Frases


"O coração que se ganha é o que se dá em troca" – Marcelino Freire



terça-feira, 5 de abril de 2011

Dica de leitura: O Pastor



Amigos, falarei agora um pouco sobre uma de minhas leituras mais recentes, O Pastor, uma breve história de autoria do renomado autor Frederick Forsyth.

Não conhecia até então nada muito concreto de Forsyth, só tinha ouvido falar de seu nome, e até comprei um outro livro dele na última bienal do livro daqui, ano passado, mas ainda não cheguei a lê-lo. Aliás, O Pastor mesmo, inclusive, quase comprei também por lá, mas acabei trocando de última hora por outro. Vim a obter o livro mesmo recentemente, em uma de minhas idas às livrarias locais.

Diferente dos últimos livros que tenho comprado, que acabaram involuntariamente indo direto para as estantes, aguardando um momento mais livre para serem lidos, este eu resolvi ler logo de cara, assim que o comprei, e foi sem dúvida uma boa resolução!

De início, um dos primeiros atrativos que achei neste livro foi sua sinopse, que transcrevo na íntegra abaixo:

Noite de Natal de 1957. Um jovem piloto da Royal Air Force recebe a licença para comemorar a data com a família, em Blighty, Reino Unido. Com um luar belíssimo, no céu noturno e gélido da Alemanha, o piloto decola sozinho em seu avião de caça para sobrevoar a costa da Holanda, em direção ao Mar do Norte. Mas uma pane na aeronave muda o rumo do voo. O piloto está perdido no nevoeiro e o avião começa a perder altitude. O rádio não funciona, nem o radar, nem o botão de transmissão, a agulha da bússola gira sem controle. O jovem sabe que morrerá em poucos minutos. Muito suspense aguarda pelo leitor de Forsyth nesta história curta e comovente.

Por este trecho, e pelo subtítulo do livro "O misterioso resgate aéreo na noite de Natal", já se percebe que estamos diante de uma história de alguma forma extraordinária, com algo de inexplicável a acontecer. E é com essa sensação que começamos a percorrer as páginas.

Publicado em 1975, O Pastor pode não ser uma das obras de referência de Frederick Forsyth, como O dia do Chacal ou O Quarto Protocolo, mas é sem dúvida uma ótima maneira de se familiarizar ao estilo do escritor.

Forsyth tem como uma de suas principais características o grande cuidado e atenção aos detalhes, aos elementos que compõe cada cena que narra, de maneira que tudo transborda uma autenticidade incrivelmente precisa.

O escritor foi um dos mais jovens pilotos da Royal Air Force (RAF), servindo do período de 1956 a 1958 (coincidentemente quase o período em que se passa O Pastor). Em seguida, Forsyth tornou-se jornalista, e, como correspondente estrangeiro, ganhou renome cobrindo eventos como a guerra civil na Nigéria. Tudo isto lhe deu grande experiência e profundo conhecimento da política internacional, o que mais tarde viria a preencher muito bem as páginas de seus livros, estreando com o romance O dia do Chacal.

Após a leitura de O Pastor e uma pequena olhada na biografia de Forsyth, percebo que os dias como aviador na RAF também muito inspiraram o escritor, que trouxe parte desta rotina para as páginas do livro.

Sim, como já devem ter percebido, a trama de O Pastor não tem, a princípio, qualquer veia religiosa (pelo menos não do jeito que a maioria esperaria ver, ou do jeito que o subtítulo sugere). O termo "pastor" refere-se a um detalhe próprio da história, mas não direi qual. Leiam!

Esta breve história de Fortsyth trata-se quase de um conto, apesar de suas 108 páginas (que passam incrivelmente rápido, acreditem!). Desde o início acompanhamos a rotina do piloto, sua preparação, seu desejo de chegar em casa para o Natal, até sua angústia quando a aparelhagem começa a enguiçar. Como falei, o cuidado dedicado por Forsyth às cenas as torna tão vivas, tão reais, que chega a ser como se nós estivéssemos a bordo do avião defeituoso, sentindo na pele tudo o que o piloto anseia, à medida que percebe que não terá como se salvar.




O livro traz ainda algumas belas ilustrações, como esta acima, de autoria do artista plástico brasileiro Pedro Meyer Barreto. Todas em preto e branco, visam retratar alguns momentos-chave da trama, com certo ar sombrio e enigmático. Os desenhos casaram muito bem com a atmosfera da história; o traço de Pedro injeta grande autenticidade ao texto de Forsyth, sem parecer nenhuma vez forçado ou obsoleto.

