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"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nos caminhos da música – memórias de um teclado quase esquecido



Bom, aproveitando que este é invariavelmente o primeiro post do ano, falarei um pouco sobre um tema de que gosto muito, mas que ainda tinha tido pouco ou quase nenhum espaço por aqui: a música.

Agora por esses dias, coisa de dois ou três meses, comecei a me aventurar por esta fantástica arte, de uma maneira um pouco inusitada, aproveitando um antigo instrumento de quase quinze anos, que estava parado há tempos – o teclado da foto acima.

Meu interesse inicial pela música veio quando ainda era pequeno, por volta de 1991 ou 1992. Costumava tocar um pouco de flauta, nada muito significativo, mas para mim tinha um sabor único, ao soprar e ouvir e ouvir aqueles sons se entrelaçando. Não era preciso entender nada, apenas sentir. Era meio que um momento de lazer, uma distração, mas um momento onde sobretudo me sentia bem, em harmonia.

O tempo passou. A magia da infância começava a desaparecer. Vinham outros interesses, e a velha flauta foi encostada (mas ainda a tenho). Os anos foram se seguindo. Ainda tentei retomar o gosto pela música, comprando um teclado básico, ideal para iniciantes, em meados de 1997. Por alguma razão, porém, não consegui manter o interesse. Cheguei a dedilhar algumas coisas, seguindo guias simples com números e cores (que usava na flauta ), mas realmente não me apronfundei. Após mais um certo tempo, acabei guardando o aparelho, que acabaria recluso por anos dentro de armários. Meu irmão bem que ainda tentou usá-lo algumas vezes, mas também de modo passageiro. É provável que durante todo esse tempo até tenha me passado pela cabeça doá-lo ou vendê-lo, por não saber direito o que fazer com ele.

Mas este teclado ainda viveria para ter seus dias de glória. Como sempre digo por aqui, tudo tem o seu devido tempo para acontecer. Foi assim que subitamente me vi tragado de volta ao mundo da música, de uma maneira tão abrupta que de certa forma me surpreendeu, e percebi que realmente podemos fazer qualquer coisa, se realmente quisermos. Eu estava seguindo dias de certa forma iguais, monótonos até, pode-se dizer, simplesmente com as atividades rotineiras, como acho que muitas vezes fazemos, sem nos darmos conta, ou por realmente não termos escolha. Recentemente, encontrei o velho teclado em uma faxina corriqueira, e o deixei por perto (ainda o guardo na caixa original), para uma hora abrir e ver se estava tudo bem. Sabia que talvez não fizesse isso tão cedo, mas a caixa permaneceu lá, inerte, ao alcance de minha mãos. Em um certo dia, decidi agir. Não sei o que me deu, mas resolvi não só pegar o teclado, como também me dedicar a aprender a tocá-lo. E não queria apenas seguir numerozinhos e coisas parecidas; queria aprender as notas, queria entender a teoria musical.

Pensei logo em usar a internet para esse fim, valendo-me de cursos (em PDF) e vídeo-aulas, pelo menos inicialmente. Resoluto, coloquei o teclado sobre minha mesa e me preparei para ligá-lo. Sabia que precisaria da fonte, que naquele momento não fazia a menor idéia de onde estava, se é que ainda a tinha, mas lembrava de que ele também funcionava a pilhas. Virei o aparelho, abri o compartimento e relembrei o número de pilhas de que precisaria: cinco. Corri pela casa, coletando-as de outros eletrônicos, até ter as cinco em mãos. Enfim colocadas no teclado, liguei-o. Não tinha muitas esperanças de que ainda fosse funcionar – estava guardado há anos, sem uso – mas ele ligou! O vislumbre da luzinha vermelha acendendo me trouxe um sorriso de satisfação. Dedilhei um pouco algumas teclas. Parecia mesmo tudo bem com o instrumento. O som das notas me remotava ao passado, à época que o comprei, até mesmo à época da flauta. Embalado por estas boas lembranças, repeti para mim mesmo que agora chegara o momento de aprender a tocá-lo.

