvidas de que a atração salva a programação de domingo da TV aberta (quiçá da fechada!). Ah, antes que eu esqueça, o Entrelinhas pode ser assistido todo domingo às 21:30, na Cultura. É incrível como ele consegue se superar a cada apresentação, um dos únicos poréns é que é bastante curto! É quase como um sopro, que quando percebemos, já foi!

Quem se interessa por literatura e ainda não conhece o Entrelinhas, já está na hora de mudar isso! Não quer esperar até domingo? Só ir ao YouTube ou ao Cmais e assistir aos inúmeros vídeos postados por eles!

Ahh, e nos próximos programas o Entrelinhas exibirá matérias e entrevistas especiais sobre a FLIP 2011, que aconteceu no início desse mês em Paraty!

Porque o melhor dos livros não está nas linhas, mas nas Entrelinhas do texto :D

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FLIP 2011!



E a edição 2011 da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) já está movimentando a cidade litorânea do Rio de Janeiro! Tendo começado no dia 6 de julho, o evento irá até domingo, dia 10.

Grandes autores, nacionais e internacionais, fazem parte, como de praxe, das muitas mesas e debates do evento, que este ano homenageia o visionário Oswald de Andrade (1890-1954), escritor, dramaturgo e ensaísta brasileiro.

Abaixo os convidados para este ano:

Andrés Neuman 
Antonio Candido 
Antonio Tabucchi 
Carol Ann Duffy 
Caryl Phillips
Claude Lanzmann
Davi Byrne
Edney Silvestre
Eduardo Sterzi
Emmanuel Carrère
Enrique Krauze
Gonzalo Aguilar
Héctor Abad
James Ellroy
João Cézar de Castro Rocha
João Ubaldo Ribeiro
Joe Sacco
Jhon Freeman
José Miguel Wisnik
Kamila Shamsie
Laura Restrepo
Luiz Felipe Pondé
Marcelo Ferroni
Marcia Camargos
Michael Sledge
Miguel Nicolelis
Paulo Henriques Britto
Péter Esterházy
Pola Olaixarac
Teixeira Coelho
Valter Hugo Mãe


A FLIP, já em sua nona edição, é sempre um evento obrigatório a todos os fãs e amantes da boa literatura, sem dúvida! Desde minha intensificação nessa área, em meados do ano passado, já conhecia o evento de nome, mas este ano pensei em ir a Paraty, para acompanhar e viver este grande momento no cenário literário brasileiro. Porém, pensei nisso meio tardiamente, é verdade, o que me impossibilitou a viagem. 

Mas quem disse que nos tempos de hoje, o fato de não estar em um lugar, pode impedir alguém de desfrutar um evento? Claro que não em sua totalidade, mas todas as principais mesas da FLIP 2011 estão sendo transmitas ao vivo diretamente do site oficial do evento e também pelo G1.

Quem não pôde estar em Paraty, acompanhando esta grande festa, é um enorme consolo, pois nos coloca quase como parte da plateia mesmo, litaralmente.

Os links abaixo nos põem em ótima sintonia com a FLIP:

Site oficial 
Twitter oficial
Flickr oficial
Facebook oficial
G1 trasmissão ao vivo (veja a programação no site)

É isso, vamos acompanhar o restante das mesas (que estão excelentes!) e notícias, pois ainda tem muita FLIP até domingo!

Ah, e desde já, começo a me planejar para a FLIP 2012...



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Shakespeare animado (II): Hamlet



Amigos, há um tempo atrás postei aqui no blog um curta animado bem interessante, uma adaptação da célebre A Megera Domada, de Shakespeare (quem não viu, clique aqui). O curta faz parte da série Shakespeare: Animated Tales, produzida pela BBC em meados dos anos 90, que traz diversas peças do grande dramaturgo inglês adaptadas sob as mais variadas técnicas de animação, como stop-motion, 2D etc.

Desta vez, postarei uma adaptação de Hamlet, talvez a mais conceituada das tragédias shakesperianas. Legendas em inglês, em um texto que busca uma proximidade com o orginal, daí tamanha erudição presente.

Quem já conhece a imortal história do princípe Hamlet, que luta para vingar a morte de seu pai, assassinado por seu tio, que usurpou-lhe o trono, irá se maravilhar vendo-a recontada em tão primorosa animação. Os que não sabem nada de Hamlet podem até achar enfadonho a princípio, mas garanto que não se arrependerão em se deixarem levar por alguns minutos, mesmo que não entendam precisamente todos os diálogos:












A qualidade desta obra me impressionou bastante quando a vi pela primeira vez; creio ser um dos mais belos episódios da série. A sutileza e fluidez da animação, juntamente com a trilha sonora, criam uma atmosfera bastante tétrica, perfeita para uma trama tão profundamente carregada de intensos valores, como traição e vingança.