Para trasmitir com ainda mais precisão a situação de seu protagonista, Forsyth também se vale de todo um linguajar aeronáutico, que nos atiça a curiosidade para conhecer melhor esta área. É impressionante como me vi, após a leitura do livro, procurando e pesquisando os modelos de aviões, informações sobre a RAF e os locais sobrevoados na história. Aliás, esse é o grande barato, não só desse livro, mas de qualquer livro que nos faz viajar e sonhar: nos desperta para coisas novas, que talvez nunca fôssemos atrás por espontânea vontade, não é?

Enfim, um ótimo livro para os que gostam de aventura, suspense e mistério. Quem conhece Forsyth, sabe do que falo. Quem não conhece o escritor, como eu não conhecia, é uma boa maneira de começar. O Pastor pode ser achado nas boas livrarias. A edição da editora Best Bolso (Traduzida por A.B. Pinheiro de Lemos) sai por módicos R$12,90.

Bem-vindos a bordo do De Havilland Vampire!

terça-feira, 29 de março de 2011

O poder do abraço



Olá amigos, gostaria de compartilhar o seguinte texto, que não sei bem onde obtive (provavelmente de anos atrás), mas achei-o aqui em casa, em meio a dezenas de papéis velhos, em uma faxina corriqueira. Queria tê-lo postado aqui há mais tempo, mas sempre o perdia novamente antes que pudesse fazê-lo! Dessa vez, porém, aí está:


O Abraço


O que faz, por exemplo, quando está com dor de cabeça? Ou quando está chateado? Será que existe algum remédio para aliviar a maioria dos problemas físicos e emocionais?


Pois é, durante muito tempo estivemos à procura de alguma coisa que nos rejuvenescesse,  que prolongasse o nosso bom humor, que nos protegesse contra as doenças, que curasse nossa depressão, que nos aliviasse de nosso estresse, que nos fizesse chegar próximo daquele com quem brigamos. Sim, alguma coisa que fortalecesse nossos laços conjugais e que inclusive nos ajudasse a adormecer tranquilos. Encontramos! O remédio havia sido descoberto e já estava à nossa disposição. E continua ao alcance de nossas mãos. O mais impressionante de tudo é que, ainda por cima, não custa nada. Aliás, custa sim, custa um pouco de vontade de perdoar.


É o ABRAÇO! O abraço é milagroso, é medicina realmente muito forte. O abraço como sinal de afetividade, de carinho e de perdão pode nos ajudar a viver mais tempo, proteger-nos contra doenças, curar a depressão e fortificar os laços conjugais e familiares. O abraço é excelente tônico! Hoje sabemos que a pessoa deprimida é bem mais suscetível a doenças. O abraço diminui a depressão e revigora o sistema imunológico da pessoa. O abraço injeta nova vida nos corpos cansados e fatigados e a pessoa abraçada se sente muito mais jovem e vibrante. O abraço aumenta significativamente a hemoglobina na pessoa tocada. Para lembrar, hemoglobina é aquela parte do sangue que transporta o oxigênio para os órgãos mais vitais do nosso corpo, inclusive o cérebro e o coração. 


O uso regular do abraço, por isso tudo, prolonga a vida, sara a depressão e estimula a vontade de viver, crescer e progredir.


Sabe quantos abraços você precisa dar por dia?


4     para sobreviver;
8     para manter-se vivo;
12   para prosperar.


E o mais bonito, é que este remédio não tem contra-indicações e não há maneira de dá-lo sem recebê-lo de volta!





Interessante, não é? Um gesto simples que, embora não pareça – a uma primeira vista – pode se revelar uma grande cura para problemas que muitas vezes parecem tão complexos. Nos dias de hoje, nessa pressa tão equivocada em que estamos todos invariavelmente mergulhados, mal há tempo de nos cumprimentarmos direto, muito menos com um abraço. Quantas pessoas abraçamos por dia? Ou quanto custa pararmos um pouco o que estamos fazendo (ou o que pretendemos fazer) para tirar uns instantes para um abraço naquela pessoa querida? Mas é preciso estarmos dispostos mesmo a abraçar, a receber o outro, a estabelecer este contato, de maneira natural!



Comumente, os cumprimentos e saudações mais comuns são o aperto de mão ou beijos rituais, e o abraço fica restrito mais a ocasiões festivas, despedidas ou tragédias e catástrofes. Mas a emoção de um abraço acaba tendo também uma qualidade terapêutica diferente, especial, única.