Incontinente, recorri a talvez um dos melhores professores que podemos ter hoje em dia: o Google. Pesquisei com determinação, até baixar um bom material, para ser lido e estudado no computador mesmo. Era o básico do básico; noções introdutórias e afins. Seria um bom primeiro passo, imaginei, e me pus a lê-los. Um dos cursos que baixei era na verdade um curso preparatório voltado a tecladistas de igreja, contando com um vasto hinário a ser aprendido pelo mesmo. Contudo, lá pude ver que estava toda a teoria, bem explicada, bem do início, e acreditei ser um bom começo. Ainda, para entender efetivamente este curso, era preciso passar por uma parte inicial de regência, onde era explicado os primeiros elementos básicos da partitura, juntamente com as noções do gestuário. Por achar tudo aquilo interessante e novo para mim, debrucei-me sobre todo este conteúdo, antes de chegar propriamente à parte do teclado.

Passei os dias seguintes bastante mergulhado nessa área, foi mesmo uma grande descoberta. À medida que lia os conceitos e os praticava no teclado, ia me surpreendendo. Partituras musicais sempre me intrigaram, por parecerem complicadas, ilegíveis, como imagino que é tudo o que desconhecemos. Quando, porém, começamos a entender a lógica daquilo, seja o que for, percebemos que não é nada assim tão inacessível. Com a música, acredito não ser diferente. Aprendendo o porquê dos símbolos, seus significados, as notas e nomenclatura, comecei a ficar ainda mais curioso diante das partituras, por agora enfim poder lê-las, pelo menos ainda as mais simplificadas. Imprimi até alguns modelos de pentagramas para treinar alguns exercícios e os nomes e posições da notas.

Meu modesto teclado, como devem ter notado, traz várias etiquetinhas coladas nas teclas. Trata-se daquele material didático que acompanhava revistas que se propunham a ensinar as primeiras noções. Lembro que as afixei com empolgação nos primeiros dias que comprei o instrumento, mas elas nunca foram exatamente muito úteis, exceto por ajudarem a memorizar algumas musiquinhas, embora eu me baseasse pelo número e não pelo nome da nota. Hoje em dia, já percebo que essas etiquetinhas mais atrapalham do que ajudam, pelo menos para mim, e logo devo mesmo removê-las. Ainda, algumas pessoas já comentaram que eu talvez devesse comprar outro teclado, maior, mais moderno. Preferi dar de ombros; meu velho teclado ainda tem muito chão pela frente. Ele é ótimo para as noções básicas que venho estudando, e percebo que, finalmente, após quase quinze anos, o teclado disse a que veio!

Falando agora sobre gêneros musicais e referências, recentemente comecei a me interessar mais por música minimalista. Já conhecia o estilo, graças a filmes como o excepcional Koyaanisqatsi, cuja trilha sonora é assinada por Philip Glass, um dos maiores nomes do minimalismo. Foi também através de outro filme, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, que conheci Yann Tiersen, outro grande compositor minimalista e comecei a me enveredar cada vez mais no assunto. Tecnicamente, a música minimalista tem como características a repetição de pequenos trechos, com leves variações em grandes períodos de tempo, compondo assim ritmos quase hipnóticos. Depois que comecei a me aprofundar na área musical, posso dizer que não escuto mais uma música como antes, é como se conseguisse perceber certas nuances antes imperceptíveis. Ultimamente tem sido comum, ainda, gastar horas no YouTube , procurando vídeo-aulas, exercícios ou mesmo apenas se deliciando com interpretações de músicas no piano, teclado, em especial de Glass, Tiersen, Reich, clássicos como Beethoven, Chopin e trilhas sonoras.

Todo este estudo e pesquisa autodidata que venho conduzindo (apesar de também já considerar fazer um curso com professor físico) me faz pensar mais uma vez que podemos mesmo fazer qualquer coisa que quisermos, desde que haja determinação para tal. Às vezes um pequeno passo fora de nossa rotina nos desvela um mundo desconhecido, fascinante – que estava ali o tempo todo – embora, de certa forma cegos, não pudéssemos enxergá-lo, mas que muitas vezes pode mudar toda a nossa vida. É sempre bom sair da rotina, fazer coisa diferentes, às quais não estamos acostumados ou simplesmente não sabemos ainda. Faz bem para a alma, nos reiventarmos. Posso afirmar isso por conta de meu récem-revigorado gosto pela música e também pelo súbito gosto por cozinhar, do qual já falei nesse outro post.

Ah, estou pensando em comprar um violão em breve. Só espero não demorar quinze anos para começar a tocá-lo!






quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

II Feira do Livro de Fortaleza - Walcyr Carrasco (I)

Foto: Divulgação do evento

Recentemente, postei aqui alguns comentários sobre a passada do escritor e contador de histórias Ilan Brenman aqui em Fortaleza, em ocasião da II Feira do Livro Infantil (veja aqui). Agora, falarei um pouco sobre talvez o maior destaque desta edição do evento, a presença do escritor e autor Walcyr Carrasco. Nesse post, dividido em duas partes, procurei colocar uma visão geral de como foi a apresentação, sob meu ponto de vista.