Através de Hamlet, estou me aprofundando mais no vastíssimo universo shakesperiano, tão rico em interpretações e leituras, tão infinitamente extensível. Como diria um outro grande autor, cujo nome não me recordo agora, é quase como a eterna utopia de querer se chegar ao horizonte, uma vez que ele sempre estará à nossa frente.

Uma história trágica, mergulhada em dúvidas e receios. Um ideal de vingança, uma honra a ser lavada, realismo fantástico, e muito mais do que qualquer coisa que posso escrever por enquanto. Enfim, existem infindáveis perspectivas de se analisar Hamlet, como tem sido ao longo dos séculos. É algo realmente impressionante o impacto dessa obra. Guardarei mais comentários sobre ela para postagens futuras!

Bom, acho que um bom primeiro passo é se deixar levar pelo clima que este curta nos proporciona, e assim buscar entender à nossa maneira o complexo e fascinante mundo de William Shakespeare.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Fábulas de Esopo - A Raposa e o Bode



Após um tempo longe das fábulas, voltei esses dias a este universo tão rico e agradável. Escolhi mais uma das pérolas atribuídas a Esopo para abordar nesta postagem. Vamos a ela!


A Raposa e o Bode

     Uma raposa caíra num poço. Não havia como sair. Foi quando apareceu um bode sedento. Ao ver a raposa, perguntou-lhe se a água era boa. Diante de tanta sorte, a raposa começou a elogiar a água: não havia mais saborosa. E convidou o bode a descer também. Sem pensar duas vezes e só pensando em saciar sua sede, o bode desceu. Depois de beber à vontade, era hora de voltar à superfície: "como fazer?", perguntou à raposa. 
     – Eu sei – disse ela –, de uma boa saída, desde que tenhas vontade de nos tirar desse aperto: põe os teus pés da frente contra a parede e ergue os teus chifres; aí eu dou um pulo e saio. Uma vez lá fora, eu te puxo.
     O bode fez o que ela disse. Com a ajuda das pernas, das costas e dos chifres do bode, ela conseguiu, dando alguns pulos, voltar à boca do poço e, assim que se viu salva, foi embora. Como o bode a repreendesse por não ter cumprido o acordo, a raposa lhe disse:
     – Ah, meu caro, se tivesses tanta presença de espírito quanto pêlos no queixo, não terias descido sem saber como irias voltar.
     É preciso antever o final em tudo o que se faz.


Neste belo texto, vemos um bode, cego pela sede, se deixar levar pelas palavras da raposa, que se aproveita de sua necessidade, para se dar bem. Ela mais uma vez aparece sendo usada como símbolo de astúcia, persuasão, e também individualismo. O pobre bode, enganado, aqui representa justamente aqueles que se aventuram em determinado caminho, geralmente induzidos por alguém/algo sem plena certeza de onde estão indo.

A fábula traz uma moral interessante, sim, mas acho que em vários momentos não estamos aptos a sempre antever como tal situação terminará. Claro que podemos ser comedidos, controlados, mas dificilmente evitaremos todas as consequências. Na história, que alerta para este ponto, o bode não cogitou como sairia do poço porque havia uma preocupação maior: matar sua sede.

Podemos passar por situações parecidas, em momentos de certo desespero, e ignorar o que aparenta ser tão óbvio, não é mesmo? Não acho que isso seja particularmente ruim, pois o que não se faz na vida sem correr riscos? Muitas vezes se atirar em algo pode ter lá suas vantagens. É bom conhecer os caminhos por onde se trilha, mas o desconhecido por vezes pode revelar boas surpresas. O conhecido traz segurança, conforto, o desconhecido impera o medo, a ansiedade, mas muitas vezes acaba sendo rotulado erroneamente.

É preciso ser comedido, mas nem tanto, pois pensar demais muitas vezes só alimenta nossos medos!
Nos permitindo a olhar a fábula por outra ótica, se o bode tivesse percebido a arapuca em que se meteria, não teria descido ao poço, mas também não teria matado sua sede! De certa forma, ele pagou um preço alto pela água, mas conseguiu bebê-la. Como sair do poço passaria a ser um outro problema, agora que a sede deixara de ser sua preocupação, ele estaria apto a melhor pensar como resolvê-lo.

Evidente que a moral desta história não nos impõe uma ideia, mas nos expõe uma visão e nos faz refletir sobre diferentes pontos de vista, que se confrontam entre si, e cabe a nós percebê-los e relacioná-los, a fim de tentar compreender toda esta extensão.