Existem dezenas de teorias, estudos e livros publicados sobre o assunto. O abraço é realmente milagroso, gente! O contato físico nos deixa mais tranquilos, nos apazigua, nos transforma. Em casa, um abraço todos os dias ajuda a reforçar os relacionamentos e reduzir consideravelmente as brigas e atritos.



Seria muita pretensão dizer que o abraço pode ser uma salvação para a humanidade? Não sei, mas com certeza é preciso que tenhamos mais consciência de sua importância, e que passemos a abraçar mais, não é? 

Claro que temos maior afinidade em abraçar pessoas conhecidas, em que nutrimos qualquer tipo de afeto, a pessoas estranhas, e é justamente aí, segundo algumas pesquisas que fiz, que cada um descobre sua evolução afetiva, seu processo de humanização, através de sua capacidade de abraçar.

Pensem a respeito, de como nos sentimos bem após um singelo abraço, e quando acabarem de ler isto, saiam um pouco do computador e abracem a pessoa mais próxima, um familiar ou um amigo.

Um abraço a todos!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Fábulas de Esopo - A Galinha dos Ovos de Ouro



A clássica história da galinha que botava ovos de ouro é com certeza conhecida de muitos, mas todos compreendemos bem seu real significado? Esta bela fábula, transcrita e adaptada ao longo dos séculos, teria sido originalmente mais uma de autoria do lendário grego Esopo, portanto, vale a pena sempre revisitá-la. Vamos a ela:

A Galinha dos Ovos de Ouro

     Um homem tinha uma galinha que punha ovos de ouro. Achando que por dentro ela era só ouro, matou-a, mas não encontrou nada de diferente das outras galinhas. Assim, em vez de descobrir o enorme tesouro que esperava, perdeu até o pequeno lucro que ela lhe dava.
     Cuidado com a ambição. Contenta-te com o que já tens. 


A ambição e cegueira do homem são colocadas em evidência nessa história. A inconformação com o que já se tem, a sede por mais, a cobiça. Novamente um conceito, uma ideia que permanece em destaque desde tempos remotos até os dias de hoje.

É muito comum atualmente não darmos valor à nossa galinha dos ovos de ouro, ao que temos, e ficarmos querendo mais e mais, numa busca praticamente infinita, seja pelo que for. Se não frearmos essa conduta, própria do ser humano, podemos uma hora acabar como o homem da Galinha dos Ovos de Ouro, que tinha tudo e por mero capricho ficou sem nada.

Reflitam!

terça-feira, 1 de março de 2011

Moacyr Scliar...


Texto iniciado em 27.02.2011

Há pouco tempo atrás falei sobre Moacir C. Lopes, escritor cearense, falecido em novembro do ano passado. Infelizmente, agora terei de falar um pouco, nestes termos, sobre o outro Moacir de nossa literatura, o Moacyr Scliar. Está é mais uma postagem que não está sendo nada fácil de escrever e que não imaginei ter de fazer tão cedo, mas, enfim, sei que preciso fazê-la, então vamos lá...

Estava nos últimos dias revendo alguns textos e assuntos para postar aqui no blog, e ia colocar uma nova fábula de Esopo hoje, porém... foi só o tempo de entrar no Twitter e ver os inúmeros tweets saudosos sobre Moacyr Scliar, além de seu nome nos Trends que percebi logo que boa coisa não tinha acontecido.

Nos últimos dias, sabia que ele, um de meus escritores favoritos, que me influenciou fortemente a querer e a gostar de escrever (por meio de uma antologia sua que li na época da escola), estava internado, por complicações devido a um AVC. Seu filho, Beto Scliar, através do Twitter, mantinha os fãs e admiradores de Moacyr informados acerca do estado de seu pai, e era grande a corrente de mensagens de melhoras enviadas (eu mandei várias). Estava confiante, assim como todos, que Moacyr se recuperaria e que logo esta seria somente mais uma página virada em sua vida. 

Até receber por meio dessa agitação no Twitter a notícia que ninguém queria. Moacyr Scliar tinha falecido. Fiquei em choque nos primeiros minutos, pois não conseguia de maneira alguma aceitar aquele fato. Li e reli a notícia, em inúmeros sites (que estão até agora minimizados aqui), e mesmo assim não queria acreditar. Scliar lutou muito, como Beto nos informava pelos tweets, lutou como o forte e inabálavel guerreiro que era. Após o AVC, teve boa recuperação, lutou contra febre e pneumonia, mas só não pôde lutar contra a vontade de Deus, que o chamou a seu lado. É uma dura realidade para nós, que só temos de nos conformar.