Walcyr sem dúvida foi uma alavanca de formidável impulso para levar à Praça do Ferreira um excelente público, para um evento literário em ascensão; cerca de 150 pessoas somente em sua apresentação. Eu mesmo, inclusive, fui motivado a ir conhecê-lo. Admiro muito o seu trabalho, não somente na área de teledramaturgia, onde talvez seja mais conhecimento e amplamente divulgado, mas também na literária; Walcyr Carrasco tem uma sólida carreira como escritor, com diversos livros publicados, destacando-se os infantis, mas também com infanto-juvenis e romances, além de traduções, adaptações e peças de teatro.

Um de meus livros favoritos e, devo dizer, fundamentais para minha escolha por trilhar também o caminho das letras é da autoria de Walcyr. Trata-se de O Caçador de Palavras, um livrinho pequeno e pouco conhecido, que atualmente já não é editado. Mesmo assim, muitos devem lembrar dele por ter vindo junto com o dicionário LUFT, da editora Ática, em meados de 1993. É uma história curta, breve, mas que transmite um ideal tão vasto que até hoje me influencia. Enfim, falarei mais sobre este livrinho em uma postagem exclusiva, ainda por vir.

Voltando ao assunto central, Walcyr Carrasco fecharia a II Feira do Livro Infantil com chave de ouro. Sua participação estava marcada para o sábado, 17 de setembro. Na ocasião, Walcyr daria uma palestra sobre sua obra e carreira e ainda concederia uma sessão de autógrafos. Seria bem parecido como foi com Ilan Brenman, com a diferença massiva estando por conta da quantidade de público presente.

Marcada para as 15:00, me programei para evitar atrasos, saindo com certa antecedência, sem esquecer, é claro, de levar O Caçador de Palavras comigo; faria questão que Walcyr o autografasse. Sabia que a movimentação lá seria intensa e queria também um bom lugar para sentar, assim, cheguei à Praça do Ferreira por volta das 14:45. Quase não acreditei quando olhei para a tenda central: estava praticamente lotada. Dezenas e dezenas de crianças, fardadas, provavelmente de escolas, enchiam as muitas cadeiras que tinham sido dispostas, em meio ao mini palco onde ficavam os palestrantes. Além delas, havia também um enorme público geral, compondo os locais restantes e também curiosos nas imediações da tenda. Àquela hora, já era impossível pegar um lugar à frente; tive de me conformar em sentar bem atrás. Uma vez acomodado, comecei a olhar novamente em volta, observando o tipo de público que ali estava. Fazia um calor imensurável nesse momento, mesmo a tenda sendo ao ar livre (ou talvez justamente por isso).

Foto: Denis Akel

Pouco antes da hora marcada, o responsável pela locução do evento subiu ao mini palco e avisou, com voz entusiasmada, que Walcyr logo entraria. Somente essa declaração já foi suficiente para levar todos ao delírio, em sonoros gritos de euforia. E então, pontualmente às 15:00, avistei Walcyr Carrasco chegando à tenda. Trazia à cabeça uma espécie de chapéu-panamá (que depois revelaria ter ganhado já na cidade). Sua roupa, de algum modo leve e simples, transmitia segurança e tranquilidade. À aparição do autor, o público explodiu em fervorosos aplausos, juntamente com gritos e exaltação. Foi bom ver toda aquela comoção em torno de um escritor, embora soubesse que talvez a maior parte daquele estardalhaço se devesse não à sua obra literária, mas às suas novelas. Eu esperava até o final da palestra poder mudar de opinião.

Um outro detalhe que não pude deixar de notar, enquanto corria os olhos em volta, observando as pessoas, foi a forte presença de seguranças. E não pareciam seguranças comuns. Cogitei até a possibilidade de ser uma equipe especial do próprio Walcyr, já acostumada a protegê-lo. Farda escura, boina vermelha, rosto impassível. Num detalhe na manga do braço, os dizeres "defesa pessoal" podiam ser lidos. Pareciam saídos de um desses filmes de assaltos milionários.

