Frases


"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



domingo, 8 de agosto de 2010

Anima Mundi 2010 (III - Praça Animada)


Continuando a falar sobre nossa ida ao Anima Mundi 2010, vou comentar um pouco sobre a Praça Animada, um dos pontos de maior destaque do festival. Essa postagem mostra um pouco do que aconteceu por lá, dos primeiros ao último dia do evento :)
A Praça Animada é uma mega estrutura criada especialmente para o Anima Mundi, no espaço onde "normalmente" fica a Praça dos Correios, bem nas proximidades do CCBB e do CCC (Centro Cultural dos Correios). É basicamente uma enorme tenda, mas que transforma a praça em uma verdadeira sala de cinema, e tem capacidade para quase 700 pessoas. Foi lá que ocorreram grande parte das mostras do evento, em sessões de 1 hora de duração, e também exibição dos longa-metragens, além da premiação.

Foi lá também que aconteceu um dos destaques deste Anima Mundi, o bate papo com o criador do Bob Esponja, Stephen Hillenburg, que mostrou alguns de seus primeiros trabalhos na área de animação. Acabamos não assistindo, mas depois soubemos que foi um dos maiores públicos do festival. Aliás, isso já era de se esperar ;p

A rua que separava a Praça Animada do CCBB, durante o Anima Mundi, foi quase interditada, tamanho o fluxo contínuo de pessoas, que começava a partir das 11:00 da manhã, quando iniciavam as sessões, até as 21:00. Havia ainda muitos pipoqueiros e outros vendedores autônomos tentando também obter algum lucro com o festival, o que era muito bom, pois nada como uma boa pipoca para acompanhar os curtas, ou mesmo apenas uma garrafa de água para as horas mais quentes.

- A movimentação na rua ao lado da praça era intensa, fosse manhã ou noite.


Terminadas as sessões, a saída da Praça Animada era feita por um caminho lateral, que conduzia à Casa França-Brasil, onde também acontecia muitas atividades do festival, e um dos principais atrativos era a lojinha do Anima Mundi. Vários artigos relacionados ao evento, como camisas e bolsas, eram vendidos lá.

A foto abaixo mostra esse caminho que conectava os dois espaços, onde tinha algumas pinturas expostas e, claro, seguranças!


Os curtas exibidos durante o Anima Mundi foram sensacionais, como já falei aqui no blog em outras postagens, e é realmente uma outra sensação assistir a tudo diretamente no festival, interagindo com todos, com o clima; essa magia que se instala no Rio de Janeiro durante o festival. Falarei melhor dos curtas em uma postagem futura, em breve.

O fato é que o ritmo era incessante, e era praticamente impossível assistir a tudo. Chegávamos à Praça Animada para a sessão das 11:00, depois já tínhamos a das 13:00 pela frente, seguindo assim até o fim do dia (alternando programações entre a Praça, o CCBB, a Casa França-Brasil e o CCC, alguns dos locais onde acontecia o Anima Mundi, todos próximos uns dos outros, felizmente). Posso afirmar, sem qualquer dúvida, que nunca assistimos a tantas animações juntas. Era mal sair de uma sessão, comer alguma coisa, e já pegar o ingresso para a seguinte!

A Praça Animada não deixava nada a dever em comparação a um cinema, ou quase. Tinha um probleminha bem chato, que a maioria parecia não perceber, ou se importar: os assentos. Eles eram dispostos com uma certa altura entre uma fileira e outra, para não haver incovenientes de alguém ficar na frente de outro. Até aí tudo bem, mas o problema ficava por conta do grande desconforto que era sentar-se neles. O espaldar (se é que podem ser chamados assim, tão pequenos que eram) desses assentos só ia até a metade das costas, e não havia qualquer apoio para os braços, o que tornava um grande desconforto passar mais de meia hora sentado neles. O que ajudou foi que, bem à frente da projeção, havia umas duas ou três fileiras de cadeiras normais, dessas de escritório. Sim, não era nenhuma poltrona acolchoada, mas era bem melhor que os "esboços" de assentos que enchiam o espaço. Por conta disso, acabamos nos sentando sempre próximos à tela, para poder assistir melhor aos curtas (ou quase, porque aí vinha aquela dor no pescoço, decorrente de se passar tanto tempo com a cabeça erguida). Mas o pior era mesmo com os longas! Passar mais de 1 hora e meia sentado ali (em qualquer que seja os assentos, pois a cadeira não dá quase apoio nenhum) é um verdadeiro castigo! Ainda bem que foram apenas três longas exibidos =)