Ele fará uma falta incalculável no cenário literário e cultural de nosso país. Scliar era uma presença certa em quase todas as feiras e eventos litarários (e também os de medicina, pois também era médico,  conhecido como doutor Moacyr). Tinha também voz ativa na Academia Brasileira de Letras, onde sempre comparecia às reuniões. Não se sabe como, Moacyr Scliar ainda arranjava tempo para escrever suas colunas em vários jornais e revistas do país, além dos inúmeros livros (da crônica ao romance) que fascinaram, fascinam e fascinarão gerações. Quando o perguntavam como conseguira escrever tantas obras em relativamente pouco tempo, a resposta era simples: "É só partir do ponto que o escritor escreve, que este é seu ofício". Moacyr Scliar escrevia todos os dias, sem exceção, como disse em várias entrevistas. Ainda, sua admiração pelo escritor tcheco Franz Kafka (que também adoro) o fez escrever algumas obras relacionadas a ele, muito bem recebidas. 

Desejava muito ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente (ou mesmo de assistir a uma de suas palestras) e também de ter conversado um pouco com ele, que sempre me pareceu extremamente simpático, gentil e receptivo. Infelizmente não foi possível.

Moacyr Scliar. Este nome para mim (e creio que para muitos também) é muito mais do que um nome, é um ícone, quase um mito, que me incentivou muito a seguir pelo caminho que estou hoje, que me motivou a ver no mundo das letras, das palavras, uma maneira de me expressar, de criar, de construir. Conheço ainda muito pouco de sua vastíssima obra, mas os contos/crônicas que li até agora fizeram a diferença (como os dos livros Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, Histórias para quase todos os gostos e O imaginário cotidiano), mudaram muita coisa em mim, tornaram-me mais crítico, mais observador, mais humano. Ele foi um grande contador de histórias, histórias para realmente quase todos os gostos, que articulavam ideias e visões de realidades bem diferentes das que conseguíamos enxergar, tirando de fatos simples e corriqueiros verdadeiras lições que engrandecem nosso espírito. Como disse o poeta Fabrício Carpinejar, em ocasião do fato, Moacyr Scliar tinha um exército dentro de si, um exército de um homem só domando centauros, produzindo miragens, dobrando os dias, duplicando a claridade da página.

Custo a acreditar que uma de minhas maiores (senão a maior) referências tenha ido assim, quase abruptamente. Nunca estamos preparados para momentos como esse, acho que essa é a única certeza que se pode ter. Enfim, não queria escrever tanto, mas jamais me sentiria bem sem fazer uma homenagem a ele, e para concluir, relembrarei uma outra postagem que fiz sobre Scliar, há exatamente um ano, que traz uma sensacional entrevista, dada a ele ao projeto Sempre um Papo (ótimo projeto, por sinal, do qual falarei melhor aqui numa outra postagem).

Palavras de Moacyr Scliar (texto de 1º de março de 2010)

Obrigado mestre Scliar! Seu carisma e personalidade estão em seus livros e textos, que são e serão sua melhor imagem, de agora em diante! 

Desejo também os melhores confortos à família Scliar, pelo momento que devem estar passando.



Conheça mais sobre Moacyr Scliar no site oficial do escritor.

Ah, também no dia 27, faleceu o escritor e filósofo Benedito Nunes, que também admirava bastante. Lamento mais essa perda. 

E ainda teve gente que no dia 27 só ligou pro Oscar...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Filme: O Pequeno Príncipe



Há pouco tempo, postei alguns comentários sobre a obra máxima de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe (veja aqui), um livro fantástico, que consegue mudar nossa maneira de ver o mundo facilmente. Ocupei-me vários meses fazendo uma extensa análise do livro, e em breve devo postar uns trechos aqui. Mas, o assunto em questão, dessa vez, não é exatamente o livro, e sim o filme, como diz o título da postagem. Já tinha conhecimento da versão cinematográfica, porém é claro que preferi ter a primeira experiência da história diretamente no livro, para não ter uma visão apenas focada no filme.