Após receber o microfone e tomar a frente do público, Walcyr, sorridente, saudou a todos, dizendo o quão feliz estava por estar ali. Inicialmente, ele quis ler um poema de que muito gostava, de autoria de Mario Quintana. Walcyr bem que tentou, mas a plateia não facilitou; vozerios e balburdia iam se manifestando, complicando o andamento da apresentação. Além disso, graças ao microfone, que parecia estar com algum problema (não demorou a ser substituído), sua leitura começou quase inaudível. Percebendo a dificuldade repentina do público, Walcyr alertou, sério, que se todos não fizessem silêncio, ele iria embora. Pronto, bastou isso. Como num passe de mágica, as professoras das crianças, que eram as principais responsáveis pelo caos sonoro, se fizeram ouvir e buscaram conter os pequenos. Walcyr prosseguiu lendo Quintana, mas continuei ouvindo apenas palavras perdidas. Longe do palco, só ouvia uma palavra ou outra dele, espaçada – agora pelos murmúrios – do mar de crianças que estavam à minha frente.

Foto: Denis Akel

Em seguida, falou um pouco de sua carreira, de suas referências. Contou que seu gosto pela leitura veio da infância (em uma época em que sequer havia TV), através das clássicas obras de Monteiro Lobato, e que sua aptidão à escrita veio naturalmente por conta disso, por volta dos 12 anos de idade, quando começou a se descobrir escritor. Walcyr se encantou pelo Saci, Pedrinho, Emília, a ponto de decidir também querer escrever suas histórias. Daí em diante, para realizar seu intento, passou a ler muito, como deve ser o hábito de todo escritor. Apontou os contos de fadas como um de seus gêneros favoritos, citando a obra de Hans Christian Andersen, célebre por O Patinho Feio, A Pequena Sereia, entre outros. Falou ainda de nomes como Shakespeare, que ele muito admira e até traduz, a Júlio Verne, e de como gosta de fazer referências sutis a eles em suas obras. Ressaltou ainda o quão visionário Verne foi, ao escrever 20.000 Léguas Submarinas em uma época onde não existiam submarinos. Ainda sobre o ato e gosto pela leitura, enfatizou que o conceito de gostar ou não gostar de algo é muito relativo, pois pode-se muito bem aprender a gostar ou aprender a não gostar, seja lá do que se tratar.

Foto: Denis Akel


Seguindo-se a esta breve introdução, duas pessoas, cujos nomes ou cargos não me recordo, mas que certamente haveriam de ser pessoas de peso no evento (talvez até alguém de importância na cidade), foram chamadas ao centro da tenda, onde leriam alguns trechos de livros do Walcyr. Durante a leitura de seus textos, Walcyr Carrasco manteve-se sentado, ao lado da pessoa que lia. Percebi que ele vagueava o olhar pela plateia, como se buscasse conhecer melhor seu público, mas sem se distrair do que era lido. Porém, notei que a fatia do público que prestava atenção era muito pequena. Eu mesmo não conseguia acompanhar direito alguns trechos. Achei que os textos escolhidos foram demasiados longos, o que pareceu enfadar rapidamente boa parte do público, que, disperso, fazia barulho e atrapalhava quem queria ouvir e estava mais longe do palco, como eu.

Não lembro exatamente se foi nesse momento, ou mais no início, mas Walcyr ainda ganhou um livro de presente de uma pessoa do público, que fez questão de deixar claro que o livro só seria colocado à venda ano que vem, e que aquele exemplar era exclusivamente para ele. Walcyr, surpreso e admirado, mostrou o livro ao público, repetindo o que ela disse.

Findadas as leituras, o público respondeu com aplausos. Walcyr Carrasco continuou, então, tornando a falar, agora mais detalhadamente, de sua carreira, projetos e trabalhos. Ele esbanjava simpatia, usando seu chapéu-panamá que – como revelou depois – ganhara na ocasião, mas que lhe caiu perfeitamente; parecia quase feito para ele.  Walcyr falou que inicialmente escrevia para jornais e revistas (Revista Recreio) e que aos poucos foram lhe aparecendo oportunidades de escrever para teatro e TV. Disse ainda que chegou à Globo com muito trabalho e dedicação, e que isso já fazia dez anos. Mesmo com uma vasta liberdade de produção na TV, adora escrever livros para o público infantil, pois vê nessas histórias muito mais do que elas aparentam representar.