- Público tomava seus lugares para uma das sessões da Praça Animada


Após atravessarmos o portão de entrada da praça, tinha a entrada da tenda, e o pessoal do evento, que distribuía folhinhas com os nomes dos curtas a serem exibidos. Além dos nomes, havia ainda uma avaliação, a ser preenchida pelo público: era como seriam escolhidos os melhores na categoria júri popular. Neste mesmo espaço, ao lado das entradas à tenda, tinha uma parede onde estavam expostos alguns pôsteres do material que seria exibido. Pôsteres bem bacanas, que não poderia deixar de fotografar!

Vejam as fotos abaixo:




No último dia do festival, domingo, 25 de Julho, a tenda da Praça Animada deve ter conhecido o seu maior público. Era a noite de encerramento do Anima Mundi. A premiação aconteceria às 19:00, e seria seguida da exibição dos curtas ganhadores. A fila que estava diante do portãozinho da praça só deve ter perdido para a do dia do Stephen Hillenburg. Ela se estendia até quase o final da rua, e à hora que chegamos, tivemos que ficar bem no finzinho mesmo. Felizmente, a maioria das pessoas ocupou de imediato os lugares superiores, e quando entramos a tenda já estava praticamente lotada. Dessa vez foi difícil achar lugar, uma vez que boa parte das cadeiras da frente se achava reservada aos convidados. Acabamos achando, em um dos cantos, mas ainda à frente, e lá ficamos, aguardando o início da premiação.

- Público recorde lotou a Praça Animada na noite do dia 25, onde aconteceria a premiação. Muito legal ver todo esse interesse por parte de todos.


Então, sob grandes aplausos, falaram para o público os quatro diretores do festival: Marcos Magalhães, Aida Queiroz, Cesar Coelho e Léa Zagury. Filmei boa parte da cerimônia, que quase teve mais agradecimentos aos patrocinadores do que qualquer outra coisa.

O Canal Brasil marcou presença, registrando o momento e entrevistando Marcos Magalhães. O mais chato de se sentar na frente era quando o cinegrafista quase nos "cegava", ao virar a câmera para mostrar o público, iluminando com aquela espécie de holofote ;)

- Marcos Magalhães, um dos diretores do festival, é entrevistado pelo Canal Brasil, enquanto o público era temporariamente ofuscado pela intensa iluminação ;)


Os vencedores foram então divulgados. Vejam a lista abaixo:

JÚRI POPULAR
Melhor Longa Metragem

1.
Mary & Max - Uma Amizade Diferente, de Adam Elliot (Austrália)
2. Boogie, el Aceitoso, de Gustavo Cova (Argentina)
3. The Apple and the Worm, de Anders Morgenthaler (Dinamarca)

Melhor Filme de Estudante
1. Mobile, de Verena Fels (Alemanha)
2. Der Praezise Peter, de Martin Schmidt (Alemanha)
3. Pombinha Branca, de Fernando Augusto Dias da Silva (Brasil)

Melhor Curta-Metragem Infantil
1. Yes, Virginia, de Pete Circuitt e Bitstate (EUA)
2. Eu Queria ser um Monstro, de Marão (Brasil)
3. The Gruffalo, de Jakob Schuh e Max Lang (Reino Unido)

Melhor Curta-Metragem Brasileiro
1. Eu Queria ser um Monstro, de Marão (Brasil)
2. Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil, de Alexandre Bersot (Brasil)
3. Pombinha Branca, de Fernando Augusto Dias da Silva (Brasil)

Melhor Curta-Metragem
1. La Dama y la Muerte, de Javier Recio Gracia (Espanha)
2. Der Kleine Und das Biest, de Johannes Weiland e Uwe Heidschötter (Alemanha)
3. Logorama, de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain (França)

PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL
Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil, de Alexandre Bersot (Brasil)

JÚRI PROFISSIONAL
Melhor Animação
Videogioco a Loop Experiment
, de Donato Sansone (Itália)

Melhor Roteiro
Der Kleine Und das Biest
, de Johannes Weiland e Uwe Heidschötter (Alemanha)

Melhor Trilha Sonora
The Lost Thing
, de Andrew Ruhemann e Shaun Tan (Austrália, Reino Unido)

Melhor Direção de Arte
Madagascar, Carnet de Voyage
, de Bastien Dubois (França)