Como já falei na postagem referente ao livro, passei vários meses mergulhado em suas páginas, maravilhando-me. Tive quase arrependimento por não tê-lo lido quando criança (o que me põe quase no papel do piloto, se é que me entendem!), e sem dúvida o considero uma das principais leituras que fiz nos últimos anos. Enfim, concluídas as duas leituras e análise que fiz da obra, me voltei então para o filme.

Lançado em 1974, a versão cinematográfica da famosa história de Exupéry traz à vida o principezinho, e grande parte dos acontecimentos do livro, mas também se dá ao direito de inserir alguns novos personagens e situações. Postarei mais algumas imagens do filme ao longo do texto.

Richard Kiley como o piloto


Como só descobri durante o filme, trata-se de um musical, onde as canções (belíssimas por sinal) se desenrolam em momentos chaves da história. Assisti, e devo dizer que fiquei maravilhado, com todo o conjunto da obra. Ao final, eu estava certo de que é um filme único, que, como o livro, tem o poder de cativar os que se deixam levar pela sua inocência, juntamente com suas valorosas citações e reflexões.

Cito um pouco do elenco principal: Richard Kiley como o piloto, Donna McKechnie como a vaidosa e temperamental flor, o famoso dançarino Bob Fosse como a serpente, Gene Wilder como a célebre raposa e Steve Warner como o Pequeno Príncipe.

Steve Warner é a estrela do filme, no papel do princepezinho


Bob Fosse, aliás, é o responsável por uma das cenas mais memoráveis, com sua performance – a dança da serpente. Bob inclusive teria influenciado bastante Michael Jackson, e essa cena não nos deixa dúvidas! E a raposa de Gene Wilder? Simplesmente perfeita, reproduzindo um dos momentos mais marcantes do livro. Já Richard Kiley faz um ótimo retrato do piloto, que vê no Pequeno Príncipe bastante de si, e repensa valores já quase esquecidos. Coube ao pequeno Steve Warner viver o principezinho, e ele o fez magnificamente bem. Sua candura reflete com graça uma ótima imagem do personagem, e ele parece atuar com tanta naturalidade! O curioso é que este foi o primeiro e único grande trabalho de Warner como ator (depois fez apenas papéis sem muito destaque). Atualmente, afastado das telas, ele trabalha como técnico de efeitos especiais para filmes como Gladiador. É... é melhor lembrar dele como o carismático e cativante princepezinho.






Bob Fosse na célebre dança da serpente

Algo que achei estranho, a princípio, foi ver os personagens animais interpretados por atores reais. Mas só por um breve momento, pois quando as brilhantes atuações (e a sensacional trilha sonora!) nos contagiam, esse passa a ser apenas um mero detalhe, que se torna perfeitamente cabível à proposta do filme, além de ser também um detalhe bem característico.



Gene Wilder dá um toque especial à raposa


Um outro detalhe no mínimo curioso sobre o filme é que ele foi uma produção americana/britânica, e não francesa, como haveria de se esperar. Aliás, é ainda mais curioso imaginar que até hoje nenhum diretor frânces não tenha filmado a obra, não é? Claro que o trabalho de Stanley Donen (mais conhecido por dirigir Cantando na Chuva), foi bastante preciso, mas seria interessante ver a visão de um cineasta frânces, como Jean-Jacques Annaud (de O Nome da Rosa) ou até Michel Gondry.

A flor é interpretada por Donna McKechnie


Por outro lado, temo um pouco ao pensar como poderia ser uma nova versão do Pequeno Príncipe, nesses tempos onde o 3D impera (Basta ver como saiu a Alice de Tim Burton). Que um filme como o de 1974, com aquela atmosfera, aquela inocência e simplicidade (que são na verdade seus pontos mais fortes), jamais seria feito hoje em dia, todos sabemos, mas o resultado de uma produção atual da principal obra de Exupéry pode acabar distoando imensamente da visão que preservamos do texto. Além de que, provavelmente a raposa, serpente e flor seriam retratados como personagens digitais (como o Gato de Cheshire, novamente da Alice de Tim Burton) o que diminuiria sensivelmente sua graça e apelo ante o público, não concordam?

O Rei, um dos personagens do livro que também está presente no filme

Alguns dos novos personagens, inseridos em contexto similar ao do livro, como o General, reforçam ideias que também se completam às do texto, intensificando-o e expandindo-o, em uma adição bem interessante.