Parem e reflitam por uns instantes!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Peça/Conto - A Galinha Degolada


OBS.: Imagens de divulgação da peça colhidas no Google

Há cerca de um mês, fui ao teatro. Pode soar engraçado, mas ainda não tinha tido a oportunidade de ir a um grande espetáculo, de certa forma devido a esse comodismo que tantas vezes nos priva, sem qualquer explicação, de fazermos coisas que tanto queremos. Mas, não é à toa que tudo tem sua hora certa de acontecer. Assim, tive uma grata surpresa ao ir ao Centro Cultural Dragão do Mar, aqui em Fortaleza, exatamente no dia em que seria encenada a peça A Galinha Degolada, baseada no conto homônimo de Horácio Quiroga.

Lembro de que tinha ido apenas para ver algumas exposições, mas assim que me deparei com anúncio da peça, no SESC Iracema, meus olhos faiscaram. Não tinha lido ainda este conto de Quiroga (só sabia que se tratava de algo dramático), mas já lera alguma coisa sobre o escritor, e parecia uma oportunidade perfeita de unir o útil ao agradrável. Comprei meu ingresso sem qualquer receio, e fui então ver as exposições antes do início da peça.

Ao voltar, deparei-me com uma enorme fila, com cerca de trinta pessoas, que foi outra surpresa. Não esperava todo esse movimento, e pensei que este talvez fosse um espetáculo em única apresentação. Após entrar, vi o palco e as arquibancandas, iluminados por uma fraca luz ambiente. Já quase não havia lugar livre, e tive que sentar bem na frente, diante do palco, onde já se vislumbrava um vulto de uma das atrizes, totalmente inerte, que se confundia com outros, que lembravam bonecos, aglomerados junto a ela. Pensava comigo mesmo, "seriam todos os atores já ali, enquanto o público se acomodava?"

Quando todos já estavam sentados (o que demorou bastante a acontecer, pois lotou o auditório), o espetáculo enfim começou. Era de fato uma das atrizes já no palco, e ela se ergueu assim que a iluminação local mudou de maneira natural, dando o ar de abertura à encenação. Junto a ela, quatro bonecos de aspecto sombrio e inquietante repousavam. Eu ainda não sabia, mas eles eram parte fundamental da peça.

E assim a encenação transcorreu. A história foi apresentada, outros atores entraram em cena, começaram a expor os conflitos, e eu pude aos poucos perceber toda essa atmosfera teatral, ainda inédita para mim e já tão fascinante, tão diferente de outras, como cinema e televisão.



Através dessa peça, um contundente e sufocante drama, percebi a intensidade da linguagem cênica. Diferente dos filmes, a ação está acontecendo ali, bem na nossa frente. Por mais que os atores tenham ensaiado exaustivamente, sempre parecerá a primeira vez, sempre terá que ter o mesmo peso. Outra coisa interessante é que não estamos limitados aos enquadramentos cinematográficos; podemos olhar para onde quisermos, buscar nosso melhor ângulo da peça a todo instante. Percebi isso mais claramente por estar sentado quase em cima do palco, e muitas vezes com os atores a poucos metros, no clímax de seus personagens.




A rotatividade deles, entrando e saindo de cena, os diálogos, as reviravoltas, os objetos em cena, a maquiagem e figurino, enfim, detalhes comuns a todos ligados ao teatro, mas bastante curiosos e interessantes para alguém que interaje com este mundo pela primeira vez. Inclusive, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o trabalho de iluminação. As luzes revezavam-se, para intensificar cenas dramáticas, e davam uma atmosfera bem realista. Alia-se a isso uma bela trilha sonora em momentos-chave e tínhamos no espetáculo um momento sublime, mágico.



Durante cerca de uma hora, todos esses elementos, somados ao talento dos atores e equipe de produção, levaram a história de um dos contos mais célebres do escritor uruguaio Horácio Quiroga a todos que assistiam. Triste, forte e de certa forma perturbador, o enredo de A Galinha Degolada tem uma força bem específica, e consegue marcar com grande facilidade. Lembro de que fiquei com a peça viva na cabeça dias após este. Tanto que uma das primeiras coisas que fiz após assistir a esse espetáculo, foi pegar o livro Contos de Amor, de Loucura e de Morte, de Horácio Quiroga, e ler A Galinha Degolada. E é ao conto, agora, que dedico as próximas linhas.

O primeiro parágrafo do conto já solta a bomba em nossa mão, vejam:  "O dia todo, sentados num banco no quintal, estavam os quatro filhos idiotas do matrimônio Mazzini-Ferraz. Tinham a língua entre os lábios, os olhos estúpidos, e viravam a cabeça com a boca toda aberta." Quatro filhos idiotas? Como seria isso? Por qual razão? (na peça, os filhos idiotas são representados por bonecos, seres desprovidos de vida, que vão de encontro à descrição de Quiroga).