Melhor Filme de Encomenda
Xixi no Banho
, de Fernando Sanches (Brasil)





O curta Eu queria ser um Monstro, de nosso amigo Marão, levou dois prêmios, e foi bastante comentado durante o festival. Sob uma chuva de aplausos, Marão recebeu o troféu e agradeceu a toda a equipe que o ajudou a produzir o filme. Foi um momento muito bacana! Parabéns Marão :)

Vou terminando essa postagem por aqui. O Anima Mundi terminou nesse dia no Rio, de onde já seguia para São Paulo. Mas ele ainda não terminou aqui no Diálogos. Na próxima postagem desta série, comentarei sobre a Casa França-Brasil, e as atividades que lá ocorriam!

A material sobre o Anima Mundi, produzida pelo Canal Brasil, pode ser assistida nesse link.

Ah, só para lembrar, também falarei mais detalhadamente sobre alguns curtas em uma postagem futura, aguardem!

E um segundo "Ah", lembrando outra coisa! Não deixem de acompanhar o blog de meu irmão, Diego Akel, que participou do Anima Mundi com o curta Linhas e Espirais na Galeria Animada (outro tema para uma postagem futura). Diego também está falando sobre o festival, de uma maneira mais técnica, vale a pena conferir!




Veja a parte IV dessa série (Casa França-Brasil) clicando aqui!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

1 ano de Diálogos Visuais - Novo visual


Olá pessoal, no próximo dia 10 de agosto o Diálogos completa seu primeiro aniversário, nossa como o tempo passou depressa! Parece que foi ontem quando tive a ideia de criar este espaço, e tanta coisa aconteceu de lá para cá!

Não é de hoje que venho pensando em mudar a aparência do blog, pois essa primeira concepção era mais um teste à uma versão final. Os dois quadrados (ou losangos) sobrepostos no fundo preto pertenciam a estudos de composição que eu fazia na época para a produção de meu curta Polígonos (que deve finalmente sair até o fim de 2010), e gostei bastante daquela imagem: simples, minimalista e direta, bem ao estilo de como eu imaginava que seria o blog.

De uns tempos para cá, a partir de 2010, quando intensifiquei o ritmo de atualizações, percebi que era preciso mexer um pouco nessa estrutura, que já não ia muito de encontro com os novos ideiais que eu tratava por aqui, como o tema literatura e livros, que ganhou bem mais espaço. Foi aí que pensei nessa nova imagem que agora adorna o topo do Diálogos. A figura de um homem-lâmpada fascinou meus pensamentos. Mas não algo como o Lampadinha da Disney; eu imaginava alguém normal com - literalmente - uma lâmpada no lugar da cabeça. Essa pessoa estaria sentada em uma poltrona, e estaria também lendo um livro, iluminada apenas pela "luz" de sua cabeça, que não deixa de ser também a luz de sua imaginação, avivando-se a cada página lida. Pronto, estava definida a nova imagem, símbolo, que passaria a representar o blog.

Para a criação do desenho, chamei meu irmão Diego para me ajudar. Ele domina com maestria a arte do desenho, tendo inclusive começado a pintar e expor telas. Só recentemente, pois Diego andara bastante ocupado, pudemos sentar para discutir e começar a esboçar a imagem. Foi bem rápido até, e em poucos minutos vi a concepção de minha ideia retratada no traço leve e solto de Diego, que deu à ideia um ar misterioso e ao mesmo tempo cômico. Uma vez o homem-lâmpada devidamente sentado, a ler seu livro, bastou procurarmos uma boa tipografia, que tivesse um ar chamativo, sem ofuscar nosso personagem. Gostei tanto do homem-lâmpada, que durante a conversa que levou à sua criação, já pensamos até em fazer algum curta usando-o como personagem!

A imagem abaixo mostra o antigo visual do blog, aos que não tenham visto. Esse design, com as formas sobre o fundo preto e layout simplificado esteve no ar de 10 de agosto de 2009 a 5 de agosto de 2010:


Mesmo com um ano passado, alguns de meus objetivos iniciais no Diálogos ainda não foram atingidos, como a divulgação de meus trabalhos. Tenho me dedicado muito à literatura ultimamente, o que fez com que diminuísse o ritmo de produção do curta Polígonos, mas neste período pós Anima Mundi, me sinto novamente apto a continuar, quem sabe até mudar um pouco do conceito que tinha pensado antes.