Foto: Denis Akel


Passada a introdução de Walcyr, a leitura de seus textos e do poema de Quintana, teve-se início o bloco de perguntas. Um microfone foi sendo conduzido a uma das muitas mãos que sempre se arguiam; todos buscavam  poder dirigir algumas palavras ao escritor. Uma das primeiras perguntas a surgir foi quanto à sua rotina de trabalho, em que hora ele costumava escrever. A isso Walcyr Carrasco respondeu de imediato, com ar brincalhão, arrancando sonoros risos de todos: "Sou um vampiro!". Com isso, quis dizer, como explicou em seguida, que tinha hábitos notívagos. Disse que usualmente começava a escrever às 23:00, indo até as 3 ou 4 da manhã (quem o conhece do Twitter sabe que é mais ou menos nesse horário que ele vai fumar seu charuto e meditar!).

Como não poderia deixar de ser, Walcyr foi fustigado com várias perguntas referentes à sua novela Morde & Assopra, ainda em exibição na época. Foram realmente muitas perguntas, desde as mais inocentes, como crianças que realmente acreditavam que havia um rôbo vivendo o personagem da Naomi Rôbo, a outras mais extravagantes, como: "Como você fez a cena onde o rôbo remove parte de sua pele artificial e exibe seus componentes eletrônicos?" Walcyr, direto, respondeu à primeira dizendo que era a atriz que fazia as duas personagens, que era mérito dela a "versão rôbo"ficar tão autêntica. Quanto à segunda pergunta, disse categoricamente que não foi ele quem fez a cena mencionada, e completou sua resposta, dando a todos um breve panorama de como funciona o andamento de uma novela, da concepção da cena à sua filmagem. Walcyr disse que ele somente escrevia. Em seguida, o produtor irá negociar detalhes que envolvem a cena (locações, etc) e o diretor a dirige. Citou ainda um exemplo, usando uma praia daqui de Fortaleza como ambiente. Ele escreveria o que iria ocorrer, o produtor entrava em contato com a prefeitura da cidade, para negociar detalhes da locação, e o diretor executava a direção. Em termos, foi bem claro ao dizer que poderia escrever praticamente o que quisesse e o produtor teria que se virar para conseguir realizá-la, o que arrancou mais boas risadas do público. Ainda sobre o tema de produção, alguém perguntou quem escolhe o elenco de suas novelas, e se a opinião dele é unânime. Walcyr respondeu, sucinto, que é 50% ele, 50% a emissora/equipe.

Tivemos também algumas perguntas bem incomuns, que geraram respostas bem contundentes. Em dado momento, Walcyr foi indagado sobre quais alguns de seus momentos felizes e tristes. Respondeu dizendo que tenta não ter momentos tristes; tenta sempre enxergar o lado bom que há em tudo. Completou dizendo que embora muitas vezes não consigamos fazer essa distinção, é um bom caminho para sofrermos bem menos.

Outra pergunta, ainda sobre Morde, foi referente ao desfecho de alguns personagens. Walcyr riu-se, e de certa forma insinuou, mas acabou não revelando nada, deixando suspense e ansiedade no público que assistia à novela. E sem deixar o assunto novelas de lado, um menino quis saber se o macaco pintor de Caras & Bocas, trama que repercutiu bastante em 2009, realmente pintava. Walcyr contou uma história sobre um macaco nos EUA, que nos anos 30, 40, ficou muito famosos por pintar, tendo inclusive vendido muitas telas. O macaco de sua novela (na verdade uma macaca) gostava muito de desenhar, mas não pintava.

Encerradas as perguntas, o público prorrompeu em um forte e prolongado aplauso. Walcyr Carrasco sorria, no centro de todos. Mas aquele momento ainda não terminaria: teríamos ainda a sessão de autógrafos. O narrador do evento assumiu o microfone  e começou a organizá-la. E é a partir de lá que começa a segunda parte dessa postagem, em breve no ar!

E para finalizar, alguns trechos que consegui captar da palestra. A qualidade não é das melhores, mas todo registro é válido. :)

Veja a segunda parte aqui.








quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Bicicleta animada!



Em plena era digital, eis que ainda vemos ideias surpreendentes, com ferramentas simples, que esbanjam criatividade, determinação e muitas vezes se sobressaem a grandes instalações e parafernálias! É o caso deste curioso e peculiar trabalho. Através da interessante e quase inusitada combinação de papel com rodas de bicicleta, a estudante inglesa Katy Beveridge criou uma espécie de zootrópio (instrumento giratório que produz, a partir de imagens paradas, a ilusão do movimento. Mais sobre zootrópio neste post).