O Pequeno Príncipe encontra o General


Por todas estas razões o filme de Stanley Donen pode ser considerado um clássico, e como todo clássico, deve estar sempre em evidência, em discussão. Por isso achei por bem falar um pouco sobre ele aqui, e motivá-los a assistir. Antes de finalizar, segue o trailer do filme:





Bom, acho que já deu para se ter uma boa ideia do que esperar do filme, não é? Quem já assistiu, sabe do que estou falando, aos que ainda não: assistam! Mas lembrem-se de que para melhor compreendê-lo, é importante ter lido o livro. E novamente, não se esqueçam de desenhar o carneiro!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Moacir C. Lopes


Esta postagem foi um tanto quanto inesperada, mas senti que devia fazê-la.

Ontem, estava tranquilamente trabalhando, na alta madrugada, quando me veio um lampejo: "Ah, vou já ver como anda o Moacir!". Moacir Costa Lopes, um grande escritor, autor do famoso "A Ostra e o Vento" que conheci através da Bienal do Livro 2010, aqui em Fortaleza. Abri o Google, digitei seu nome, e veio-me a bomba. Moacir tinha falecido. Em novembro do ano passado. Decorrente de um câncer. Fiquei alguns minutos enternecido, e me vinheram de imediato as cenas da Bienal, da palestra que ele dera, uma aula praticamente, e do momento que fui cumprimentá-lo. Moacir foi o único dos escritores que assisti a que consegui falar, parabenizar, em um momento bem especial. Só hoje descobri que ele já estava doente na época da Bienal.

O mais curioso de tudo, como falei precisamente no meu texto da época (a quarta da série Bienal do Livro 2010), foi que eu quase perdi a apresentação de Moacir, porque ainda não conhecia nada sobre ele, e naquele dia não imaginava haver nada que me interessasse nos corredores do Centro de Convenções. Ledo engano. E arrisco a dizer que com certeza foi um dos melhores dias que tive no evento.

Algumas das palavras que ele me falou podem parecer breves a princípio, mas são uma virtude que é a base para se fazer qualquer coisa hoje e sempre. Ter paciência. Para escrever, para reescrever, para viver. É uma lei natural para um vida tranquila.

Infelizmente só fiquei sabendo da notícia meses após, o que me deixou ainda mais chateado. Para vermos como é a situação do Brasil... é óbvio que se tivesse sido um jogador de futebol ou um ator, a notícia teria explodido em todas as mídias. Pesquisando melhor, vi que foi noticiada em alguns sites, e algumas homenagens até foram feitas. Mas imagino que muita gente ainda não saiba que o Brasil perdeu um grande escritor, e que talvez sequer venha a saber.

Moacir tem uma bela história de vida, apesar das dificuldades pelas quais passou, e contou um pouco de sua trajetória na palestra. Foi marinheiro por vários anos de sua vida, e esta experiência o fez escrever sobre o mar como ninguém. Criou ainda sua própria maneira de escrever, e explica sua metodologia no fantástico Guia prático de Criação Literária, livro que acabei não comprando na Bienal, mas poucos meses após, e que é uma de minhas principais referências para organizar as ideias antes de escrever. A obra é mais prática do que acadêmica, mas é lotada de informações valorosas tanto a estudantes, professores e escritores, e quem mais quiser compreender o método de criação deste brilhante escritor.

Bom, vou me restringir a apenas estes comentários. Meu texto sobre a palestra do Moacir, na Bienal, pode ser lido (e assistidos, os vídeos) na íntegra nesse link. Um local onde se pode conhecer um pouco mais sobre ele e sua obra é o site oficial do autor. E para fechar, a ótima crônica escrita por Pedro Salgueiro para o jornal O POVO, em ocasião do fato, e postada no blog de Raymundo Netto.

Moacir nos deixou uma obra vastíssima, que reflete extraordinariamente a pessoa que foi. Vamos lê-la, divulgá-la, estudá-la. Mantê-lo sempre vivo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nintendo 3DS vem aí!


Voltando a falar de games! Gente, há cerca de um ano atrás, falei sobre o lançamento do Nintendo DSi XL, videogame portátil da Nintendo que foi lançado ano passado e que se tratava apenas de mais uma variação do consagrado Nintendo DS (ao lado do Lite e DSi), que desde 2004 é um verdadeiro fenômeno de vendas e público, graças às suas duas telas, uma delas sensível a toque, e diversidade de jogos oferecidos. Com a popularização recente do 3D, devido a filmes como Avatar, muito vinha sendo falado a respeito de um sucessor do aparelho, que a princípio seria capaz de gerar imagens 3D, mas nada oficial tinha sido divulgado. Isso até a E3 (maior evento mundial dedicado a games) daquele ano, onde foi então apresentado o Nintendo 3DS. Uma proposta "simples" é a grande aposta da Nintendo: 3D sem os tradicionais óculos!