Quanto à divulgação de meus textos, por enquanto não penso em fazê-lo, já que tenho em vista a publicação de livro (se tudo der certo!). Mas a fotografia, uma área que admiro bastante, merecerá um maior destaque no blog nos próximos meses.

Já quanto às divulgações de animações referência, acredito que venho conseguindo o resultado desejado. A ideia das mostras virtuais não deu muito certo, mas o material que exponho por aqui é selecionado: um material que busca inspirar facilmente, não somente a mim, mas qualquer animador, escritor ou artista em geral.

Ah, nestes próximos dias, irei relembrar algumas das postagens antigas que merecem ser revistas, fiquem atentos! Além de continuar com as impressões e comentários do Anima Mundi 2010.

Comentários, sugestões ou críticas, como sempre, serão muito bem recebidos ;)

É isso, bem-vindos à nova fase do Diálogos Visuais!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Anima Mundi 2010 (II - CCBB)

Postado em: 4 de agosto de 2010


De volta a Fortaleza já há duas semanas, mas ainda com o Anima Mundi e a cidade do Rio de Janeiro fortemente vivos na memória. Passamos uma semana por lá, mas é impressionante como o tempo passou depressa, e ao mesmo tempo parece ter durado um mês ;)

O festival nos tomava quase o dia inteiro, da manhã à noite, em exibições e palestras, que aconteciam no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) e nas áreas adjacentes, como a Praça Animada. Nesta segunda postagem da série Anima Mundi 2010, falarei de minhas impressões do CCBB, bem como de alguns dos eventos que lá aconteceram.

Como falei na postagem anterior, o prédio é um deslumbre por si só. Majestoso, agradável, suntuoso, lembrava quase um templo. Não é à toa que é um dos principais centros culturais do país. Durante o Anima Mundi, o prédio ganha uma roupagem especial, a começar por esses outdoors que podem ser vistos na sua fachada, na foto acima.

Grande parte da programação do Anima Mundi acontece no CCBB. Foi lá que vimos exibições de curtas, nas ótimas salas de cinema, palestras, em salas bastante suntuosas, além de algumas oficinas, onde eram ensinadas técnicas de animação, como Pixilation e massinha, a quem se aventurasse a enfrentar as sempre grandes filas.


- Nas duas fotos acima, visão geral do público que circulava pelo prédio. Abaixo, os espaços onde aconteciam as oficinas, com o movimento intenso dos últimos dias do festival. As pessoas entravam nas filas, eram instruídas pelos monitores e já começavam a produzir animações, gratuitamente. O processo de produção podia ser acompanhado em tempo real em TVs e projeções próximas.




No CCBB, também comprávamos todas as entradas para as sessões, a preços acessíveis (R$3,00 a meia e R$6,00 a inteira). Os ingressos podiam - e deviam, diga-se de passagem - ser comprados com antecedência, para evitar filas. O movimento em todas as exibições era bastante alto, e nos últimos dias do festival as sessões lotavam sem qualquer dificuldade. Era impressionante ver tanta gente interessada. Em uma de nossas passadas pelos saguões, encontramos um dos diretores do festival, o conceituado animador Marcos Magalhães. Diego ainda não o conhecia pessoalmente, e não perdeu a oportunidade do momento ;)

Havia também a Livraria da Travessa, localizada dentro do CCBB, especializada em livros e DVDs voltados para animação e artes visuais. Por conta do Anima Mundi, o movimento era incessante. O material oferecido era muito bom, mas os preços, bastante salgados. No espaço sobre a livraria, um café fino e elegante servia sanduíches, refeições e bebidas. Foi um bom ponto de parada ocasional para nós, entre uma sessão e outra, quando tínhamos tempo!

- Detalhe da Livraria da Travessa, localizada em um dos saguões do CCBB.