Essa técnica, no entanto, precisa ser filmada para ser percebida. A olho nu, só conseguimos vislumbrar borrões, devido à velocidade da roda. Um detalhe que achei um dos grandes destaques do trabalho de Katy são os belíssimos padrões e formas; composições criadas a partir do papel recortado (quanto esmero nesses recortes!). É um verdadeiro deleite visual, que inclusive lembra um pouco a obra do grande animador francês Michel Ocelot!

Vejam:





E abaixo alguns testes para se chegar a esse resultado:








Sensacional, não é? Imaginem as possibilidades dessa técnica! É como dizem, é possível se fazer animação com praticamente qualquer coisa!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

II Feira do Livro de Fortaleza - Ilan Brenman



Em setembro, aconteceu aqui em Fortaleza a segunda edição da Feira do Livro Infantil, evento que busca alimentar a fome pelo livro e leitura, com oficinas, shows, contação de histórias, palestras, além da presença de grandes nomes do cenário, como o compositor e escritor gaúcho Vitor Ramil e o escritor e autor Walcyr Carrasco, grande destaque da feira.

Quando soube do evento, apressei-me para ficar por dentro da programação, que era divulgada na TV em rápidas chamadas. Até então, meu maior interesse na feira era a palestra de Walcyr Carrasco. Não exatamente pelo seu trabalho nas telenovelas, onde é largamente conhecido, mas por ele ser autor de um dos livros que me despontou a gostar de escrever e querer ser escritor. Falarei mais desse assunto no post exclusivo sobre Walcyr, que colocarei aqui em breve.

Aconteceu que um dia antes de começar a feira, estava eu aqui no computador, baixando edições do programa Entrelinhas, para meu acervo, e à medida que baixava, assistia a um trechinho para ver se estava tudo bem. Foi aí que vi essa entrevista do Ilan Brenman, que de cara já me chamou a atenção pela simpatia e jeito de falar. Era um contador de histórias que resolvera se aventurar fazendo livros. Assistir a um trechinho? Cativado pelas palavras de Brenman, acabei assistindo à entrevista inteira, que fluiu incrivelmente rápida! Fiquei maravilhado, inspirado.



E imaginem a minha surpresa quando vi o nome de Ilan Brenman entre os convidados e palestrantes da Feira! Que incrível coincidência! Foi tudo tão repentino que o dia em que vi a entrevista, seria justamente o dia de sua apresentação, e também o primeiro dia da feira. Assim, apressei-me para a Praça do Ferreira, que seria palco de todas as atrações. Acabei chegando um pouco depois do horário previsto (15h) mas a palestra atrasaria. Aproveitei esse meio tempo para me familiarizar ao local.

Algumas tendas haviam sido montadas em pontos da praça. Em uma delas, de vasta extensão, vários expositores de editoras estavam espalhados. Ali seria possível comprar livros ou simplesmente conhecer as novidades das editoras presentes. Mais ao centro da praça, estava a tenda principal, uma enorme lona que lembrava quase um circo, sob a qual dezenas de cadeiras se encontravam agrupadas. Seria o palco dos principais eventos e palestras da feira.

Conforme circulei pelos ambientes, percebi que a maior parte do público presente era – como não poderia deixar de ser – formado por crianças, e muitas de escolas, em visitação à feira. Já os bancos da Praça do Ferreira, estavam cheios das pessoas do dia-a-dia, que não pareciam ligar nem um pouco para tudo aquilo, e apenas se contentavam em sentar ali e ver a vida passar.

Antes de tomar um lugar sob a tenda central, procurei uma pessoa da organização, para saber se Ilan Brenman estava mesmo confirmado. Após ter essa confirmação, vi que já passava das 15:30. Notei também que já havia algumas crianças à espera, espalhadas pelas muitas cadeiras. Ilan chegou poucos minutos depois e a disposição da plateia foi arranjada, para que todos ficassem mais perto do contador de histórias. Era engraçado, pois nesse momento percebi que estava sentando quase junto às inúmeras crianças das escolas. Havendo ainda muitos lugares vazios, desloquei-me a um deles.

Ilan Brenman iniciou sua palestra com sua característica oratória, cheia de trejeitos e atrativos, própria dos contadores de história. Antes de mais nada, contou um pouco de sua própria história, que há muitos anos viajava pelo Brasil contando histórias, e que há não muito tempo resolveu também lançar livros. Ele aproveitou também para já contar uma história de seu repertório ao público, que garantiu a atenção, empolgou e divertiu a todos. Só um detalhe aqui me deixou boquiaberto: foi servido um lanche às crianças (suco em caixinha e biscoitos). Elas pareciam mesmo muito atentas à história, mas não muito à educação, pois só o que se viu depois foram as caixinhas e embalagens jogadas no chão. Acho que faltou pulso dos professores, num ato simples de trazer uma lixeira para junto das crianças.