E agora em janeiro de 2011, estamos quase às vesperas do lançamento do novo portátil, que mantém várias das características dos modelos anteriores, como a tela sensível a toque e as câmeras (sendo que agora temos duas para fotos em 3D), mas que traz uma série de novos recursos e possibilidades. 

Neste mês, houve um evento de apresentação do novo sistema à imprensa, numa solenidade típica, comandada pelo presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aime, que desvelou boa parte das características do novo DS.

O vídeo na íntegra (em inglês) pode ser visto logo abaixo:



Para resumir, filtrei algumas das principais novidades do novo portátil da Nintendo, em relação aos modelos anteriores. São elas:

– Display superior 3D sem óculos (Resolução de 800x240 com 3D desligado e 400x240 por olho com 3D ativado);
– Direcional analógico (pela primeira vez em um portátil da Nintendo);
– Giroscópio e acelerômetro, que captam os movimentos feitos com o aparelho, similar ao Wii Remote;
– Botão HOME, que, como no Wii, conduz direto ao menu principal do sistema;
– Botão de ajuste do efeito 3D, que permite controlar o grau de como o efeito se comporta, podendo até desligá-lo; 
– 2 camêras externas, de 640x480, capazes de tirar fotos em 3D, além de usadas em jogos;
– Áudio Stereo que, com fones de ouvido, pode simular áudio 5.1;
– Caneta Stylus extensiva até 10cm;
– Novos game cards podem armazenar até 8GB;
– Carregador agora é uma base, onde o sistema deve ser encaixado (bateria durará em média 3-5 horas);
– Vários softwares virão no sistema, como um editor de Miis (populares avatares digitais personalizáveis) , editor de fotos, interpretador de cartões de realidade aumentada (o aparelho virá com alguns inclusos), canal de internet e diversos outros.
– Possibilidade de trocar informações com outros sistemas 3DS enquanto se anda (bastando passar por alguém que tenha um e ambos estejam em modo sleep); 
– Retrocompatibilidade com os Game Cards de DS e DSi;
– Sistema de Virtual Console (similar ao do Wii), que permite baixar jogos de GB, GBC e GBA para o console;
– Cores iniciais: Aqua Blue e Cosmo Black; 
– Lançamento: 26 de fevereiro no Japão, 27 de março nas Américas;
– Preço: 25.000 yens, 250 dólares, provavelmente entre 800 e 1000 reais;
– Dimensões bem similares às do DSi, exceto a tela superior, mais retangular que a de baixo;
– Terá português (brasileiro) como idioma selecionável.

(O sistema mantém a básica tela sensível a toque e conectividade à internet via Wi-Fi)

A notícia da criação de um portátil da Nintendo em 3D remota ao início de 2010, quando surgiram os primeiros boatos e especulações. Hoje, vejo que o marketing massivo feito pela companhia japonesa vem dando certo, como sempre, e o 3DS está em grande evidência, em sites, blogs e na boca de todos. A tecnologia, nas palavras da Nintendo, é única, nunca antes vista, e promete uma imersão jamais imaginada em um jogo. Será? Espero que todo este hype não acabe decepcionando (como o Wii decepcionou alguns). O fato é que ter 3D sem óculos é mesmo uma grande atração. Os cinemas e TVs de hoje oferecem filmes e imagem em 3D, mas ainda dependentes dos incômodos e antiquados óculos. Quebrar este padrão sem dúvida será uma grande revolução!

Nintendo 3DS e seu carregador, que será acoplado à sua base


O segredo por trás do Nintendo 3DS está em um efeito chamado estereoscopia, obtido atráves de duas imagens, com leves alterações angulares, que são enviadas uma a cada olho. Ao enxergamos ambas, levemente deslocadas, em pontos-chave, temos a formação de uma terceira imagem, criada por nosso cérebro, que nos dará a sensação do 3D propriamente dito. Esse efeito também ocorre graças à paralaxe, que é quando se utiliza objetos de diferentes tamanhos, com velocidades diferentes, a fim de criar um aspecto de pronfundidade aparente. Por tais razões, tem-se dito que o aparelho seria prejudicial a crianças menores de 7 anos, o que a Nintendo confirmou recentemente, e já faz o alerta aos futuros compradores.