Um dos grandes momentos foi o Papo Animado com Cordell Barker, grande animador canadense. Seu curta The cat came back, de 1988, é simplesmente fantástico, não dá para cansar de assistir! Infelizmente não pude assistir à sua palestra, pois não havia mais ingressos. Mas Diego ainda conseguiu uma vaga, e pôde assisti-la. Cordell falou, entre outras coisas, de suas referências iniciais, que o inspiraram a ter esta maneira tão peculiar de fazer animação. Ele ainda mostrou alguns destes curtas, como o ótimo Hot Stuff. Após a palestra, Cordell ainda deu alguns autógrafos, esbanjando humildade, numa mesinha improvisada. Eu já estava fora do prédio, pois este já tinha fechado para o público (passava das 21h), mas consegui entrar novamente, para fotografar o momento em que ele concedia autógrafo a Diego, um ótimo momento! Posso ter perdido a palestra, mas felizmente ao menos os curtas eu ainda consegui assistir, em uma sessão especial que aconteceu no penúltimo dia ;)

Abaixo, imagens deste registro:




Ainda no CCBB, tivemos a palestra com a pesquisadora Maureen Furniss, autora do livro The Animation Bible e grande conhecedora dos processos e técnicas de animação. Ela falaria sobre o processo de se desenhar direto na película do filme, o Filme Direto, como vinha sendo chamado no festival. Dessa vez, eu consegui um ingresso para mim! O local escolhido foi uma sala do quarto andar do prédio, que lembrava à primeira vista um tribunal de justiça. Lá, Maureen mostrou curtas, indicou nomes de grandes animadores na área e explicou um pouco do processo de se fazer animação deste modo. Notei o público bastante atento, anotando cada palavra que aparecia nos slides, e era comum ouvir os muitos cliques de canetas se tampando e destampando a todo instante. Diego mesmo, sentado ao meu lado, tomou nota de tudo o que pôde.

Terminada a palestra, Maureen anunciou que distribuiria algumas publicações suas, uma coletânea de artigos sobre animação, publicados recentemente nos EUA, a um preço simbólico de R$10,00 cada. Ela até trouxe uma boa quantidade, mas tudo voou rapidamente. Diego ainda conseguiu dois exemplares. Maureen ainda conversou com algumas pessoas (quem se aventurava a falar em inglês), e deu autógrafos. Diego não se intimidou, e começou a conversar com ela com relativa tranquilidade, terminando por conseguir um autógrafo em seu exemplar de The Animation Bible. Mais um fato marcante, que rendeu mais algumas boas fotos de minha parte ;)

Fotos de mais este grande momento:





Continuando no CCBB, houveram ainda as palestras de Daniel Greaves, animador inglês, e Guilherme Marcondes, talentoso e reconhecido animador brasileiro. Não fui a nenhuma das duas, por falta de ingressos, e Diego só foi à de Guilherme, que segundo ele foi bem bacana.

Não era muita coisa que chegava a incomodar ou atrapalhar o Anima Mundi no CCBB, mas uma coisa era certa: os seguranças do prédio eram intimidadores. A sensação que se tinha era que eles estavam sempre olhando na sua direção; sempre desconfiando de todos os seus movimentos. Localizados em pontos estratégicos, os sisudos engravatados não deixavam escapar quase nada, nem mesmo quando havia movimento intenso nos corredores do CCBB. Lembro de ter sido chamado a atenção por um deles, por ter apoiado, momentaneamente, alguma coisa no parapeito do segundo andar. Evidente que não o fiz de propósito, foi só enquanto arrumava algo no bolso, mas o segurança não estava ligando para isso. Ele seguia ordens, e a ordem era pra não apoiar nada no parapeito, independente de ter sido inocentemente ou não. Também presenciei muita gente ser repreendida por sentar-se nos bancos do prédio e tocar o pé por acaso na superfície do banco. Hum, isso já é um pouco demais, não é? Isso, para não falar nos seguranças da Livraria da Travessa. Eles pareciam tratar cada pessoa que entrava na loja como um criminoso em potencial, seguindo a todos com olhos atentos, e às vezes nada discretos. Era até um pouco constrangedor pegar algum produto para olhar, e sempre era bom fazer gestos bem abertos! E ainda tinha todo o circuito interno de câmeras! Enfim, pelo menos não podíamos reclamar que o ambiente não era bem protegido ;)

Bom, seguem mais algumas fotos do prédio:


- Entrada central do CCBB, com o estacionamento sempre lotado. Ao fundo, a igreja da Candelária.

- Visão das salas do segundo andar. O curioso objeto no meio pertecia a uma instalação, que estava exposta bem no momento em que chegamos. São nestas salas superiores, como indicam as placas nas portas, que está acontecendo a exposição Zeróis, com enormes telas pintadas por Ziraldo (não poderia deixar de conferir, mas deixarei este assunto para uma postagem futura!).

- Detalhe das escadarias, que celebrando o Anima Mundi, também estavam devidamente adornadas!