A palestra continuou com Ilan mostrando alguns de seus livros: o inovador Telefone sem fio (somente de imagens), e o descontraído Até as Princesas soltam pum. Mostrou ainda o inédito Papai é meu, que seria lançado na ocasião. Ele explicou ainda a origem da ideia por trás de cada obra, de uma maneira bem característica, e "leu" brevemente cada uma, dando a todos uma prévia dos livros. Poucas pessoas no público se interessavam em tirar fotos da apresentação. Fui uma delas, munido com meu celular, mas como estava longe do palco, as fotos não ficaram lá essas coisas, embora não deixem de ser um bom registro.



Por falar em fotos, havia por lá ainda um fotógrafo oficial do evento, que volta e meia tomava uma posição estratégica da arena para fazer fotos. Pois uma dessas posições o levou momentaneamente ao meio do palco. Para evitar atrapalhar a plateia, o fotógrafo se abaixou. Até aqui nada de incomum, mas eis que bem quando ele se levantou, surgiu uma pessoa – do público, acho – e começou a perguntar algo a ele. Ambos, dessa vez, ficaram bem na frente de boa parte da plateia, inclusive na minha. É claro que incomodou, pois cortou por alguns instantes a sintonia que tínhamos ouvindo as palavras de Ilan. Ele, inclusive, percebendo aquela situação inoportuna, não perdeu a compostura e teceu logo uma pequena mas feroz indireta contra os dois. Não lembro exatamente o que foi falado, mas foi algo sobre falta de educação com aqueles que queriam ouvir a história. Comentou ainda com sua colega, Rosana Mont'Alverne, contadora de histórias que também participaria do evento, que também o assistia, que aquilo fazia parte do trabalho deles, ao que Rosana concordou com a cabeça. O fotógrafo e a pessoa trataram de se retirar logo depois, e Ilan pôde continuar sua apresentação.

Nos momentos finais, ele mostrou ainda alguns outros livros de sua autoria. Uma coleção de livrinhos de bolso, intitulada Contador de Histórias de Bolso. Aqueles livrinhos, nas mãos de Ilan, que os erguiam no ar, aos olhos de todos, chamaram minha atenção de imediato. Tratavam-se de coletâneas de histórias recolhidas e recontadas por ele, em volumes ricamente ilustrados pelo talentoso ilustrador Fernando Vilela. As capas, com cores fortes, contrastantes e chamativas; os temas (Grécia, Rússia, África, China e Brasil) pareciam uns mais curiosos que os outros. Ali eu já sabia que teria de comprar algum deles, sem dúvida.

 Público, já nos intantes finais da apresentação
                                           
Ilan Brenman foi bem aplaudido ao fim de sua palestra. Foi dito então que ele seguiria direto para o estande da Editora Moderna, onde daria autógrafos aos interessados. Achei que aquela seria uma ótima oportunidade para conhecê-lo e trocar algumas palavras. Falar como o tinha 'descoberto', algumas horas antes, no Entrelinhas. Sim, sem dúvida seria interessante esse contato. Esperei próximo ao estande da editora, mas não vi sinal de Ilan. Depois, ele apareceu. Imaginei que haveria uma mesinha ou algo parecido onde ele ficaria para dar os autógrafos, mas não teve nada disso. Não parecia também haver gente querendo autógrafos. Ilan estava de pé, e parecia apressado. Esperei. Ainda achava que ele ia sentar-se para receber quem porventura aparecesse. Dali um tempo, desviei momentaneamente a atenção a outro estande, por minutos e quando tornei, Ilan tinha desaparecido.

Meu primeiro pensamento foi: "Ele deve ter ido tomar uma água ou algo parecido". Percebendo que Ilan não voltava, fui falar com o pessoal do estande. Disseram, afinal, que ele já tinha ido embora. Quando mencionei os autógrafos, afirmaram que Ilan tinha ficado lá, autografando, mas não acreditei muito nisso, a menos que tivesse sido apenas um autógrafo e somente para uma pessoa. Quando voltei a andar pela feira, comprovei com um dos receptivos que ele de fato quase não demorara.