Esse estilo narrativo, que já entrega a ideia geral do texto, sem qualquer rodeio, de maneira seca e direta, quase como um golpe em nossa mente, me lembrou bastante Franz Kafka, escritor tcheco, célebre por obras como A Metamorfose e O Castelo. Kafka costuma, em seus textos, ser direto e ágil, já expondo os fatos, sem se preocupar muito em explicá-los. Essa é uma linha muito interessante, sem dúvida, pois já nos coloca no meio do furacão.

Voltando a Quiroga, todas as quase onze páginas de A Galinha Degolada conseguem mexer com nossos sentimentos com grande propriedade, quase como um banho de inquietação. Os filhos idiotas são portadores de uma doença mental incurável, mas a maior doença que assola os quatro meninos é a falta de amor dos pais, retratada na maneira como tratam as crianças e a si mesmos. Quando o casal resolve ter um quinto filho, nasce uma menina, perfeitamente sadia, mas que desvela toda a conturbada relação de falta de amor e atenção que reina na família.

Ler esse texto após ter assistido ao drama foi uma experiência bacana. As cenas vinham à minha cabeça e completam as passagens do conto. Algumas, idênticas às encenadas, davam uma autenticidade ainda maior a toda essa mistura de sensações. Li ainda alguns outros contos de Horácio Quiroga, onde se percebe essa mesma carga, esse mesmo arrebatamento, que nos marca de alguma maneira, que pulsa e continua pulsando momentos após a leitura. Nas palavras do próprio Quiroga, no seu esclarecedor Decálogo do contista: "Não comece a escrever sem saber aonde ir. Em um bom conto, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância que as três últimas."

Fiquei com muita vontade, após ler o conto, de assistir novamente à peça, que acho que ainda está sendo apresentanda pelo Brasil. O espetáculo, na programação do projeto Palco Giratório, é produzido pela Persona Cia. de Teatro em parceria com a Teatro em Trâmite, com direção de Jefferson Bittencourt. Quem viu, sabe o quão marcante é, e aproveito novamente para parabenizar toda a equipe pelo ótimo trabalho realizada na adaptação da obra.



Todos estes acontecimentos recentes ainda desenvolveram em mim o gosto pelo teatro, esta arte tão antiga e tão representativa, tanto que estou buscando me aprofundar mais no assunto, visando quem sabe escrever ou até mesmo atuar!

Para finalizar, deixo vocês com um clipe do drama A Galinha Degolada:




Ah, claro! Não posso deixar de recomendar a leitura  do conto, bem aqui!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Manoel de Barros - Poesia animada



Estava pensando em fazer outras postagens antes dessa, mas como tudo na vida é suscetível a mudanças, resolvi postar e compartilhar logo essa animação, que tanto admiro. Além, é claro, de ser um tema que mistura as áreas principais aqui do blog: literatura e animação.

Antes de mais nada, descobri Manoel de Barros, poeta reconhecido por sua simplicidade – com as palavras e com a vida – em meados do ano passado, na ótima série de documentários "Paixão pela Palavra", exibida pelo Canal Futura. Na ocasião, cheguei a gravar quase todos os episódios e me surpreendi com cada minuto assistido. Coincidentemente, isso se deu na época em que comecei a me interessar mais por poesia.

Manoel de Barros nos mostra o quão simples é esta arte, e o quanto precisamos dela para melhor entender o mundo em que vivemos, para simplificar o que muitas vezes nós mesmos complicamos. Após assistir a esses programas, comecei a pesquisar mais sobre o poeta e acabei chegando ao twitter que o homenageia, que passei a seguir de imediato, e de onde, além das citações do mestre, se vê conteúdo referente a ele, como documentários, entrevistas e até animações, como esta que destaco aqui. Trata-se de um curta da exposição "Arte para Crianças". Sem mais, vamos assistir:



Não canso de ver! É um trabalho belíssimo, tocante, em todos os aspectos. A simplicidade dos traços, a narração precisa e contundente, a trilha sonora no ritmo certo. Tudo casa maravilhosamente bem com a pureza e inocência da poesia de Manoel de Barros, que transborda metáforas e sensações, que nos faz enxergar a complexidade da simplicidade. Brincar com palavras, de maneira inventiva, criativa, livre. Isso é o que toda criança devia ser ensinada a fazer, pois assim se pode fazer de tudo.

Como diz Manoel de Barros, poesia é voar fora de casa.