- Provavelmente por conta da exposição Zérois, livros de Ziraldo eram constantemente expostos na vitrine da Livraria da Travessa.


Abaixo, algumas das fotos que fiz da majestosa estrutura do Centro Cultural:






- A cúpula era sem dúvida um dos destaques do prédio, e era comum ver de instante em instante alguém olhando para ela, ou então fotografando-a. Eu não poderia ter saído de lá sem ter tirado várias fotos da beleza desta arquitetura ;)

- Esta instalação estava exposta assim que chegamos ao CCBB pela primeira vez. Com a correria do festival, mal pudemos parar para admirá-la, e poucos dias depois ela foi encerrada. Parecia tratar-se de um conjunto de espelhos, que devia causar algumas distorções interessantes nessas formas superiores, talvez até na cúpula lá no alto.


- Diego, trajado a caráter, ao lado da vasta programação do Anima Mundi 2010 ;)


- Visão de fora do prédio, em uma das gélidas noites pelas quais passamos.

Bom, esse foi um pequeno passeio pelos principais eventos que pudemos acompanhar no CCBB. Mais informações do festival, sob o ponto de vista de Diego, em seu blog. Por aqui, continuo falando de nossas experiências no Anima Mundi 2010 na próxima postagem, até lá!

Ah, agora em agosto, o Diálogos Visuais completa 1 ano no ar, aguardem novidades!

Veja a parte III (Praça Animada), clicando aqui!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Anima Mundi 2010 (I - Linha geral)



Nossa, quanta correria! A viagem resolvida de última hora, o voo sempre cansativo, a chegada ao Rio em plena madrugada, e o início do dia seguinte já no clima do Anima Mundi! Assim foi o último dia 19, para mim, meu irmão Diego, e nossa querida mãe, que nos acompanhou nesta aventura.

O Rio de Janeiro é realmente merecedor da alcunha de Cidade Maravilhosa! Pelo pouquíssimo que pudemos ver até agora já podemos dar essa certeza! A estrutura da cidade, a arquitetura dos prédios, o clima agradável, enfim, uma experiência e tanto, vindo de uma cidade como Fortaleza.

O imponente prédio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), que abriga boa parte das atividades do evento é tão suntuoso ou mais do que as fotos que vi uns dias antes. Lá acontecem as oficinas, bate-papos e algumas das mostras de curtas. Também é lá que são vendidos os ingressos para todas as sessões de mostras, que mesmo podendo ser comprados antecipadamente, não impedem as enormes filas que quase sempre estão formadas.

Em uma tenda de enormes proporções, montada especialmente para o evento nas proximidades do CCBB, também aconteciam várias mostras de curtas animados, nacionais e internacionais. As melhores produções mais recentes!

Em um outro espaço adjacente, a Casa França-Brasil, acontecem mais oficinas, com várias técnicas de animação, e também há uma lojinha que vende produtos tematizados, como camisas, bolsas, DVDs, flipbooks etc, tudo com a marca do Anima Mundi. Uma boa oportunidade para levar alguma coisa e marcar esse momento tão especial.

Diego está acompanhando mais intensamente o festival (já teve a oportunidade de conversar um pouco com o grande animador Marcos Magalhães e até com Maureen Furniss, convidada internacional, autora do livro The Animation Bible), e por isso fará uma cobertura um pouco mais completa em seu blog. Eu estou registrando o que posso, com muitas fotos, de quase tudo para onde consigo apontar a câmera, e logo postarei as melhores aqui ;)
Ah, hoje tivemos excelentes curtas exibidos, com qualidade inigualável, técnicas inovadoras e roteiros bem inusitados! Um prato cheio para amantes da animação!

Ah, hoje também tive um tempinho para explorar melhor a exposição "Zeróis", de Ziraldo, que começou no dia 20 de julho, aqui mesmo no CCBB (essa coincidência foi mesmo incrível!). Nossa, cada tela tem um brilho próprio, único. Cores fortes, vibrantes, tão vivas que só faltam pular da tela!

Bom, por hora é só, mas logo falarei bem mais sobre o Anima Mundi e "Zeróis", pois está é apenas a primeira postagem de uma série .Aos que morarem no Rio, não deixem de compareçar a ambos! Não deixem de acompanhar também o blog de Diego Akel, para informações do Anima Mundi sob outro ponto de vista!