Tenho um DSi, o qual adoro e ainda desfrutei pouquíssimo de seu quase infinito repertório de possibilidades, mas confesso que fiquei empolgado (e quem não ficou?) com as possibilidades que o 3DS pode trazer. Jogos de peso, como Zelda, Mario Bros, Resident Evil, Street Fighter IV, Mario Kart, Pilotwings e Metal Gear Solid já estão em desenvolvimento, além de dezenas de outros, o que garante uma ótima apresentação do console, se ele for mesmo tudo o que diz ser!

Comparação de tamanho do 3DS (preto) com os outros membros da família DS. Notem também a elegância do Game Boy Micro!


Um dos fatores que creio que não agradou foi a curta duração da bateria. O DSi já teve uma redução em relação ao DS Lite, e agora mesmo com menor brilho o tempo não deve passar de 5 horas! Será que já não se tem tecnologia para se fazer baterias mais duradouras? Ouvi dizer que as de lítio podem durar bem mais do que as atuais duram...

Mas os pontos fortes são mesmo os mais destacáveis. Giroscópio e acelerômetro tornarão bem intensa a experiência de jogo, e será engraçado ter que fazer as mais variadas evoluções com o console nas mãos! O áudio melhorado, simulado em 5.1 com fones, também impressiona, e deve colaborar muito para criar a atmosfera dos jogos. Game cards de até 8GB? Não é à toa que a qualidade gráfica de alguns títulos como Resident Evil e Metal Gear Solid mais parece um jogo de Wii. O sistema de troca de informações, ativado simplesmente ao passar perto de outro 3DS também parece ser interessante (apesar de ser um pouco estranho à princípio...), e se der certo da maneira como divulgaram, será uma boa interação entre jogadores (que, pelo que entendi, podem ser desconhecidos até então!). Ah, outra coisa legal, o console estará disponível com o nosso português como opção de linguagem! É a primeira vez que isso acontece, e mostra como a Nintendo está mudando sua visão em relação a nosso país, onde tem mercado bastante forte. A realidade aumentada também parece encontrar um lar perfeito no novo sistema, e promete inúmeras possibilidades interativas, através das câmeras do portátil. E para finalizar, ter um Virtual Console no 3DS também é mais uma ótima jogada da Nintendo, uma vez que o do Wii não traz jogos dos famigerados Game Boys. Assim, clássicos do GB, GBC e GBA poderão ser baixados para o 3DS.

A realidade aumentada também será um dos novos recursos oferecidos pelo Nintendo 3DS

Bom, tudo isso parece ótimo não é? É o que todos esperam. Como a Nintendo é líder absoluta no ramo de portáteis, é quase certo que o 3DS obtenha êxito imediato. Só para constar, um outro detalhe que faz falta ao atual DS (DSi ou XL), agora quanto à conexão à internet, é a ausência de um flash player, que impossibilita a visualização de vídeos e afins. Espero que o 3DS traga este recurso, que hoje em dia é tão comum em Iphones e etc, além de uma melhor interface na web. Ah! Espero também uma nova versão do Flipnote Studio, o ótimo programa de animação que acompanhou o DSi, e popularizou bastante as animações no estilo flipbook, quadro a quadro. Com as possibilidades do novo sistema, imaginem o que não daria pra fazer no Flipnote!

A vontade de ter um 3DS logo no lançamento é tentadora, concordam? Isso até vermos o preço que o mítico aparelho chegará por aqui. 250 dólares, com multas e taxas deve passar os R$1000,00 facilmente, e aí a vontade vai para o ralo. Mas também tem outro fator que não me anima muito a adquirir o aparelho tão subitamente: as futuras versões. Provavelmente, em breve a Nintendo deve lançar upgrades do 3DS, quem sabe um 3DS Lite ou 3DSi, ou até 3DS LX? (risos!). Brincadeiras à parte, claro que os nomes seriam outros, mas isso é quase certo de acontecer, e também bastante natural, portanto creio ser mais válido esperar um pouco, e ver como o público reagirá a essa nova tecnologia, e aguardar as próximas versões, que talvez corrijam o "problema" da bateria ou algum outro que o sistema venha a ter, a exemplo das evoluções do primeiro modelo do DS original até o XL.

Para concluir, vídeos de alguns jogos (lembrando que o efeito 3D não é visível senão no próprio 3DS):