Lamentei muito não ter conseguido falar com ele. Até poderia tê-lo indagado na hora que o vi, mas achei que ele teria o mínimo de estrutura para dar seus autógrafos, que eu não precisaria lhe falar assim, de sopetão, uma vez que estava certo de que este momento duraria pelo menos alguns minutos. Não foi assim. Ilan devia estar com pressa. Após repensar essa situação algumas vezes, voltei ao estande da editora Moderna e pedi para ver a coleção de bolso que tanto me chamara a atenção. Estava decido a comprar, não todos, mas pelo menos dois. Mesmo sem autógrafo ou conversa com Ilan, seria um boa oportunidade de adquirir estas obras, que até então não tinha visto nas livrarias. Após rápida análise nos cinco volumes, optei por Rússia e Grécia, temas que ultimamente vêm me fascinado.




Comprados os livros, rodei mais um pouco pela feira, até voltar para casa, satisfeito por pelo menos ter assistido à apresentação de Ilan Brenman, a quem, há poucas horas atrás, eu sequer sabia quem era. Perdera a oportunidade do autógrafo, é verdade, mas isso era o que menos importava, e não se repetiria no dia da palestra de Walcyr Carrasco, que será tema de uma próxima postagem!


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

III Semana da Animação – DIA 2011



E hoje é o DIA! O Dia Internacional da Animação, evento tradicional que reúne mostras de curtas nacionais e internacionais, acontecendo simultaneamente em muitas cidades, chega à sua oitava edição.

Aqui em Fortaleza, as mostras do DIA serão exibidas no encerramento da III Semana da Animação, evento que desde a última terça (25) tem "animado" a cidade! Já dei boas informações sobre a Semana aqui no blog, mas nunca é demais recomendar uma visita no blog oficial, onde há a programação e informações completas.

Quem puder vir (Casa Amarela Eusélio Oliveira, na Av. da Universidade) não deixe de aparecer para assistir a animações de qualidade e bater um papo descontraído com os coordenadores da III Semana! Teremos pipoca gratuita para as mostras!

E um ótimo DIA a todos!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

III Semana da Animação – A todo o vapor!



Hoje foi o terceiro dia de nosso evento, que está trazendo animação de qualidade para Fortaleza, além de uma vasta programação com oficinas e seminários. Mas tudo isso já devo ter falado antes, é verdade!

Bom, durante este evento, tenho me dedicado praticamente em tempo integral a ajudar meu irmão Diego, em boa parte dos processos e registros. Têm sido dias cansativos, longos e caóticos até, mas reconfortantes, quando vemos o resultado de tanta determinação em levar a Semana da Animação adiante. O retorno do público é animador! Todo o pessoal do NUCA – Núcleo de Cinema de Animação Casa Amarela Eusélio Oliveira, que também faz o evento, está de parabéns.

Esta imagem acima mostra exatamente como têm sido estes dias para mim. Venho colaborando, entre outras coisas, com os textos do blog da Semana, além de manter informações em tempo real pelo twitter, a medida que as atividades vão ocorrendo. Em breve trarei para cá postagens mais detalhadas, sobre todos os dias do evento. Já há várias páginas anotadas em meu bloquinho sobre a III Semana e também sobre a edição do ano passado, que já queria ter feito há tempos, como falei também em outro post recente.

E amanhã é o último dia da III Semana! Quem for de Fortaleza, não perca essa chance! A programação é inteiramente gratuita. Não deixe também de acompanhar as últimas notícias do evento no blog oficial do mesmo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

III Semana da Animação – Vinheta!





Amigos, já está no ar a vinheta da III Semana da Animação! Meu irmão, Diego Akel, mais uma vez mergulha de cabeça no projeto, e além de coordenar o evento, ele fez esta bela vinheta em tempo recorde!

As três cores, azul, verde e azul, referência das cores aditivas, ou RGB, são a base da imagem em vídeo. O olho demonstra amplitude, atenção e audiência. É como se todos estivessem literalmente respirando imagens no período do evento, o que aliás é um dos objetivos do mesmo!

Um trabalho com um certo ar minimalista, mas sem deixar o tom caótico e inquieto sempre presente nos trabalhos de Diego!

E vamos que vamos! A III Semana começou ontem, com um grande público na Casa Amarela, aqui em Fortaleza. Em breve postarei mais detalhes do evento aqui.

Também estou fazendo postagens especiais no blog oficial do evento, não deixem de dar uma olhada!