Abaixo a tenda, chamada de Praça Animada, onde acontecem as exibições dos curtas:



Veja a parte II - CCBB clicando aqui.

domingo, 18 de julho de 2010

Anima Mundi 2010


Pessoal, na última sexta-feira, 16 de julho, teve início no Rio de Janeiro o Anima Mundi, festival internacional de animação do Brasil. O maior evento dedicado à animação no país chega à sua 18ª edição, e como sempre traz em sua programação uma grande variedade de atrações, como mostras, palestras, bate-papos e oficinas. Uma síntese do que há de melhor no ramo de animação no Brasil e no mundo.

O curta Linhas e Espirais, de meu irmão Diego Akel, foi selecionado para a seção Galeria do festival, seleção especial de filmes que desafiam e/ou inovam os formatos tradicionais, com experimentações no campo da estética, do roteiro e da percepção da linguagem de animação, de acordo com as palavras do site do evento.

Mesmo já tendo trabalhos anteriores selecionados em edições passadas do Anima Mundi, dessa vez ele terá a imensa satisfação de acompanhar pessoalmente boa parte do andamento do festival, bem como a exibição de seu curta, que a cada dia se projeta mais nacional e internacionalmente. E, se nossos planos derem certo, é provável que eu o acompanhe em mais esta empreitada! Será uma ótima oportunidade para mim, de me aproximar ainda mais desse incrível universo que é o mundo da animação. Se assim acontecer, aguardem em breve uma postagem dedicada ao evento, como fotos e fatos ;)

O Anima Mundi 2010 acontece de 16 a 25 de julho no CCBB do Rio de Janeiro. Uma feliz coincidência é que justamente neste período, a exposição "Zérois", formada por telas pintadas por Ziraldo, da qual falei na postagem anterior, acontece no mesmo prédio que abriga o festival de animação. Assim, ao que tudo indica, uniremos o útil ao agradável, e eu terei a chance de ver de perto as 44 gigantescas telas que compõe a exposição ;)

Após o dia 25, o Anima Mundi terá uma segunda parte - uma síntese do que se viu no Rio - em São Paulo, de 28 de julho a 1º de agosto. Informações completas no site oficial.

É isso, os que puderem, não deixem de comparecer!

domingo, 11 de julho de 2010

Ziraldo no Programa do Jô


Ziraldo foi entrevistado na última quinta-feira, 8 de julho, no Programa do Jô, em um momento bastante descontraído, ao melhor estilo de ambos. Na hora, não soube desse fato, mas como as notícias voam - e graças ao YouTube (também está disponível no site da Globo), em poucos instantes já estava podendo assistir a mais essa entrevista do escritor e cartunista.

Na ocasião, Jô mostrou o livro "Ziraldo em cartaz", lançado no ano passado, que traz centenas de cartazes produzidos por Ziraldo ao longo de sua carreira. Bacana foi a parte que mostrou os cartazes feitos para o próprio Jô Soares, como este que ilustra esta postagem ;)

Ziraldo falou ainda sobre sua atividade como pintor, que tem se intensificado nos últimos anos. Foram mostradas algumas telas - de pelo menos 2 metros de largura - que farão parte da exposição "Zérois", que começa a ser exibida agora dia 19 de julho no Rio de Janeiro. A qualidade das obras é impressionante. O traço simples e direto de Ziraldo, aliado a cores fortes e vibrantes, combinam o que o artista sabe fazer de melhor.

A entrevista tem quase quarenta minutos de duração, e é constantemente pontuada por piadas e gracejos de ambos os lados, como disse no início, o que a torna quase uma conversa informal. Aos fãs de Ziraldo, como eu, aí está a entrevista na íntegra:

Parte 1 -


Parte 2 -


Parte 3 -


Parte 4 -



Não deixem de assistir! E aos que puderem, de ir à exposição, que será no CCBB do Rio. Quem dera eu pudesse ir... ;)

Ah, e só pra não esquecer, Ziraldo esteve na Bienal do Livro aqui em Fortaleza, em abril deste ano. Acompanhei a ótima palestra, registrando fotos e vídeos para compor uma das postagens da série "Bienal do Livro 2010: minhas impressões", aqui do blog. Quem ainda não viu, basta seguir por aqui.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Dica de leitura: O Ladrão e os Cães


Vou falar agora um pouquinho sobre uma de minhas leituras mais recentes:

O Ladrão e os Cães, romance de autoria do renomado escritor egípcio Naguib Mahfouz, é uma história instigante, que muitas vezes lembra um bom romance policial. Repleta de intrigas, revezes e surpresas, a trama conduz o leitor direto ao coração do Cairo, mostrando a estrututra da curiosa sociedade egipcía, em meados dos anos 50.

