Há pouco tempo, postei alguns comentários sobre a obra máxima de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe (veja aqui), um livro fantástico, que consegue mudar nossa maneira de ver o mundo facilmente. Ocupei-me vários meses fazendo uma extensa análise do livro, e em breve devo postar uns trechos aqui. Mas, o assunto em questão, dessa vez, não é exatamente o livro, e sim o filme, como diz o título da postagem. Já tinha conhecimento da versão cinematográfica, porém é claro que preferi ter a primeira experiência da história diretamente no livro, para não ter uma visão apenas focada no filme.
Como já falei na postagem referente ao livro, passei vários meses mergulhado em suas páginas, maravilhando-me. Tive quase arrependimento por não tê-lo lido quando criança (o que me põe quase no papel do piloto, se é que me entendem!), e sem dúvida o considero uma das principais leituras que fiz nos últimos anos. Enfim, concluídas as duas leituras e análise que fiz da obra, me voltei então para o filme.
Lançado em 1974, a versão cinematográfica da famosa história de Exupéry traz à vida o principezinho, e grande parte dos acontecimentos do livro, mas também se dá ao direito de inserir alguns novos personagens e situações. Postarei mais algumas imagens do filme ao longo do texto.
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Richard Kiley como o piloto |
Como só descobri durante o filme, trata-se de um musical, onde as canções (belíssimas por sinal) se desenrolam em momentos chaves da história. Assisti, e devo dizer que fiquei maravilhado, com todo o conjunto da obra. Ao final, eu estava certo de que é um filme único, que, como o livro, tem o poder de cativar os que se deixam levar pela sua inocência, juntamente com suas valorosas citações e reflexões.
Cito um pouco do elenco principal: Richard Kiley como o piloto, Donna McKechnie como a vaidosa e temperamental flor, o famoso dançarino Bob Fosse como a serpente, Gene Wilder como a célebre raposa e Steve Warner como o Pequeno Príncipe.
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Steve Warner é a estrela do filme, no papel do princepezinho |
Bob Fosse, aliás, é o responsável por uma das cenas mais memoráveis, com sua performance – a dança da serpente. Bob inclusive teria influenciado bastante Michael Jackson, e essa cena não nos deixa dúvidas! E a raposa de Gene Wilder? Simplesmente perfeita, reproduzindo um dos momentos mais marcantes do livro. Já Richard Kiley faz um ótimo retrato do piloto, que vê no Pequeno Príncipe bastante de si, e repensa valores já quase esquecidos. Coube ao pequeno Steve Warner viver o principezinho, e ele o fez magnificamente bem. Sua candura reflete com graça uma ótima imagem do personagem, e ele parece atuar com tanta naturalidade! O curioso é que este foi o primeiro e único grande trabalho de Warner como ator (depois fez apenas papéis sem muito destaque). Atualmente, afastado das telas, ele trabalha como técnico de efeitos especiais para filmes como Gladiador. É... é melhor lembrar dele como o carismático e cativante princepezinho.
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Bob Fosse na célebre dança da serpente |
Algo que achei estranho, a princípio, foi ver os personagens animais interpretados por atores reais. Mas só por um breve momento, pois quando as brilhantes atuações (e a sensacional trilha sonora!) nos contagiam, esse passa a ser apenas um mero detalhe, que se torna perfeitamente cabível à proposta do filme, além de ser também um detalhe bem característico.
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Gene Wilder dá um toque especial à raposa |
Um outro detalhe no mínimo curioso sobre o filme é que ele foi uma produção americana/britânica, e não francesa, como haveria de se esperar. Aliás, é ainda mais curioso imaginar que até hoje nenhum diretor frânces não tenha filmado a obra, não é? Claro que o trabalho de Stanley Donen (mais conhecido por dirigir Cantando na Chuva), foi bastante preciso, mas seria interessante ver a visão de um cineasta frânces, como Jean-Jacques Annaud (de O Nome da Rosa) ou até Michel Gondry.
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A flor é interpretada por Donna McKechnie |
Por outro lado, temo um pouco ao pensar como poderia ser uma nova versão do Pequeno Príncipe, nesses tempos onde o 3D impera (Basta ver como saiu a Alice de Tim Burton). Que um filme como o de 1974, com aquela atmosfera, aquela inocência e simplicidade (que são na verdade seus pontos mais fortes), jamais seria feito hoje em dia, todos sabemos, mas o resultado de uma produção atual da principal obra de Exupéry pode acabar distoando imensamente da visão que preservamos do texto. Além de que, provavelmente a raposa, serpente e flor seriam retratados como personagens digitais (como o Gato de Cheshire, novamente da Alice de Tim Burton) o que diminuiria sensivelmente sua graça e apelo ante o público, não concordam?
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O Rei, um dos personagens do livro que também está presente no filme |
Alguns dos novos personagens, inseridos em contexto similar ao do livro, como o General, reforçam ideias que também se completam às do texto, intensificando-o e expandindo-o, em uma adição bem interessante.
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O Pequeno Príncipe encontra o General |
Por todas estas razões o filme de Stanley Donen pode ser considerado um clássico, e como todo clássico, deve estar sempre em evidência, em discussão. Por isso achei por bem falar um pouco sobre ele aqui, e motivá-los a assistir. Antes de finalizar, segue o trailer do filme:
Bom, acho que já deu para se ter uma boa ideia do que esperar do filme, não é? Quem já assistiu, sabe do que estou falando, aos que ainda não: assistam! Mas lembrem-se de que para melhor compreendê-lo, é importante ter lido o livro. E novamente, não se esqueçam de desenhar o carneiro!