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"Todos temos coisas na vida que valem a pena ser contadas, escritas. Mesmo que não para publicar, escreva-as para a família."Ilko Minev



terça-feira, 6 de julho de 2010

Dica de leitura: O Ladrão e os Cães


Vou falar agora um pouquinho sobre uma de minhas leituras mais recentes:

O Ladrão e os Cães, romance de autoria do renomado escritor egípcio Naguib Mahfouz, é uma história instigante, que muitas vezes lembra um bom romance policial. Repleta de intrigas, revezes e surpresas, a trama conduz o leitor direto ao coração do Cairo, mostrando a estrututra da curiosa sociedade egipcía, em meados dos anos 50.

Uma das razões que me fez comprar este livro foi o pequeno prólogo, contido na parte de trás dele, que transcrevo na íntegra abaixo:

O Ladrão e os Cães é, a um só tempo, um thriller e uma análise ética do mundo. Said é um Robin Hood egípcio cujos furtos são motivados por poderosos princípios igualitários, bem como por rancor social. Recém libertado da prisão, ele tem à frente o desafio de começar do zero e reconquistar sua filha. Mas a rejeição dela e a sede de vingança por aqueles que o traíram levam-no às profundezas da vida no Cairo, durante os primeiros anos do movimentos que culminou na revolução egípcia de 1952.

Publicado em 1961, O ladrão e os cães marca uma ruptura em relação à obra prévia de Naguib Mahfuz, o maior representante moderno da literatura em língua árabe. Trata-se de um romance psicológico, mais impressionista que realista, cujo personagem principal lembra, às vezes, o Raskólhnikov dostoievskiano. Por meio do estilo pungente do autor, o leitor se vê no lugar de Said e, em meio ao desespero e à decepção, compreende a estrutura e as engrenagens da sociedade egípcia, uma das nações que mais turbolências enfrentou durante o século XX.

Naguib Mahfuz (1911-2006) nasceu no Cairo, Egito. Escreveu mais de trinta romances, centenas de histórias, vários roteiros para filmes e cinco peças teatrais. Foi o primeiro e único escritor de língua árabe a receber o Prêmio Nobel de Literatura (1988). Entre suas obras mais conhecidas está a monumental Trilogia do Cairo (1956-1957).

Não conhecia nada deste autor, até aparecer esse livrinho na minha frente. Comecei a ler, meio despretensiosamente, até me sentir completamente fisgado pelo fascinante universo de Mahfuz. A maneira como faz sua narrativa, profunda, tocante, áspera, nos coloca realmente na pele de Said Mahran, figura central da história. Através da técnica do fluxo de consciência, Mahfuz nos mostra toda a aflição e desespero de Said, enquanto este se perde na busca pela vingança doentia contra aqueles que o traíram e de certa forma o condenaram a este agustiante destino.

O livro consegue prender muito bem a atenção, em cada uma das 137 páginas, e à medida que se tenta entender o psicológico de Said, vivenciamos vários costumes da cultura arábe, como a oração sagrada matinal. A mente conturbada do protagonista, algumas vezes consegue deprimir de verdade, tamanha a carga de pessimismo, ora irônico, ora realmente cruel que transborda de suas maquinações.

Outro personagem de força notável na história é o xeque Ali al-Junaydi, responsável por conselhos espirituais, representando a voz moral no romance. Suas colocações, altamente filosóficas e reflexivas, tentam organizar a mente perdida de Said.

Por falar nessas colocações, que são um destaque à parte, estou fazendo um estudo em cima do livro, traçando as principais e mais significativas. Iria postá-las aqui, mas para não misturar muito os temas, vou deixar para uma postagem futura!

Bom, enfim, é realmente uma ótima leitura, onde tudo se desenvolve rápido e sem delongas. Nas últimas páginas, o desfecho da epopeia de Said consegue ser no mínimo inesperado, como são, aliás, a maioria das passagens. Através desse livro, comecei a estudar a fundo a obra de Naguib Mahfuz, buscando mais de seus livros nas livrarias e informações sobre ele (que podem até ser assunto para uma postagem futura, quem sabe). Por um acaso do destino, encontrei toda a Trilogia do Cairo - sua obras mais aclamada - a um preço excelente na Bienal do Livro, recentemente. A leitura de O Ladrão e os Cães também me despertou muitas aptidões, como a vontade de aprender a falar e escrever árabe =) Pode soar estranho, mas acho que por ter uma raiz síria na família, seria bastante justo. Além disso, acho muito interessante a grafia das letras. Já comprei até uma gramática arábe! E tem um curso que estou em vista de fazer; agora é só ter a determinação!

Ah, e quem quiser se aventurar nas ruas do Cairo nas páginas de O Ladrão e os Cães, procure em qualquer livraria a ótima edição pocket da L&PM , por apenas R$11,00 ;)

Veja mais sobre O Ladrão e os Cães nesta postagem.

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