Uma das razões que me fez comprar este livro foi o pequeno prólogo, contido na parte de trás dele, que transcrevo na íntegra abaixo:

O Ladrão e os Cães é, a um só tempo, um thriller e uma análise ética do mundo. Said é um Robin Hood egípcio cujos furtos são motivados por poderosos princípios igualitários, bem como por rancor social. Recém libertado da prisão, ele tem à frente o desafio de começar do zero e reconquistar sua filha. Mas a rejeição dela e a sede de vingança por aqueles que o traíram levam-no às profundezas da vida no Cairo, durante os primeiros anos do movimentos que culminou na revolução egípcia de 1952.

Publicado em 1961, O ladrão e os cães marca uma ruptura em relação à obra prévia de Naguib Mahfuz, o maior representante moderno da literatura em língua árabe. Trata-se de um romance psicológico, mais impressionista que realista, cujo personagem principal lembra, às vezes, o Raskólhnikov dostoievskiano. Por meio do estilo pungente do autor, o leitor se vê no lugar de Said e, em meio ao desespero e à decepção, compreende a estrutura e as engrenagens da sociedade egípcia, uma das nações que mais turbolências enfrentou durante o século XX.

Naguib Mahfuz (1911-2006) nasceu no Cairo, Egito. Escreveu mais de trinta romances, centenas de histórias, vários roteiros para filmes e cinco peças teatrais. Foi o primeiro e único escritor de língua árabe a receber o Prêmio Nobel de Literatura (1988). Entre suas obras mais conhecidas está a monumental Trilogia do Cairo (1956-1957).

Não conhecia nada deste autor, até aparecer esse livrinho na minha frente. Comecei a ler, meio despretensiosamente, até me sentir completamente fisgado pelo fascinante universo de Mahfuz. A maneira como faz sua narrativa, profunda, tocante, áspera, nos coloca realmente na pele de Said Mahran, figura central da história. Através da técnica do fluxo de consciência, Mahfuz nos mostra toda a aflição e desespero de Said, enquanto este se perde na busca pela vingança doentia contra aqueles que o traíram e de certa forma o condenaram a este agustiante destino.

O livro consegue prender muito bem a atenção, em cada uma das 137 páginas, e à medida que se tenta entender o psicológico de Said, vivenciamos vários costumes da cultura arábe, como a oração sagrada matinal. A mente conturbada do protagonista, algumas vezes consegue deprimir de verdade, tamanha a carga de pessimismo, ora irônico, ora realmente cruel que transborda de suas maquinações.

Outro personagem de força notável na história é o xeque Ali al-Junaydi, responsável por conselhos espirituais, representando a voz moral no romance. Suas colocações, altamente filosóficas e reflexivas, tentam organizar a mente perdida de Said.

Por falar nessas colocações, que são um destaque à parte, estou fazendo um estudo em cima do livro, traçando as principais e mais significativas. Iria postá-las aqui, mas para não misturar muito os temas, vou deixar para uma postagem futura!

Bom, enfim, é realmente uma ótima leitura, onde tudo se desenvolve rápido e sem delongas. Nas últimas páginas, o desfecho da epopeia de Said consegue ser no mínimo inesperado, como são, aliás, a maioria das passagens. Através desse livro, comecei a estudar a fundo a obra de Naguib Mahfuz, buscando mais de seus livros nas livrarias e informações sobre ele (que podem até ser assunto para uma postagem futura, quem sabe). Por um acaso do destino, encontrei toda a Trilogia do Cairo - sua obras mais aclamada - a um preço excelente na Bienal do Livro, recentemente. A leitura de O Ladrão e os Cães também me despertou muitas aptidões, como a vontade de aprender a falar e escrever árabe =) Pode soar estranho, mas acho que por ter uma raiz síria na família, seria bastante justo. Além disso, acho muito interessante a grafia das letras. Já comprei até uma gramática arábe! E tem um curso que estou em vista de fazer; agora é só ter a determinação!

Ah, e quem quiser se aventurar nas ruas do Cairo nas páginas de O Ladrão e os Cães, procure em qualquer livraria a ótima edição pocket da L&PM , por apenas R$11,00 ;)

Veja mais sobre O Ladrão e os Cães nesta postagem.